A Velhice do Padre Eterno é uma coleção de sátiras contra os dogmas e os ritos do catolicismo, [...] dedicada à memória de Guilherme de Azevedo e a Eça de Queirós, publicada em 1885. Na composição inicial, «Aos Simples», [Guerra Junqueiro] esclarece que apenas pretende atacar os dogmas e o clero, e não os que têm fé, e proclama a sua própria «crença robusta»: «Mas também acredito, embora isso vos pese, / E me julgueis talvez o maior dos ateus, / Que no universo inteiro há uma só diocese / E uma só catedral com um só bispo - Deus.» Ao longo do livro, o autor censura violentamente a deturpação do ideal cristão primitivo (veja-se «A vinha do Senhor»), o fanatismo religioso, o ritualismo oco, o jesuitismo, as superstições obscurantistas e o Vaticano (a que chama «bordel da Igreja»). Pela sua violência, inusitada nos [...] meios literários [de Portugal], a obra foi e vem sendo ainda censurada pelos sectores cristãos. No entanto, juntamente com A Morte de D. João, ela destinava-se a ser inscrita num tríptico, projetado pelo autor, e que este não viria a concluir, em que, depois de demolidos D. João e o Padre Eterno, se deveria glorificar Prometeu e Jesus Cristo.
A Velhice do Padre Eterno. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2012. [Consult. 2012-04-11]. Disponível na www:
Em seguida à Morte de D. João, comecei a escrever um novo poema - A Morte do Padre Eterno (A Morte de Jeová era o título primitivo.), cujo plano completo, até aos mínimos detalhes, estava de há muito elaborado no meu espírito.
Mas, em tôrno dessa ideia principal, germinou um grande número de ideias acessórias, donde nasceu um livro novo. A Velhice do Padre Eterno, colecção de 50 poesias, que são 50 balas, que partindo de diversos pontos, vão todas bater no mesmo alvo.
Guerra Junqueiro - A Velhice do Padre Eterno. Julho de 1885
Neste livro [Guerra Junqueiro] dispara balas contra a Igreja, mas não contra Deus. O anticlericalismo de [Junqueiro] manifesta-se forte aqui, com críticas ferozes aos curas e aos papas, sua gula, avareza, ganância e todos os defeitos possíveis. Mas aparece também o sentimento de religiosidade, já que o autor não nega a existência de Deus, apenas a validade e moralidade da Igreja Católica. Este livro foi ilustrado por Leal da Câmara, que reflete em suas aguarelas os sentimentos e impressões de [Guerra Junqueiro], com padres bonachões e imagens como Jesus conversando com Voltaire e Deus escarrando. [Sob o] aspecto técnico, [Junqueiro] usa rimas em todos os versos, apesar de não se perder exageradamente a metrificação.
Ana Maria Guerra bore Abílio Manuel Guerra Junqueiro to José António Junqueiro Júnior, a supply trader and farmer. Ana died when Abilio was only three years old.
He made secondary studies in Bragança and at sixteen, he enrolled at the University of Coimbra, to study theology. Two years later, he left to study law, that he concluded in 1873. Then he became secretary of the governor of Angra do Heroísmo, Azores, and later of Viana do Castelo. In 1878, he was elected to the House of Representatives.
In 1885, he at Porto published A velhice do Padre Eterno, which generated strong criticism from Portuguese Catholic Church. After the British Ultimatum and the political crisis associated, he was involved in the political debate in 1891, writing some best-sellers that had huge impact in public opinion, contributing to the discredit of the Portuguese monarchy and the success of the republican Party in the 1910 Portuguese Revolution. He translated into Portuguese short stories by Hans Christian Andersen.
He married Filomena Augusta da Silva Neves on February 10, 1880, the couple had two children; Maria Isabel Guerra Junqueiro on November 11, 1880, second wife without issue of Luís Augusto de Sales Pinto da Mesquita de Carvalho (1868-1931) and Júlia Guerra Junqueiro in 1881, unmarried and without issue. He died in Lisbon at the age of 73.
In 1940 Junqueiro's daughter donated his estate in Porto that became the Guerra Junqueiro's Museum.
Despite Guerra Junqueiro's anti-clericalism streak, I found this work very simple to analyze. In the book "A Velhice do Padre Eterno", we find the most beautiful poems, such as: "Aos Simples", "A Caridade e a Justiça", "O Melro" and other beauties. It said that because of this book and another book, "Funerais da Santa Sé", the Pope of the time excommunicated him before his death; it also said that annulled this sentence due to a possible regret of the poet.
Guerra Junqueiro traz em sua obra mais reconhecida, através de seus versos, uma mordaz crítica ao Cristianismo. Em sua poesia satírica encontramos ainda algumas referências ao mundo literário, como por exemplo, a obras de Homero, Racine ou Moliére.
Esta obra, que suscitou grande polémica no momento da sua publicação em 1885, é apontada como monumento da crítica anticlerical e como denúncia do farisaísmo. Uma leitura atenta revela a qualidade da combatividade e facilidade de caricaturar de Junqueiro, um estilo que lhe valeu a admiração dos seus contemporâneos. A Velhice do Padre Eterno é inquestionavelmente um clássico da literatura portuguesa de uma das figuras incontornáveis da nossa literatura. Esta é uma edição com as ilustrações de Leal da Câmara.
Não sendo grande fã de poesia devo dizer que, no geral, não desgostei deste livro, em especial pelo tom sarcástico. Provavelmente até lhe teria dado mais estrelas se tivesse outros conteúdos como o mesmo timbre do prefácio, do poema “O Génesis” ou da primeira parte do “A Vala Comum”