Chamo-me Simba Ukolo, sou africano, e sobrevivi ao fim do mundo. E se a vida animal de repente desaparecesse da Terra, excepto num pequeno recanto do mundo e em doses mínimas? Talvez as causas se conheçam depois, mas o que importa é a existência de alguns seres, aturdidos pelo desaparecimento de tantos, e procurando sobreviver. É sobre estes sobreviventes e as suas reacções, desejos, frustrações mas também pequenas/grandes vitórias que trata este romance. Detalhe importante: o recanto do mundo que escapou à hecatombe situa-se numa desgraçada zona da desgraçada África. O que permitirá questionar as relações contemporâneas no velho Mundo.
Artur Carlos Maurício Pestana dos Santos is a major Angolan writer of fiction. He writes under the name Pepetela.
A white Angolan, Pepetela fought as a member of the MPLA in the long guerrilla war for Angola's independence. Much of his writing deals with Angola's political history in the 20th century. Mayombe, for example, is a novel that portrays the lives of a group of MPLA guerrillas who are involved in the anti-colonial struggle, Yaka follows the lives of members of a white settler family in the coastal town of Benguela, and A Geração da Utopia reveals the disillusionment of young Angolans during the post-independence period. Pepetela has also written about Angola's earlier history in A Gloriosa Família and Lueji, and has expanded into satire with his series of Jaime Bunda novels. His most recent works include Predadores, a scathing critique of Angola's ruling classes, O Quase Fim do Mundo, a post-apocalyptic allegory, and O Planalto e a Estepe, a look at Angola's history and connections with other former communist nations. Pepetela won the Camões Prize, the world's highest honour for Lusophone literature, in 1997. Pepetela is a Kimbundu word that means "eyelash," as does "pestana" in Portuguese. The author received this nickname during his time fighting with the MPLA.
I am not aware this book has ever been translated into English. I would title it “Almost the end of the world”. The book is a fiction about the survivors of a world in which all animal life has disappeared.
Almost.
Pepetela (Artur Carlos Maurício Pestana dos Santos) is a white Angolan writer, who got a degree in Sociology and fought along with the MPLA* in the independence war of his nation.
According to interviews given by Pepetela, this book is at the confluence of several stories; one of them is the conversation he had with his daughter, about the myth of the formation of the Lunda Empire….; it’s related to the idea of an “Angola made not-by-foreigners”. Another story that caused the writing of the book was the Tokyo “sarin” attacks on the subway**: what if this happened at a global scale, wondered then Pepetela.
There’s a whiff of revenge in the air… Of course, there’s a style of Pepetela quite new to me: he may change the narrator’s voice in the same sentence, or page, several times.
Sure, the expressions/words: muxima…kimbanda…cazumbis…muxoxou…matubas…kimbo…abuamados…kionga…maka…; I’ll look up in the dictionary. I don’t feel colonized. Thanks Pepetela.
I am enjoying the book. I liked some expressions like: "Foi um choque do camano!" ("It was a hell of a shock!"). Some expressions, you usually don't hear in continental Europe.
(Rembrandt, The Abduction of Europe)
from Wiki: *The People's Movement for the Liberation of Angola - Labour Party (Portuguese: Movimento Popular de Libertação de Angola - Partido do Trabalho) is a political party that has ruled Angola since the country's independence from Portugal in 1975. The MPLA fought against the Portuguese army in the Angolan War of Independence of 1961-74, and defeated UNITA and the FNLA in the decolonization conflict 1974-75 and the Angolan Civil War of 1975-2002. **The Sarin attack on the Tokyo subway, usually referred to in the Japanese media as the Subway Sarin Incident (地下鉄サリン事件 Chikatetsu Sarin Jiken?), was an act of domestic terrorism perpetrated by members of Aum Shinrikyo on March 20, 1995.["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>["br"]>
O quase fim do mundo, é um romance de Pepetela, escritor de angolano e antigo prémio Camões. Esta obra tinha, ou talvez tenha ainda, tudo para ser um romance de excelência. O objecto deste livro é o fim do mundo, ou melhor, o quase fim do mundo, sendo certo que a vida se mantém numa pequena zona do continente africano. A primeira frase do livro é absolutamente brutal: “Chamo-me Simba Ukolo, sou africano, e sobrevivi ao fim do mundo.”, e inicia uma história, que embora não sendo totalmente original, está bem pensada e estruturada. Depois de conhecermos Simba Ukolo, médico, surgem na narrativa outras personagens: uma fanática religiosa, uma jovem adolescente, um ladrão, uma criança – sobrinho de Simba Ukolo – uma investigadora cientifica, um segurança em minas de diamantes, um pescador, um curandeiro, um electricista e uma professora de história. São estas as personagens que vão dar vida a este romance. Embora a personagem principal seja efectivamente Simba Ukolo, a verdade é que a espaços a narrativa é contada por cada uma das personagens, que o autor procurou retratar e preencher da melhor forma, dando-nos um conhecimento mais ou menos profundo do seu passado. Embora a história tenha um conjunto de reflexões meta-filosóficas, a verdade é que esse vector não é profundamente explorado pelo autor, sendo que a narração da sucessão do tempo e da descoberta do que lhes havia acontecido toma o lugar principal na narrativa. Sobre a história em si, não nos pronunciaremos mais. Fica para o leitor descobrir, tal como nós descobrimos. Confessamos que ao princípio este foi um livro que me deixou levemente desiludido. Mas depois, tal como acontece com quase todos os livros, fomo-nos apaixonando pelas personagens e a determinada altura colocámo-nos mesmo na sua pele e vivemos essa realidade bem imaginada pelo autor. Talvez não seja possível ainda fazer uma análise muito profunda desta obra. Passaram menos de 24 horas desde que as últimas páginas foram lidas e não conseguimos ainda ter uma visão não emotiva do que lemos. É sem qualquer dúvida que aconselhamos vivamente a leitura deste livro. Há alturas da nossa vida em que não temos ainda noção se o livro que lemos constituirá ou não no futuro uma obra-prima. Aguardaremos pacientemente pelo passar do tempo.
Comprei este livro um bocado sem saber porquê! Talvez levado pelo ambiente da feira do livro (Lisboa), ou até mesmo pelo facto de o autor estar mesmo ali ao lado, disponível para mais um autografo. Claro que já tinha ouvido falar nele, claro que queria ler algo seu, porém talvez o momento tenha sido propício à compra.
Quanto ao tema, bom aí confesso mesmo, não fazia a mínima ideia. Procurei apenas saber qual era o último. "O Terrorista de Berkeley, Califórnia" era o único de que já tinha ouvido falar, mas ainda assim optei pelo último.
A história, perdoem-me a comparação, é um bocado do género "Ensaio sobre a Cegueira". Um calamidade que, como todas a calamidades aparece sem avisar. De repente, quase todos os seres animais desapareceram e o mundo vê-se deserto. Mas não em Calpe. Não numa pequena zona de África onde afinal nem todos desapareceram. Mas afinal que "coisa" foi esta? Afinal para onde foram todos? Deixámos de ter família?
É as reacções destes seres que Pepetela se propõe a mostrar nesta obra. Foi o meu primeiro livro de um autor angolano. Tenho um pouco de pena de não o ter lido com mais disponibilidade. Penso que teria usufruído muito mais se não tivesse demorado tanto tempo a lê-lo.
Apesar de tudo gostei do livro. Tem uma boa história, é envolvente e consegue prender a leitura. Aconselho vivamente a quem gostar do género.
Por último apenas uma pequena reflexão! Ao ler este autor lembrei-me um pouco do tão malfadado acordo ortográfico. Será que valerá mesmo a pena?
Págs. 382 Ref. ISBN: 978-972-20-3525-5 Editora: Publicações Dom Quixote
A ideia de fundo é um achado. Um fenómeno à partida estranho, "a coisa" , limpa da face da terra quase toda a população. Os poucos que restaram são uma espécie de exemplares únicos (um médico, uma beata das novas igrejas, uma americana que se dedica ao estudo de gorilas, e não digo mais... leiam!). A trama trata do que acontece entre os remanescentes e a relação destes com o novo mundo. E aqui há momentos de boa literatura mas de fraco enredo e até de algum facilitismo, mesmo considerando o contexto em que se movem. Meia dúzia de pessoas e um mundo inteiro para conhecer, explorar, viver. Depois de Spielberg há enredos, deste tipo, que não são fáceis de urdir.
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Quando comecei a ler este livro achei que não ia ter muita paciência para ele, pois não é o meu estilo favorito. No entanto, à medida que fui avançando na leitura, dei por mim casa vez mais curiosa para ver onde ia chegar a situação. Os acontecimentos não se desenrolam com rapidez, nem se apresentam em grande quantidade, mas o mistério envolvente deixá-los presos às páginas. É um livro com uma crítica social muito forte, que demonstra até onde pode ir a nossa arrogância, a nossa ganância. Mostra até que ponto o ser humano consegue ser ignorante.
Num cenário misterioso em que praticamente todas as pessoas do planeta desaparecem sem deixar rasto, a história é contada numa espécie de primeira pessoa, em que a perspectiva vai saltitando entre as mentes dos poucos sobreviventes, dando uma perspectiva sui generis das relações humanas e das de África com o resto do mundo.
Capítulo 1 – "Chamo-me Símba Ukolo, sou africano e sobrevivi ao fim do Mundo". Após um inesperado clarão o personagem principal deste livro, Simbala Ukolo, verifica inicialmente que está só no mundo, não avistando qualquer animal terreste, pássaros, ou insetos embora mais tarde seja picado por um mosquito ou abelha. Na cidade chamada de Calpe (local inicial e final da narrativa), devido ao estranho acontecimento ter ocorrido durante o dia, todos os edifícios ficaram abertos existindo apenas as roupas e acessórios das pessoas desaparecidas. O nosso personagem numa esquadra da polícia escolhe armas, e retira dinheiro de bancos, mas na terceira agência bancária encontra a Geny, mulher acima dos trinta anos, pouco simpática, que também andava a sacar dinheiro. “…, o que conta para a reprodução das espécies é um número mínimo de fêmeas. Dos machos basta um.” (página 24).
Capítulo 2 – “O mais certo era os americanos ficarem como sempre comovidos com tanta unanimidade contra o seu projeto (bomba de neutrões) e terem avançado com ele na mesma, só que escondidamente.” (página 29). Ukolo e Geny aquase tropeçam em Kiori que andava a vaguear pela cidade aos gritos e a fazer barulhos com a boca do tipo imitar carros, logo de seguida avistam uma menina de 16 anos chamada de Jude que inicialmente foge desorientada, mas depois calma-se na presença deles. Simba Ukolo conta a sua história de vida, em que apesar de não ter nascido em berço de ouro, e talvez por ter estudado medicina em Inglaterra comporta-se como um lord inglês. Ukolo tem saudades da filha de 10 anos agora desaparecida, e por isso cria empatia com Jude, desdenhado ambos da Benny por ser muito religiosa e conservadora.
Capítulo 3 – “Nada seria eterno então, nem os mitos ouvidos desde a infância? Ukolo não conseguia imaginar, simplesmente ofensivo.” (página 47). Na demanda pela busca de humanos na zona dos lagos, e após terem descido com êxito uma picada inclinada graças ao potente jeep roubado num stand da cidade, a narrativa pela 1ª vez passa do médico Ukolo para a jovem Jude, prosseguindo ao longo do livro com alternância para outras personagens. Verifica-se também que as diversas personagens vão tecendo as mais variadas considerações sobre religião, igualdade de género, sobre história de África e relacionamentos inter-racial, etc. Chegados à margem do grande lago numa das muitas aldeias, Ukolo e Jude encontram sozinho um pescador chamado Kiboro que depois de recuperado do choque, levam-no na sua embarcação percorrer as aldeias vizinhas do lago, mas não encontram ninguém. Os três de regressam a Calpe à noite no jeep, Ukolo quase atropelam o Kiori, e deixam o motor do jeep ir abaixo, por se ter feito silêncio nesse instante, Jude houve gritar de um edifício próximo, o qual verificam ser uma prisão de onde soltam o Joseph de 28 anos que rouba desde os 6 anos. As 3 personagens masculinas (Ukolo, Kiboro e Joseph) pernoitam na casa do médico, enquanto Jude fica na casa Geny.
Capítulo 4 – Simba Ukolo conversa com os seus novos hóspedes Joseph o larápio e Kiboro o pescador sobre o passado de cada um, durante o jantar confecionado pela Benny combinam dar uma volta pelas “Kimbas” situadas em redor do Lago Grande de modo a verificar se existia por lá alguém que tenha ficado depois do fenómeno inexplicável.
Capítulo 5 – No hospital a médico Simba análise às amostras de águas retiradas nos dois lagos vizinhos, encontrando apenas protozoários na amostra do Lago Grande. Também analisa as amostras de tecidos da defunta encontrada numa das enfermarias, e descobre células relacionadas com a decomposição. Mais uma volta nos arredores na aldeia (Kimba) do Simba, encontram desta vez o seu sobrinho chamado Nkunda com 6 anos. Aparecem mais 2 pessoas ao pequeno grupo reunido em Calpe, dois brancos, a californiana Janet Kinsley que estava na selva a estudar o comportamento dos gorilas para o seu doutoramento, e o sul-africano Jan Dippenaar (nome de origem holandesa), antigo militar e segurança de uma mina de diamantes.
Capítulo 6 – No restaurante durante o jantar preparado pela Geny, o grupo fica a par da história dos recém-chegados, e para espanto de todos Geny faz um discurso com carater religioso em tom de desabafo a tentar esclarecer o inexplicável.
Capítulo 7 – Mais dois humanos aparecem na cidade, Isis de 24 anos, jovem alegre vinda do sul de origem somali formada em história, e Riek com cerca de 50 anos encontrado no mato pela americana Janet que tal como os outros andava pelos arredores da cidade a tentar encontrar mais pessoas. Nesta altura do livro, o grupo já vai em 9 elementos mais o Kiori que anda amalucado a percorrer a cidade a fazer o ruido dos carros com a boca. O grupo fica a saber que Riek é de origem Etíope, e andava de aldeia em aldeia a tratar da infertilidade das mulheres. Simba mostra um interesse crescente em Isis. Jan anuncia que vai tentar ir para Africa do Sul a saber o que aconteceu aos seus.
Capítulo 8 – A maior parte do grupo foi para o aeroporto da cidade observar o Jan experimentar uma avioneta monomotor, no seu primeiro voo lá de cima Jan vê uma viatura, e com o avião indica a direção da cidade de Calpe onde aterra. Entretanto o recém-chegado chama-se Julius Kwenda, e veio do um local perto da montanha de Kalimanjaro onde era eletricista-auto e mecânico. Jude que decidiu roubar o Jeep do Simba de modo a provar que sabe conduzir, deixou-o ir a baixo na pista principal do aeroporto e como ficou em estado de choque, tiveram de partir o vidro de veículo para a libertar. Entretanto Jan que tem um trauma devido a um acidente aéreo em que provocou a morte ao seu instrutor, após fazer um segundo voo experimental foi obrigado a aterrar na pista mais pequena devido à leviandade de Jude.
Capítulo 9 – Jeny farta e irritada decide temporariamente não cozinhar, ficando a confeção da refeição a cargo de inabilitada Isis tendo Jude dado uma que salvou o grupo de passar fome. O grupo elabora uma escala para confecionar as refeições constituído por um elemento experiente e um ajudante com menos experiência. Janet e Julius sentem-se atraídos e durante o jantar informam que irão viver juntos, também ficam a saber que Jan vai de avião até Africa do Sul. Simba após dar sepultura à defunta do hospital, passa pelo stand onde trocar de Jeep e aproveita para recolher mais dinheiro (dólares e euros) num banco já que as ourivesarias em africa não têm muito ouro nem diamantes.
Capítulo 10 – Após a partida do avião de Jan aparece no aeroporto um cão vadio (cabiri) de cor amarelada que foi logo adotado pelo Kiboro e lhe deu o nome de Rex. Kiboro apesar de saber do interesse de Simba, pensa em conquistar a bonita Isis. Julius mostrou interesse em pilotar um avião mas pouco sabe, decidem com ajuda de Isis e Judo o estudo de manuais de pilotagem, para em conjunto procurar de mais alguém pelo ar já que pelas picadas é pouco eficaz. Simba juntamente com Riek no hospital tentam procurar vida em amostras de terra húmida recolhida em vários locais, Janet foi para a biblioteca fazer pesquisa antropológica sobre o grupo de sobreviventes, Geny continua a catequisar o pescador Kiboro que está mais interessado em ter relações com ela, Joseph e Nakunda vão para o aeroporto escolher o avião para as observações aéreas, e por fim numa volta pelo parque natural próximo de Calpe, Símba e Rick no cimo de um ponto mais elevado observam a existência de um casal de elefantes e da sua cria.
Capítulo 11 – Após a refeição assiste-se a uma acalorada discussão sobre os 3 candidatos a piloto, Jude, Isis e Julius, em que a mais nova sente-se a única apta a pilotar, mas como ninguém a apoia embora Simba pense o contrário, por enquanto ninguém levanta voo. Nesta discussão foi debatido o racismo entre grupos étnicos havendo na zona da cidade Calpe dois grupos que para além de caraterísticas físicas, tinhas marcas na pele que reforçava a distinção. Seguiu-se conversa sobre a continuidade da espécie a centrar-se na Janet e Isis que deviam ter o maior número de filhos ao que elas não concordam pois não são vacas parideiras, na continuação Julius desafia Iris a escolher um potencial macho para seu parceiro, ao que ela se recusa comentar, mas tendo veladamente escolhido o improvável Riek, pois o curador da infertilidade das mulheres seria provavelmente o que teria maior experiência com elas, relegando Joseph e Simba para segunda ou terceira escolha. No fim da noitada cada foi para suas casas, e estando Isis já no seu quarto, daí a pouco tem a companhia do seu vizinho da casa Riek, que se revela “Era de facto um feiticeiro competente.”
Capítulo 12 – O sul-africano Jan Dippenaar regressa ao fim de quase 2 semanas, não tendo encontra ninguém apesar de no seu país ter percorrido muitas milhas. No dia seguinte só 2 candidatos vão ter lições já que Isis desiste, Jude passa com distinção e o próprio Jan disse que merecia o brevet. Ao serão discutem estratégias como ir mais longe talvez até à América, passando primeiro pela Europa. “O interesse acaba por prevalecer em relação aos preconceitos mais enviesados, já muitos sábios tinha ensinado.”
Capítulo 13 – Sessões de treinos com os dois aprendizes de piloto, partindo no dia seguinte para Nairobi e trazem mais um monomotor, mas não encontram ninguém na cidade. Isis aproveita nessa noite companhia de Riek, por Jude estar na capital do Quénia. Chove imenso em Calpe o que ainda não tinha acontecido desde o fenómeno da “coisa”, tendo o grupo concluído que esse acontecimento não seria o causador da falta de chuva. Em consequência das chuvas a casa de Geny ameaçada de infiltrações vê-se contra sua vontade ter de ir morar para uma casa próxima dos restantes elementos. Janet sugere a ida de todos para a América, mas Geny, o pescador e Riek recusam embarcar nessa aventura. No fim do serão depois de todos irem para os seus quartos, Símba fica no quarto de Jude que é contínuo ao da Isis, convence-se que ela e o feiticeiro estão a ter relações, mas resiste à sedução de Jude e vai para a sua casa.
Capítulo 14 – Explorando terra a partir dos céus, Jan, Símba e Nakunda num monomotor, e Jude e Julius no outro, avistam fumo na floresta originado por um grupo de 5 adultos (3 mulheres e 2 homens) e uma criança. Não conseguindo aterrar seguem para outro local onde avistam um segundo grupo de pessoas onde nesse local já conseguem aterrar, mas após várias tentativas de comunicação nas línguas Suaíli, Inglês e Francês, não conseguem fazer-se entender, verificam no entanto a existência de insetos e outra bicharada menor. Antes de voltar a Calpe ainda viram fumo noutra parte da floresta mas prosseguem viagem até aterrar em Calpe. Contra opinião de Jan, decidem recolher comida dos supermercados, e lançam a partir do avião nos locais onde tinham avistado pessoas. No último serão em que se encontram todos foi mais tristonho, caso da Isis que ia ficar sem o seu feiticeiro. Jude durante o serão não desiste de Símba.
Capítulo 15 – A jornada de aviação com intuito de atingir Europa conforme planeado, teve uma 1ª escala em Nairobi, seguiu-se Adis Abeba, Cartum e Cairo, mas Isis por ter formação em história insiste em passar por Luxor ao que Jan é o único que discorda, depois de muita insistência, o contrariado Jan acaba por ceder. Parte do grupo visitam a antiga capital de Egito chamada de Tebas, os templos de Karnak e Hotshpepsut, Vale dos Reis e Das Rainhas, e por fim o museu de Luxor onde recolheram para cada um escaravelhos em ouro para dar sorte. Levam dois escaravelhos para Símba e Jude que tinha ficado a analisar amostras na tentativa de descobrir vida, o assédio de Jude continua. Seguiu-se o voo para o Cairo onde nesse mesmo dia visitaram as pirâmides e o museu, a Isis insistiu em ficar mais tempo mas desta vez os restantes elementos preferiram continuar a jornada, aterrando em Bengasi na Líbia última escala em África.
Capítulo 16 – Entram na Europa por Nápoles, seguindo-se Roma onde visitaram Coliseu e Fórum. Seguem-se conversas depreciativas sobre o espaço Shengan, “Temiam que os poluíssemos, talvez sujar-lhes o ADN, fazer filhos escuros enquanto eles eram cada vez mais resistentes em fazê-los, claros, escuros o que fossem.”. O grupo fica preocupado com as fugas radioativas das centrais nucleares da Europa, com ausência total de vida animal. Finalmente Jude tem a sua noite de núpcias com Simba. Continuando em Roma no dia seguinte ao entrar na praça do Vaticano verificam que duas das colunas tem as seguintes frases escritas: “Se quer conhecer o que aconteceu ao Mundo”, “Vá às portas de Brandeburgo”, o grupo dá pouca importância a estas misteriosas mensagens. No museu do Vaticano alguns ficam com a tentação de levar alguns dos seu tesouros mais valiosos, mas por fim dadas as circunstâncias todos chegam há conclusão não haver vantagem nisso. De Roma seguem para Marselha e depois para Paris, mas devido ao mau tempo não têm visibilidade para localizar qualquer dos aeroportos de Paris, voltam para sul e aterram logo que têm visibilidade, tendo descoberto que estão em Bourges.
Capítulo 17 – Na cidade onde fizeram escala forçada devido à chuva e mau tempo manterem-se, o grupo decide seguir para Paris num carro grande, onde depois de lá chegarem instalam-se nos melhores hotéis, frequentam os restaurantes mais chiques, percorrem vários museus e galerias, logo que o tempo melhora decidem subir à Torre Eiffel para poderem observar Paris lá do alto, mas na base da Torre deparam-se com a mesma mensagem da praça do Vaticano, o grupo aí fica bastante intrigado e decidem que têm de ir há capital da Alemanha. Uma parte do grupo vai a Berlim e aterra no aeroporto de Tegel, lá chegados dirigem-se rapidamente às portas de Brandeburgo onde num painel da casa da guarnição está escrita a mensagem “Vai encontrar o manuscrito que explica o que aconteceu ao Mundo na gaveta de baixo do armário do fundo. Tem capa azul.”. A longa mensagem é lida por Simba e depois uma 2ª vez por Janet por estar escrita em inglês, que resumidamente é a seguinte: movimento radical mundial de elementos somente brancos chamado de Pak-To, que tem em sua posse várias descobertas científicas entre as quais, armas de raios OMEGA que ao serem ativadas faz desaparecer toda a vida animal numa área considerável assim como quem a usa e a própria arma, bastando apenas 20 dessas armas para cobrir a quase totalidade da superfície terrestre, zonas mais desérticas sem população ou se houver uma proteção eficaz de amianto é que alguém poderá escapar, o grupo que refugiou-se numa gruta com a tal proteção de amianto num mosteiro perto de Salzburgo, mas estas mensagens foram espalhadas clandestinamente por precaução por um elemento da organização com uma tinta que só aparece 24 horas depois de ser aplicada, para o caso desta operação resulta na total extinção dos elementos do movimento. A fase seguinte da operação seriam a exterminação dos indivíduos que não pertencessem ao grupo dos 10000 caucasianos puros que serão os novos colonos da terra, assim com
O quase fim do mundo brilha em seu estilo narrativo. Ao acompanhar um pequeno grupo de sobreviventes ao quase fim do mundo, o Pepetela intercala entre diversas vozes narrativas entre os capítulos e até mesmo numa mesma frase de forma que o leitor precisa sempre estar atento à quem está narrando e como as relações entre as personagens se desenvolvem em diferentes pontos de vistas.
O enredo é interessante: após um clarão, quase toda vida animal na terra desaparece, exceto por poucos sobreviventes em Calpe (cidade fictícia na África). Aos poucos vemos o grupo crescer, conforme mais pessoas chegam à Calpe com suas histórias, seus passados, suas personalidades e seus desejos. Porém, apesar dos debates sociais interessantes, os capítulos começam a se tornar maçantes quando muito se conversa e pouco acontece, deixando o mistério de o que aconteceu com o mundo de lado para focar em sexo e pares de casais heteronormativos se formando (ah, além do relacionamento inapropriado entre um cara de 35 e uma adolescente de 16). Ao final do livro meu interesse já tinha diminuido quase que completamente, todas as personagens já estavam me irritando exceto os divos afrontosos Julius e Janet e o "plot twist" não teve impacto nem em mim e pelo visto nem nas personagens, já que pouco ou nada muda na vida deles após a grande revelação.
li pra fazer vestibular então é bem provável que minha opinião seja um pouco fruto do meu descontentamento, mas sinceramente não é pra mim.
achei a história muito boa e interessante, o plot twist do final bem feito e as críticas, não só a colonialismo, mas também a demais comportamentos e questões sociológicas, foram muito bem colocadas no livro e bem fundamentadas.
na questão técnica não tenho o que falar do livro, porém acho na questão de me conectar com os personagens e aproveitar a leitura realmente não houve compatibilidade.
espero que pelo menos sirva para eu fazer uma boa prova.
Mais um livro em que a imaginação, criatividade e mesmo a qualidade da escrita são sacrificados no altar do facciosismo, com os maus todos brancos, se possível sul-africanos, Austríacos e com chamadas à porta de Brandeburgo (se não me engano). Só faltava que um dos personagens se chamasse He Teller ou uma infantilidade do género. Um amigo deu-me uma coleção com todos os livros do Pepetela. Tinha lido um ldeles, Yaka, de que não gostei particularmente mas ainda fiquei com curiosidade. Depois de ler este, entreguei toda a coleção à primeira pessoa que aceitou ficar com eles.
Tinha este livro há vários anos na prateleira, finalmente peguei nele, sem remorsos. De fácil leitura e história interessante, surpreendeu-me o tema e achei muito bem conseguido, não estava à espera da narrativa que encontrei. A minha expetativa era de que este livro seria um aborrecimento, mas não foi... Apesar do "evento" do "quase fim do mundo" ser um pouco inverosímil, considero o enredo muito bem estruturado, as personagens bem descritas através da narração dos seus pensamentos e perspetivas, sem grandes fantasias ficcionais.
Geralmente não sou uma grande fã de distopias, mas essa me cativou bastante desde a construção do texto até a história narrada. Achei a troca de narradores genial no contexto do livro, o uso do discurso indireto livre funcionou perfeitamente para trazer essa aproximação do leitor com a narrativa. Outro aspecto que me encantou no romance foi a discussão moral retratada, até que ponto as regras sociais estabelecidas anteriormente servem diante da ruína da sociedade? O contraste de personalidades dos personagens é realmente muito divertido e o mini plot twist do final é excelente.
Eu quando quero escrever uma critica social foda sobre neocolonialismo mas não sei desenvolver uma história decente e minha misoginia internalizada não é tão internalizada assim. Profundamente desconfortável, jamais confiaria em quem descreve assim o corpo de uma menina de dezesseis anos. O livro passa paragrafos e mais paragrafos se repetindo, poderia ir 1/4 do número de páginas só nisso. Nunca tive nada contra cenas de sexo, tenho contra essas especificamente, porque são mal escritas. Tem aspectos interessantes, mas toda a historia é jogada pra você num manuscrito expositivo pra caralho e pouco convincente aos 45 do segundo tempo. Uma ótima ideia, não posso dizer o mesmo do livro.
Un conjunto de personajes diambulando en un rincón de África Central fueron los únicos sobrevivientes a la "cosa". Nadie sabe porque la vida sobre la faz de la tierra ha quedado al borde de la extinción. A partir de este argumento Pepetela hace viajar la imaginación, relatando situaciones curiosas y divertidas que viven los personajes. El desenlace del libro es un poco forzado y el final para mí deja inconclusa la historia.
Uma história interessante, começando logo desde início com o mistério sobre o sucedido. Senti, no entanto que a narração foi de certa forma lenta após a chegada das principais personagens. Retomando o ritmo na Europa, mas que após o descobrimento do sucedido, voltamos a uma certa modestidade, não terminando o conto no ponto mais alto.
PS: opiniões de um recente leitor, apenas querendo documentar a experiência da leitura.
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“Tudo indica que uma pequena parte da vida escapou em África porque, como sempre, ela foi desprezada, pouco digna de ser levada a sério e pouparam aí nas armas, quando podiam ter atirado mais uma em cima. Será a razão real. Mas… não será também porque em África começou a humanidade? Tinha de ser também aí que ela devia recomeçar.”
smooth adventure, engaging and fun. really makes you go "how would I behave in this scenario?" in a lot of moments and reflect about the meaning and the goals behind communities. some very interesting and well-built characters. the story gets a bit derailed when building up to the ending.
Maravilhoso e desconcertante quase fim do mundo, devorado de fio a pavio num curto espaço de tempo numa espreguiçadeira algures no verão. Um bom romance em português. Encontrado numa prateleira por acaso, adorei conhecer um autor que já estava na lista de descobertas a ganhar pó há algum tempo.
Abandonei em 50%. Parece que eu estou lendo há um século e a história não anda. Esperava bem mais, mesmo pq gostei muito do outro livro do autor que eu li (Mayombe).
Infelizmente este livro foi uma grande desilusão. Começou com um enquadramento bastante entusiasmante, mas a narrativa repetiu-se sem avanços e novidades. Várias das personagens não demonstram densidade e um total desapego das vidas anteriores. São fornecidos vários detalhes promissores, como a chuva, sem consequência... Acabando numa justificação do sucedido totalmente insatisfatória.
Salvam-se algumas passagens sobre a natureza humana que foram interessantes.
ps: os ecossistemas como os conhecemos não iriam resistir sem animais.
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O ponto de partida promete mais do que se obtém ao longo do livro. Nem todos os personagens têm o mesmo grau de construção, dando a sensação de estar somente lá para criar volume. Algumas partes são a meu ver supérfluas e não muito unitárias com o resto da estrutura. Dá a ideia de ser um rascunho para um guião de cinema ou série televisiva. Gostei da técnica de narrativa onde o narrador vai saltitando entre os personagens. Quanto ao final, não desvendo aqui, mas acho excessivamente moralista. Mas admito que seja o meu ângulo de visão europeu continental tenha alguma dificuldade em encaixar o ponto de vista do autor. Resumindo, está bem para uma leitura descontraída de férias, mas longe da originalidade e criatividade do "Jaime Bunda" com que Pepetela me cativou há uns anos.