Hermano ama realmente Amália? Ou a nova mulher o atrai somente à medida que evoca a lembrança de Julieta, morta alguns anos antes? E quanto a Amália, até que ponto ela está disposta a encarnar o papel da antiga esposa de Hermano? Em Encarnação, José de Alencar conta uma história de amor, em que o mistério e o sobrenatural envolvem o leitor do começo ao fim.
Encarnação representa o aspecto sombrio do Romantismo nos romances urbanos de José de Alencar (1829-1877). Principal escritor romântico de ficção do Brasil, Alencar tinha como projeto literário registrar os diversos aspectos de nossa realidade: o litoral e o sertão, o norte e o sul, a cidade e o campo, o presente e o passado, o branco e o índio. Além de escritor, foi advogado, jornalista, deputado em várias legislaturas e ministro da Justiça.
José Martiniano de Alencar was a Brazilian lawyer, politician, orator, novelist and dramatist. He is one of the most famous writers of the first generation of Brazilian Romanticism, writing historical, regionalist and Indianist romances — being the most famous The Guarani. He wrote some works under pen name Erasmo. He is patron of the 23rd chair of the Brazilian Academy of Letters.
José de Alencar was born in what is today the bairro of Messejana on May 1, 1829, to priest (and later senator) José Martiniano Pereira de Alencar and his cousin Ana Josefina de Alencar. Moving to São Paulo in 1844, he graduated in Law at the Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo in 1850 and starts to follow his lawyer career at Rio de Janeiro. Invited by his friend Francisco Otaviano, he becomes a collaborator for journal Correio Mercantil. He also wrote for the Diário do Rio de Janeiro and the Jornal do Commercio.
The house of José de Alencar, in Messejana It was in the Diário do Rio de Janeiro, during the year of 1856, that Alencar gained notoriety, writing the Cartas sobre A Confederação dos Tamoios, under the pseudonym Ig. In those, he criticized the homonymous poem by Gonçalves de Magalhães. Also in 1856, he wrote and published under feuilleton form his first romance: Cinco Minutos. He was a personal friend of Joaquim Maria Machado de Assis. Coincidentally, Alencar is the patron of the chair Assis occupied. He died in Rio de Janeiro in 1877, a victim of tuberculosis.
Incarnation tells the story of Hermano and Julieta, a high society couple who have a very happy life, until Julieta dies. Hermano is desolate and does everything he can to overcome it, but without success He decides to surrender to his morbid obsession and places statues and objects of Julieta to keep the memory of the deceased alive, until Amália appears...
From now on, this story converges with others and causes an important discussion: What is the limit between imitation and inspiration in literature? It's a good thing that this book is from 1893 and Alencar was out of the loop, but that's why I decided to reread this book, because on my first reading I didn't know about this discussion. "Rebecca" by Daphne Du Maurier (1938) was one of the best books I read in 2021, but unfortunately the brilliance (?) of the book was overshadowed by the indisputable similarity to "The Successor" by Carolina Nabuco (1934).
"Incarnation" by Alencar, after the facts previously reported, will enter the theme "the second woman" that is not new in literature. In this theme, the deceased appears as a strong memory, almost a physical presence that markedly bothers the second wife. And there are several other examples of books that also embrace this theme: The second wife, The lady with the rubies, The Owl's Nest, by Eugenie Marlitt, Slave or queen, by M. Delly, Jane Eyre, by Charlotte Brontë, Mrs De Winter, by Susan Hill, The other Rebecca, by Maureen Freely, The intruder, by Júlia Lopes de Almeida, My destiny is to sin , by Nelson Rodrigues, and so many others that don't fit in one post.
Do the three stories have similarities? Yes. Are they identical? No. Was it plagiarism? No. That's my verdict, but you'd better draw your own conclusions if the subject interests you. It is a fact that among these stories there are very strong intertextual relationships, much more striking between A Successor and Rebecca. There are similarities in the construction of the characters, in the environment and in some actions. The presence of the Gothic element is undeniable, in addition to fire being almost a character in the three books.
Assim como todas as obras de Alencar possui uma linguagem riquíssima e descrições de tirar o fôlego, mas este acaba se diferenciando de suas outras obras clássicas pelo ar misterioso que tem. Uma excelente obra romântica com um final inesperado e situações pertubadoras que me surpreenderam.
Bem, vou confessar que só li esse livro porque queria entender toda a história entre ele, A Sucessora e Rebecca e...
Ele é o meu preferido dos 3.
Não tem como: José de Alencar sempre me pega com suas histórias. Eu amei a relação entre o casal e como tudo se desenvolveu. O FINAL SIMPLESMENTE!!!!!!!
Inclusive, esse livro é muito mais parecido com Rebecca do que esses dois são com "A Sucessora", até o final é o mesmo.
Minha conclusão é: Se rolou efetivamente plágio ou não, acho que nunca saberemos. Mas se aconteceu, ele com deve ter começado com Carolina copiando Alencar porque é muito mais plausível que ela tenha tido acesso a essa obra do que Daphne, convenhamos.
É um dos romances do escritor brasileiro José de Alencar. Escrito em 1877, só foi publicado em livro postumamente. É o ultimo romance do autor, que foi escrito aos 47 anos de idade, meses antes do falecimento do mesmo. A história relata sobre Hermano, que muito bem situado socialmente, casa-se com Julieta, de projeção social menor, filha atraente de um coronel aposentado. Ambos vão viver na chácara de São Clemente uma vida plena de felicidade e que só terminará com a morte da esposa durante um aborto. Abreu, o criado e pai de criação de Julieta, sempre muito bem vestido com trajes escuros, atende bem as poucas visitas que lá comparecem para tratar de negócios e, após a morte de Julieta, ele torna-se homem de confiança e ajuda o patrão a manter viva a memória da esposa. O Dr. Henrique Teixeira, recém-chegado da Europa e amigo de infância de Hermano, leva-o para Paris, tentando ajudá-lo, mas sem sucesso. Ele retorna para sua chácara. Cumprindo algum pacto de amor eterno, Hermano encomenda estátuas da esposa, que chegam em sua casa embalada em grandes caixas fechadas que motivam muitos mexericos na região. Amália, desde os nove anos bisbilhotando a vida do casal, agora com 18 anos vê chegarem aquelas caixas e depois vê silhuetas de mulher na casa. Supõe uma traição de Hermano à memória da esposa e se decepciona. O Sr. Veiga busca uma aproximação com o jovem médico para saber mais da vida do vizinho, um bom partido, e do seu equilíbrio emocional. Amália aproveita, também, para saber mais do vizinho e o pai supõe um namoro da filha com o médico. O tempo passa, Amália começa a sentir atração por Hermano e procura chamar sua atenção usando todos os seus dotes e, principalmente, a sua bela voz que era, também, um dom de Julieta muito admirado pelo marido. Hermano se aproxima de Amália através do Dr. Teixeira. Os dois se conhecem (até então se conheciam apenas de vista) em uma festa e se entendem. A casa de Hermano é reformada e decorada para receber a noiva. Os aposentos da ex-esposa, porém, são conservados intactos e sempre fechados, por determinação de Hermano. O casamento acontece e é marcado pelos mal-entendidos e dúvidas levantadas, há tempos, por Amália, o que impede a consumação sexual do casamento, algo que só acontecerá quando Amália, desobedecendo ordem de Hermano, pega a chave dos aposentos de Julieta e, então, descobrindo a estátua, esclarece tudo. A história termina com o nascimento de uma menina muito bonita e que completa a felicidade do casal. A menina apresenta traços de Amália e, também, traços da ex-esposa, Julieta, que não seriam geneticamente explicáveis. Talvez, um lado místico do autor sugerindo alguma manifestação do sobrenatural contido no espiritualismo. O desfecho do livro com a encarnação de uma filha (e por que não uma reencarnação de Julieta?) é o melhor da leitura.
Amália é adorável. A história de Hermano e Julieta é encantadora. O desenvolvimento da personagem de Amália à medida em que progressivamente compreende o amor de Hermano por Julieta é notável e foi a melhor parte da história pra mim. Percorrer os gracejos da menina alegre e superficial dando lugar à mulher melancólica, pensativa e apaixonada, principalmente as cenas em que espiava pelas janelas, como em Janela Indiscreta (e faz todo o sentido mencionar um filme do Hitchcock, já que cheguei até este livro por intermédio de Rebecca, também dirigido por ele, baseado num livro que foi acusado de plágio pela autora brasileira de "A Sucessora", que certamente foi influenciada por esta obra alencarina, que aparentemente foi o início de todo esse engodo). Depois do casamento as coisas perdem o brilho e a lógica. O final é mórbido, confuso e meio decepcionante.
Hermano loved his wife Julieta, but sadly death took her too soon. Five years in mourning, Amália might shake him up from his state of mind. Perhaps she can take his mind off the past.
But Hermano’s love runs very deep. Creepy deep. Will his obsession end his new life with Amália? Will it ruin Amália too? Please stay away from Julieta’s old room, my dear! Ah, temptation is the ruin of all of us, isn’t it?
Not bad for a story by the Brazilian writer José de Alencar, published posthumously in 1893.
Um dos melhores livros que já li do Alencar, é bem psicológico e profundo. Tem uma linha tênue entre as doenças mentais e os desejos individuais, como sempre o destaque vai para as protagonistas femininas, amei Julieta e Amalia, adoraria conhecer um pouco mais de Julieta e saber como ela realmente era, sem ser só pela percepção de Hermano.
Há uma idealização heróica com um contraste entre passado (Julieta) e presente (Amália). Há morbidez na fixação de Hermano com a antiga esposa. O romance é muito bom.