Ao analisarmos os contos de Tempo de Solidão, vamos encontrar um Manuel da Fonseca totalmente urbano, perdido no progresso rápido da tecnologia, inserido no dia a dia da cidade e nas latitudes suburbanas ao redor dos grandes centros. Devemos analisar com a visão da mudança dos tempos, pois o conto Tempo de Solidão foi editado pela primeira vez em 1969. Nele vamos encontrar a solidão de um casal, separado pelo dia a dia, pelo trabalho na cidade. Os despojos do dia, os acessórios do cotidiano, a casa no subúrbio, a creche do filho, o telefone, a secretária, os escritórios; enfim, um mundo de transição entre o fim do regime salazarista e das mudanças contidas pré-1974.
MANUEL DA FONSECA nasceu em Santiago do Cacém, a 15 de Outubro de 1911. Tendo feito estudos secundários em Lisboa, deixou colaboração dispersa em revistas literárias (designadamente na Atlântico) e fez parte do grupo do "Novo Cancioneiro", com a publicação de Planície (1941). Poeta e ficcionista, estreou-se com o volume de poemas Rosa dos Ventos (1940), e os livros de contos Aldeia Nova (1942) e O Fogo e as Cinzas (1942). Entre os seus romances avultam Cerromaior (1943) e Seara do Vento (1958). Integrado de início na corrente neo-realista, enveredou depois por um regionalismo expresso simbolicamente através da vegetação castigada e das pessoas sem fortuna nem esperança. Foi condecorado pela Presidência da República com a Comenda da Ordem de Sant’Iago da Espada, em 1983. Faleceu em Lisboa, a 11 de Março de 1993.
This work is well-known of the Portuguese author Manuel da Fonseca, which is formed by a set of short stories. In this, it based on two parts which complement one another: a world of transition between the end of the Salazar regime and changes contained in pre-1974.