Em Sem Nome, uma voz em off conta a trajetória de José Viana, advogado bem-sucedido, que vive em Londres desde o início da década de 1970. Ex-militante do Partido Comunista Português, bem treinado nos solenes e pantagruélicos corredores do conhecido King’s College, “cripto-subversivo”, “anarco-legalista” infiltrado na autocrática sociedade britânica. Obcecado pela “camarada” Marta Bernardo, amor esfumado nas vicissitudes da pré-revolução, a imagem erótica que permanece não-resolvida.
Hélder Malta Macedo é um poeta, romancista, ensaísta, crítico e investigador literário, português. A sua obra ficcional, de entre a qual se destaca o romance Partes de África (1991), no qual o autor usa técnicas narrativas para revelar as ficções da memória, expondo a fronteira entre o facto e a invenção, é considerada uma das mais originais da literatura portuguesa contemporânea.
Li quase metade… - Como a personagem principal é um advogado que vive em Londres, muitos dos diálogos têm uma mistura de inglês com português, o que me irritou um bocadinho; - Muita conversa política; governo para aqui, ministro para acolá; - Uma manhã o advogado acorda e, durante algumas dez páginas tenta contar-me o sonho que teve; algo que não aguento nem do meu maior amigo; - Para aperfeiçoar as coisas, começo a vislumbrar a história estafada da jovem acabada de sair da adolescência que se perde de amores pelo sexagenário. Já me chega…
Mais um texto que não tem princípio nem fim, antes pelo contrário. Rizomatico. Onde está tudo sem precisar ser escrito. Autor, personagens e narrador em permanente troca. A bela máquina de romances de Helder Macedo em plena produção. Com opera, literatura, cinema e outras variáveis na produção. Nós nos outros e os outros em nós. Sem nome. Sem sujeito.