Um dos melhores trabalhos que li sobre o florentino. Viroli consegue mesclar com fluidez as obras políticas de Maquiavel, com suas cartas enviadas aos amigos, colegas de trabalho, e suas outras obras menos conhecidas, como os discursos realizados em sua época de Secretário de Chancelaria, constituindo uma narrativa fluida e concisa.
O principal tema de análise é a "filiação" de Maquiavel à tradição retórica romana. Neste ponto se encontra a quebra que o autor florentino faz com a tradição humanista de seu tempo. Nesta perspectiva, o autor nunca teve pretensão de escrever obras históricas, políticas nem filosóficas. Sua única vontade era de alcançar a fama e a notoriedade nas artes da persuasão, e no aconselhamento dos líderes de um país. O príncipe, longe de ser um tratado político, é apenas um compêndio que resgata a retórica dos antigos, trazendo para o seu tempo (e agora para nós, na posteridade) os ecos dos grandes discursos dos homens públicos da maior República já fundada, Roma. Os Discursos e a História de Florença, são a mais nítida exortação patriota, e a declaração e amor à Terra Natal.