Durwell escreve com uma fluidez maravilhosa, sempre amarrado às Escrituras, e vai conduzindo o leitor pela mão cada vez mais profundo nos mistérios da Salvação.
A intenção do livro é clara: contemplar a morte de Jesus como morte do Filho, com plena compreensão da Trindade atuando nesse mistério. Ele não trata a cruz como um episódio isolado, mas como o espaço onde Pai, Filho e Espírito Santo se revelam em comunhão. O Pai gera, o Filho consente, o Espírito ama. E a morte não quebra esse movimento, ela o revela.
Ao longo dos capítulos, Durwell fala da morte de Cristo como glorificação, santificação, filiação; e da nossa própria participação nessa realidade. Ele desenvolve que morrer “por nossos pecados” não é uma fórmula, mas um mergulho no amor que nos toma e nos transforma.
Um ponto que me marcou profundamente é a reflexão sobre a Igreja, não como um conjunto de obrigações, mas como unidade viva, na terra e no céu. A morte, para o cristão, não apaga esse vínculo; ela o cumpre. Saímos do estado corporal e entramos no estado espiritual da alma, que sempre foi a nossa origem.
Durwell também fala do purgatório de um jeito muito bonito, longe de definições rígidas. Ele descreve essa purificação como preparação amorosa para as “bodas” definitivas com Deus. O Espírito Santo é ao mesmo tempo o fogo que limpa e a água que consola, preparando o coração para o encontro final. É uma visão que tira o medo e devolve a esperança.
Eu diria que o livro é muito bom para quem já está caminhando há algum tempo na fé. Não é difícil, mas também não é introdutório. Ao menos, eu não tive essa percepção. É um livro para ler devagar, levar para a oração, voltar em vários pontos. Pode ser muito bom de ler em grupo, facilitando o diálogo e fruição dos mistérios ainda mais.
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