Numa trama de cenário sombrio, um casal separado que volta a se reunir dos dois lados do caixão de seu filho morto, revendo cada um a sua vida e o que os conduziu àquela trágica situação. Neste livro, Lya Luft aborda novamente o tema central de sua literatura: as relações humanas, sobretudo familiares, e mais especificamente um dos temas mais questionados pelo homem: a morte. Aqui ela se torna personagem central: sinistra e sedutora, tema do qual não se pode fugir, porém todos procuram negar, é tratada em "O Quarto Fechado" de maneira densa, poética, misteriosa. Loucura, segredos, culpa, desencontros, amores frustrados, fatalidade, omissão, ternura e delicadeza sucumbindo a forças negativas fazem com que o leitor aqui e ali se sinta retratado, tocado, compreendido.
Lya Luft was a Brazilian writer, a novelist, a poet, a prolific translator (working mostly in the English-Portuguese and the German-Portuguese language combinations) of German descent. She was also a college professor of linguistics and literature.
“No fundo, sabia: não se inventam ternuras. Precisava desesperadamente amar, e não sabia como.”
A história é uma desgraceira, bem do jeito que eu gosto. Mas, não me impactou, foram poucos os momentos sem respiração. É triste, inquestionável. A mim trouxe um profundo lamento por tanto desconforto por se estar no mundo. São muitos temas que estão nas camadas mais profundas, além hipoderme, hipocampo, alma. Porém, a narrativa ameniza o estrago.
A poetic book about the mysterious nature of death and troubled family relationships. I am left feeling cold and disturbed by the end. I also found certain passages a bit amusing which was definitely not the author’s intention. There is a lot that goes on in this family including incest, murder, and mania. All of this is speculative. It was a lot so please excuse me for laughing.
I did appreciate the connection between the character Ella and death.
It is such a short book so I am re-reading right after finishing. I would like to take it slower this time and see what I can latch onto.
“Olhando Renata, pensava: Estamos envelhecendo. O que foi a nossa vida? Pelos cantos da sala, a noite inteira, o amor, as promessas, as esperanças, os sonhos, as intimidades, rolavam para lá e para cá, conjurando emoções que preferia negar. Era a Morte que remexia tudo, sorridente, levantava as cinzas, o dedo descarnado intrometendo-se, aqui e ali brotava fogo, sangue, vermelho-vivo. A Morte não pedia licença.”
This is a poetic look at a family just after the death of the twin son. I recommend reading the note from the translator in the beginning to understand who each character is while reading their thoughts and emotions at the time. Each member has their own baggage they bring to this grief, telling their own story.
Eu li O Quarto Fechado de Lya Luft e fiquei muito muito impactada com a leitura. Eu gosto muito do tema da maternidade não-romantizada na literatura e esse livro é um exemplo muito interessante desse tema, já que o livro foi publicado nos anos 80 no Brasil.
Lya Luft escreveu vários livros com personagens mulheres muito complexas e com temas muito sensíveis para a época em que foram publicados, e acho que é um exercício muito interessante ler os livros dela em 2025 e traçar esse paralelo pensando que o mundo (e o Brasil) era muito diferente quando os livros foram escritos.
Em O Quarto Fechado acompanhamos as 24 horas de um velório da perspectiva dos familiares da pessoa que morreu, o livro tem um fluidez na voz que narra, ouvimos os pensamentos da mãe, do pai, da avó, da tia e da irmã, e essa fluidez me agradou muito na leitura, é como se eu estivesse lá na sala com eles participando do evento e ouvindo os pensamentos deles com algum tipo de telepatia, foi uma imersão na história de uma forma muito profunda.
O que mais me chamou atenção na história foi a personagem Renata. Uma mulher que tinha uma carreira de sucesso como pianista mas “jogou tudo pro alto” quando se casou e teve filhos. O conflito que ela descreve ao se ver sem sua personalidade artística após a maternidade é muito interessante. Ela reflete sobre suas escolhas, sobre o rumo que sua vida tomou e se questiona se tomou as decisões certas na sua jornada. Eu senti a dor da personagem em diversos momentos.
Lya Luft dizia nos anos 80 que escrevia para mulheres e se orgulhava em dizer que até as empregadas domésticas se identificariam com suas histórias, olhando para essa fala no contexto em que foi dita eu interpreto que Lya queria demonstrar a simplicidade da sua escrita mas, ao mesmo tempo, a complexidade da leitura e a possibilidade de identificação com leitoras mulheres. O que eu penso é que qualquer mulher vai se conectar com as histórias da Lya, é como ler o diário de uma amiga, ouvir uma tia contando uma história, estar em uma sala com outras mulheres ouvindo seus testemunhos.
É uma leitura que recomendo muito, faz pensar e refletir.
Lya Luft nos apresentou à Morte, Aquela que não tem limites, não tem medo, é poética, porém fria. O quarto fechado é uma poesia em forma de romance trágico. Traz temas como a morte, o luto, a maternidade, a doença, a dor. Simplesmente fantástico e doloroso.
Esse romance tem uma narrativa poética, misteriosa e envolvente. Apesar dos temas tratados, eu não imaginava o rumo que a história tomaria... o final é macabro demais para o meu gosto.
"Publicado originalmente em 1984, Lya constrói uma trama de cenário sombrio. Um casal separado volta a se reunir dos dois lados do caixão de seu filho morto, revendo cada um a sua vida e o que os conduziu àquela trágica situação. Loucura, segredos, culpa, desencontros, amores frustrados, omissão e ternura sucumbem a forças negativas e fazem com que o leitor se coloque na história sentindo-se retratado, tocado, compreendido. A escritora retoma temas centrais da sua literatura: as relações humanas e a morte."