Black-label est un long poème, divisé en trois parties, mais dont le propos (ainsi d'ailleurs que le refrain) est le même du commencement jusqu'à la fin. Le thème en est des plus simples : l'âme nègre, l'âme d'Afrique s'y exprime en plaintes, en chansons, en rêveries, en révoltes. Black-label pourrait se placer dans la lignée des complaintes de Prévert. Mais il s'agit ici d'un Prévert africain, nourri d'une culture et exprimant une sensibilité tout à fait différentes de celles de l'auteur de Paroles. Refrains, simplicité de l'expression, vers courts, Damas se situe à l'opposé d'un Aimé Césaire. Mais sa poésie, toute «humaine», touche infiniment. Elle fait entendre un chant émouvant et personnel.
Esta coletânea reúne poemas que expressam com força e ironia a revolta de Damas contra o colonialismo, o racismo e a alienação cultural impostas pelos sistemas europeus às populações negras e mestiças das colônias. O título Black-Label faz referência a uma marca de uísque escocês, funcionando como metáfora da assimilação forçada e da tentativa de compensar, por meio de símbolos importados, o sentimento de inferioridade cultural promovido pela colonização.
Nos poemas, Damas utiliza uma linguagem direta, ritmada e muitas vezes sarcástica, explorando temas como a rejeição à cultura africana pelos próprios colonizados, a perda da identidade, a violência simbólica do racismo, e a hipocrisia das elites ocidentalizadas. Ao mesmo tempo, manifesta uma profunda dor existencial e um grito de afirmação da dignidade negra.
A coletânea é dividida em poemas curtos e intensos, caracterizados por repetições, elipses, uso de frases incisivas e uma musicalidade que remete tanto aos cantos africanos quanto ao jazz, ao blues e ao ritmo da oralidade popular.
Black-Label: poèmes representa, assim, um testemunho poético fundamental no contexto das lutas anticoloniais do século XX, além de ser uma obra-chave para compreender a trajetória literária de Damas e a evolução do conceito de Negritude.