O pouco formalismo me irrita. O formalismo absoluto me irrita absolutamente. Essa segunda situação acontece quando eu leio livro de semioticistas dos anos 60 e 70, que precisam apresentar fórmulas matemáticas bizarras para explicar seus argumentos apesar de já os terem explicados em textos. Claro, é entendível, afinal, a semiótica é a ciência dos signos - não confundir com a astrologia (!), e por isso as fórmulas. Mas também servem para mostrar o esforço dos seus pensadores para instituí-la como uma corrente de pensamento válida. Kristeva, nesse caso, não é diferente, embora seu livro traga ótimos insights para diversos tipos de análise sejam eles linguísticos, antropológicos, sociológicos, psicológicos ou culturais.
Julia Kristeva seria muito citada e elogiada por um dos mais célebres semióticos do mundo, Roland Barthes. Já ela, bebe na fonte dos fundadores da semiótica, Saussure e Pierce, mas incorpora em seu "manifesto semanalítico", a importância da contextualização através de pressupostos de Sigmund Freud e Karl Marx, além de romper com os estruturalistas e sua negação da historicidade. Além de promover uma nova análise dos símbolos e dos signos, bem como uma análise do texto - enquanto sua acepção mais abrangente - e do discurso, enquanto texto derivado de um sujeito, ela sugere interessantes abordagem para a análise da prosa e da poesia.
No caso da prosa e do romance, mais especificamente, e o que me interessa, ela propõe os conceitos de carnavalização e de menipeia (em oposição à epopeia), para depois promover uma análise completa e complexa da verossimilhança na literatura. Isso me inspirou para escrever um post do blog comparando a realidade a fantasia dos super-heróis e sua ligação com o mundo em que vivemos. Em breve devo postar por lá. Embora formalista demais, o livro concebe muitos pressupostos importantes e, sem dúvida, de grande serventia para a análise textual - no latu sensu do tema.