Em 1945, Orlando Ribeiro escreveu o livro que é considerado pelo sociólogo António Barreto “uma verdadeira pérola da cultura portuguesa”. No documentário produzido para celebrar o seu centenário, da autoria de Manuel Gomes e António Saraiva - «Orlando Ribeiro, Itinerâncias de um Geógrafo» - o sociólogo diz que Portugal, o Mediterrâneo e o Atlântico é “um dos melhores livros de todo o século XX e um dos grandes livros da literatura portuguesa, científica ou não. Maravilhosamente bem escrito”, tem “precisão, rigor e modéstia académica e universitária”. Para o sociólogo, esta obra devia ser sempre lida nas escolas.
O livro, “o primeiro ensaio de síntese na destrinça de influências e relações que se entrelaçam na terra de Portugal”, como o próprio autor o definiu, fala de um Portugal diversificado, descrevendo-se a sua geografia e relacionando-a com as pessoas que a habitam. O seu talento literário pode distinguir-se em passagens como esta, sobre a Beira “O contraste é impressionante entre as serrarias que, pelo norte, barram o horizonte próximo e o planalto a que se não vê o sobre ele, as manchas de verdura vão se tornando cada vez mais desbotadas, indecisas e distantes. Na verdade, é o Alentejo que se anuncia”.
Formou-se em História e Geografia em 1932, e doutorou-se em Geografia, em 1936, na Universidade de Lisboa. Foi Leitor de português na Sorbonne (Paris), de 1937 a 1940, Professora na Universidade de Coimbra, de 1941 a 1943, e na Universidade de Lisboa, de 1943 a 1981. Criou, em 1943, o Centro de Estudos Geográficos de Lisboa, que dirigiu até 1974. A partir de 1947 foi, por várias vezes, responsável de Missões de Geografia Física e Humana, organizadas pela Junta de Investigações do Ultramar (Guiné, Cabo Verde, Goa, Angola e Moçambique). Em 1949, organizou em Lisboa o XVI Congresso Internacional de Geografia, tornando-se, a seguir, Vice-Presidente da União Geográfica Internacional. Em 1959, foi durante alguns meses Director da Faculdade de Letras de Lisboa. A partir de 1961, fez parte dos Conselhos Consultivos de Ciência e de Educação, da Fundação Calouste Gulbenkian. Em 1996, fundou, com Ilídio do Amaral e Suzanne Daveau, a Finisterra, Revista Portuguesa de Geografia, que continua a publicar-se regularmente. De 1970 a 1974, tomou parte activa na Comissão, instituída pelo ministro Veiga Simão, para preparar a Reforma das Faculdades de Letras. Em 1976, foi eleito membro da Academia das Ciências de Lisboa (secção de Ciências) e da Academia Nazionale dei Lincei (Roma). É Doutor Honoris Causa das Universidades do Rio de Janeiro, Bordéus, Coimbra, Madrid (Complutense) e Paris (Sorbonne). É Grande Oficial da Ordem de Santiago da Espada. É Chevalier de la Légion d'Honneur.
Calcorrear o país, conhecê-lo como as palmas das mãos, saber o sabor da terra e perceber que somos como somos porque nos conhece desde a Pré-História, de antes dos lusitanos, das estradas que percorremos na Antiguidade: o Norte atlântico e celta do megalitismo; o Sul mediterrânico e levantino do comércio com fenícios e gregos. Portugal, o Mediterrâneo e o Atlântico, de Orlando Ribeiro -- o maior geógrafo português do século XX --, para além da caracterização das três grandes áreas em que ele dividiu o país, Noroeste atlântico, Norte interior e Sul, com a caracterização dos solos, dos climas, das culturas, das habitações -- e por muito que os anos por ele tenham passado (1.ª edição, 1945), apesar das várias reedições --, para além, dizia, da enorme importância de que se reveste, está admiravelmente escrito, o que faz do livro não apenas uma obra científica, como literária e, portanto, um marco cultural português, cuja leitura continua a ser altamente recomendável.
Eu não sou de humanidades, há anos que não lia nada relacionado com geografia, ainda assim achei este livro muito interessante. Apesar de não ter um vocabulário nada técnico e, portanto, perceptível, havia o uso de algum vocabulário mais datado ou talvez até "tradicional" que pode ter caído em desuso neste século. Um livro escrito nos anos 40 do século XX que foi sucessivamente atualizado até à sua versão final nos anos 80 dá-nos uma visão de um Portugal simultaneamente desconhecido e familiar. Há coisas que parecem nunca mudar e há outras que nunca param de mudar. 3,5 ⭐
É uma leitura fundamental para se perceberem as razões geográficas e históricas que levaram a que modos de vida tão diferentes existam num Portugal continental tão pequeno. Só pelos mapas finais já vale a pena. Arrisco dizer que mal sabia o Orlando Ribeiro que, aliada a estas diferenças culturais (nomeadamente no contraste norte-sul), existia igualmente um contraste político e ideológico (direita a norte e esquerda a sul) que só seria claro nas primeiras eleições livres de 1975.
It's a dry description of the country, with the main merit of capturing aspects of rural life that have now disappeared. But it aged, it didn't describe important aspects of a country, like the cities and the productive industries and services. It's as if the only thing to describe is the agricultural world. That served well as the basis to understand the past, but it was not enough to predict the future. However it's also fair to say that the main thesis, that the country is a mix of Atlantic and Mediterranean influences, is reasonable, and just as obvious as it would be for Spain or France. Useful to understand the ideas of a century ago, when the world was still closed, international mix was very limited, and rurality defined societies.
“Portugal, O Mediterrâneo e o Atlântico – Estudo Geográfico”, De Orlando Ribeiro
Quem pense tratar-se de um livro recomendado à comunidade estudantil, desengane-se.
Escrita aprazível, de enormíssima qualidade literária, acessível a todos, apesar do cariz científico. Pode até ser um maravilhoso convite: viagem familiar. O ponto de encontro é como portentoso “vértice geodésico”! Nasce no coração, o retrato territorial, cultural; sob olhar atento do geógrafo historiador, para lá do lugar.
Intemporal referência da nossa cultura.
Quem somos, que raízes e caminhos nos povoam, como evoluímos ao longo do tempo!? Na lenta evolução, talvez a base sustentável que tanto procuramos. Além das paisagens da alma perscrutamos a forte ligação do ser pensante com o território.
I read this for a class and will not be rating it, because I think it would be unfair to do so while my mind is so fueled with annoyance towards the making of the essay surrounding this book. It gives a proper explanation of how Portuguese people lived on the basis of agriculture before the XX century, as well as the Mediterranean and Atlantic influences the country received. But honestly I do not feel like this is a book that will make you want to keep reading it at all. Informative surrounding the topic but very repetitive at times and overall not something I will be recommending to anyone.
Uma descrição muito exaustiva e interessante da geografia física e humana de Portugal continental, com explicações baseadas no clima, orografia e também na história. É naturalmente datado porque foi escrito nos anos 40 e por isso, as estatísticas e dados demográficos são dessa altura, mas até por isso é interessante.
Livro fantástico, para quem se interessa por orografia, vegetação e clima de Portugal Continental. Incrível como envelheceu bem. Foi lançado a primeira vez, em 1945!
“Portugal, O Mediterrâneo e o Atlântico – Estudo Geográfico”, de Orlando Ribeiro
O autor descreve a trama espessa e indissolúvel das relações da geografia e da história que formaram a personalidade do país que ocupa a agreste finisterra atlântica da mais ocidental das penínsulas mediterrâneas da velha Europa.
Portugal é o país onde características do mediterrâneo se cruzam, numa transição ora suave ora agreste, em parte natural, em parte humana, com características do Atlântico, retratando o que é ser português.
Obra de referência da nossa geografia, cultura e evolução e um retrato de Portugal no século XX, e de como chegou ao momento desse retrato. Algumas observações continuam muito válidas, apesar de o autor não poder prever o efeito da industrialização, da europeização e, o efeito das autoestradas na proximidade e uniformização de alguns dos modos das gentes do país.
fundamental para se compreender a geografia humana de portugal! esta obra não envelhece... em pleno século XXI é, ainda, muito atual e essencial para se estudar geografia.