"Acabava de passar uma daquelas trovoadas espantosas que, nos países tropicais, repentinamente se formam, estalam, e de repente se dissipam também, deixando o ar mais puro, o céu mais azul, e toda a Natureza respirando uma frescura, um viço, uma lasciva animação de todo o ser, que não parece senão que ali foi agora a criação e começa a vida pela primeira vez.Era a algumas léguas da Baía, não longe do semicírculo do Recôncavo, mas sertão dentro e nas estremas do país cultivado. Já raros os canaviais de açúcar, longe os engenhos, perto a solidão imensa do deserto, e a impenetrável espessura dos matos virgens, que não desflorara ainda o machado do colono e que projetavam suas sombras altas e negras sobre as terras adjacentes."
João Baptista da Silva Leitão de Almeida Garrett e mais tarde 1.º Visconde de Almeida Garrett, (Porto, 4 de fevereiro de 1799 — Lisboa, 9 de dezembro de 1854) foi um escritor e dramaturgo romântico, orador, par do reino, ministro e secretário de estado honorário português.
Grande impulsionador do teatro em Portugal, uma das maiores figuras do romantismo português, foi ele quem propôs a edificação do Teatro Nacional de D. Maria II e a criação do Conservatório de Arte Dramática.
É um fragmento dum romance, está incompleto. Alguns dos personagens são: o General de Bréssac, o mordomo negro Cassiano, o Visconde, a filha Isabel, a Vicondessa Maria Teresa e o padre índio Frei João. Helena não é uma personagem, apenas é mencionada como filha adotiva do general.
A história se passa no Brasil quando o general visita o visconde que conheceu através de um amigo em comum. Durante esta visita, a viscondessa está prestes a morrer, e este é o único tema que ocupa as 50 páginas do romance. No final, a mulher morre e o visconde e sua filha decidem acompanhar o general em seu retorno à Europa.
"A morte não assusta, não entristece senão ao homem, porque só ele compreende a mágoa sem fim e a dor sem remédio", cap. XX