O jovem ROBERTO tirou um ano para ver o mundo. Chamem-lhe viagem iniciática, naquela tradição perdida do Grand Tour romântico. Vai de bicicleta, uma concessão à modernidade, de mochila às costas, sem rumo, desenhando paisagens aquáticas onde as encontra. Quando chega ao topo de uma montanha, no ermo, encontra ANTÓNIO, que nele se retirou, em conflito com a Natureza circundante. ANTÓNIO, doente, luta com a sua incapacidade de pôr termo à vida. ROBERTO apercebe-se, ao cair dessa noite, que lhe roubaram a mochila com tudo o que ele tinha. Dividido entre procurar os seus bens e deixá-los seguir caminho, decide passar a noite em casa de ANTÓNIO. E este usa o bom ROBERTO como arma involuntária para se suicidar. Pelas mesmas pitorescas montanhas deambulam, pedestres, dois cavalheiros cuja generosidade raia os limites da loucura. DOMINGOS e AUGUSTO são testemunhas benévolas das consequências do “crime” de ROBERTO. Pelas serranias floridas anda também MARIA RITA, com seu filho e marido, procurando (mas não excessivamente) o pai desaparecido.
Luísa Costa Gomes nasceu em 16 de Junho de 1954. É licenciada em Filosofia pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Foi por vários anos professora do Ensino Secundário e trabalhou ainda no programa Escritores nas Escolas. Traduziu livros, traduziu e legendou filmes. Tem colaborado em vários jornais e revistas, programas de rádio e televisão. A sua obra literária começou com a publicação, em 1981, do livro "Treze Contos de Sobressalto". Desde aí já lá vai dezena e meia de títulos, entre o conto, o romance, o teatro e a crónica, com variados prémios, e traduções no estrangeiro. Várias das suas peças subiram ao palco. Escreveu o libretto de algumas óperas, entre elas o célebre "Corvo Branco", de Philip Glass, com encenação de Robert Wilson, apresentado por ocasião da Expo' 98 (e também em Madrid e em Nova Iorque). Criou a revista de contos FICÇÕES, que dirige e coordena.