Em O Jogo da Sorte. a italiana Giulia Alberico acompanha o drama de três irmãos — Ignazio. Agnese e Delia — integrantes de uma rica e provinciana família burguesa. Separados por discussões e conflitos comuns. eles decidem reunir. na velhice. suas existências que mortes e lutos tornaram solitárias. Um acerto de contas afetivo e definitivo.
"Este é o lugar dos retornos, um ninho que é também uma prisão. Mas numa certa altura da vida talvez possa curar."
Esse livro parte de uma ideia que me agrada muito, quatro personagens (três irmãos de uma família rica e uma empregada dessa familia), refletem sobre suas vidas interligadas. É uma ideia com muito potencial, esse três irmãos vagando, quase como fantasmas, por uma mansão enquanto contemplam sobre sua vida. Infelizmente apenas um desses personagens é realmente interessante de acompanhar, Agnese, os outros personagens não só são escritos de maneira pouco instigante como seus pontos de vista da história pouco acrescentam a experiência. A ideia de contar uma mesma história de várias perspectivas é interessante por que você consegue ver como pessoas em lugares, experiências de vida ou em situações de vida diferentes enxergam um mesmo acontecimento, infelizmente isso não acontece aqui, e Agnese é a unica personagem em que a autora consegue imprimir uma certa personalidade, a diferença de qualidade entre a parte narrada por essa personagem e o resto é absurda, e só torna o resto do livro ainda mais desinteressante. Vale comentar também que o livro traz uma revelação sobre o passado dessa família, que não é só inserida a força, como não acrescenta em nada a leitura, e nem mesmo o efeito de chocar consegue. "o Jogo da Sorte" tinha tudo para ser um livro memorável e marcante, uma boa ambientação e personagem que poderiam ser interessantes de acompanhar, mas infelizmente a autora não conseguiu trabalhar bem esses elementos e o resultado é uma trama esquecível.