Em vida, Franz Kafka publicou sete pequenos livros e alguns textos espalhados por revistas literárias. Contudo, a maioria da sua obra, a mais marcante e reconhecida, só foi dada a conhecer após a sua morte, pela mão do seu grande amigo Max Brod - exemplos são O Castelo, A Metamorfose, O Processo, América, entre outros.
De tempos a tempos, Kafka, preparava timidamente excertos de um qualquer outro projecto maior e dava-os a conhecer, fosse em revistas, após muita insistência de amigos e/ou editores, ou em cartas enviadas aos mesmos.
Excertos
Este O Fogueiro - Um Fragmento foi um dos textos assim lançados, publicado na primeira série da colecção Der Jüngste Tag (O Dia do Juízo). Colecção esta que viria a tornar-se importante para a história do impressionismo alemão. Kafka insistiu em sublinhar o caracter de "pequeno excerto", através do subtítulo "Um Fragmento".
O Fogueiro descreve a chegada do jovem Karl Rossmann ao grandioso porto de Nova Iorque, com vista sobre a Estátua da Liberdade. Karl aproxima-se das terras norte americanas, enviado pela famíla, como castigo de um deslize que teve com uma criada de quem teve um filho. Antes de desembarcar de vez, recorda-se de que o seu guarda-chuva ficou para trás, perdido algures, e resolve ir procurá-lo, perdendo-se, inevitavelmente, no infindável número de corredores do navio. Acaba por encontrar, por fim, numa pequena cabine, um fogueiro, que lhe fala ao coração e o leva a embarcar numa discussão que poderá mudar a sua vida.
Este pequeno livro é um excerto da obra América, mais concretamente o seu primeiro capítulo. Deve ser encarado da forma como foi lançado, parte integrante de uma revista, e funciona como um pequeno preview de uma história maior.
Contudo, não deixa de ser um excerto, um trabalho incompleto, e poderá desagradar ao leitor mais desprevenido, apanhado de surpresa.
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