José Carlos Aragão consegue algo raro nesta adaptação de Édipo Rei (Sófocles): atualizar a linguagem sem “modernizar demais” a obra a ponto de diluir sua força trágica. O texto flui com naturalidade, com escolhas lexicais atuais e ritmo mais direto, mas preserva o núcleo dramático que torna essa história tão inquietante: a busca obstinada pela verdade, o peso das decisões e o choque entre destino, responsabilidade e poder.
Para leitores que sempre tiveram curiosidade de encarar os clássicos, mas esbarram na barreira do estilo, esta versão funciona como uma excelente porta de entrada. O enredo ganha acessibilidade sem perder densidade, e a experiência de leitura mantém aquele efeito característico da tragédia: você avança sabendo que algo terrível se aproxima, e ainda assim não consegue parar.
Recomendação forte para quem quer conhecer Sófocles, ou retornar a ele, com uma mediação competente, respeitosa e muito bem escrita.