Após dez anos da publicação de seu último livro de poemas, Muitas vozes, Ferreira Gullar entrega ao público, agora, este Em alguma parte alguma, em que dá prosseguimento à reflexão poética sobre a existência. Este difere dos livros anteriores, no desenvolvimento de novos temas e, sobretudo, pelas questões que suscita na realização do poema.
É ele mesmo, o autor, quem costuma assinalar, como característica de sua produção poética o fato de que, sem que o busque deliberadamente, cada um de seus livros de poemas difere do outro, bem mais do que costuma ocorrer num mesmo autor. Faz questão de assinalar que não planeja seus livros de poemas, sendo eles, portanto, resultado da própria indagação poética e da reflexão sobre a vida e sobre seu trabalho de poeta.
Ferreira Gullar afirma que o seu poema nasce do “espanto”, quando inesperadamente depara-se com um aspecto inesperado do real e, a partir daí, vão se sucedendo os poemas, até que a motivação se esgote. Isso explica a recorrência de determinados temas, que, tempos depois, voltam a ganhar atualidade.
Nestes últimos anos, a obra de Ferreira Gullar, já consagrada pela crítica e pelos leitores, foi distinguida com prêmios de alta significação na vida cultural, como o Prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras, e, este ano, com o Prêmio Camões, a mais alta distinção que se concede a escritores de língua portuguesa. Gullar foi também indicado para o Prêmio Nobel de Literatura, em 2002 e 2004.
Ferreira Gullar is the pen name for José Ribamar Ferreira, Brazilian poet, playwright, essayist, art critic, and television writer. In 1959 he formed the "Neo-Concretes" group of poets. Living in Chile, in 1975, Ferreira Gullar wrote his best known work, "Poema Sujo". He was exiled by the Brazilian dictatorial government that lasted from 1964 to 1985. The poem states that the persecution of the exiles was growing, many were being found dead, and, thinking hypothetically of his death, he decided to write his last poem. He spent months writing this poem with more than two thousand verses, which brings forth his memories of his childhood and adolescence in São Luís, Maranhão and the anguishes of being far from his land. Ferreira Gullar read the poem at Augusto Boal's house in Buenos Aires, in a meeting organized by Vinicius de Moraes. The reading, recorded on tape, became well known among Brazilian intellectuals, who tried to guarantee Gullar's return to Brazil in 1977, where he continued writing for newspapers and publishing books. He was considered one of the most influential Brazilians of the XX century by Época magazine. Gullar keeps a weekly column at Brazilian newspaper Folha de S.Paulo, publishing it every sunday.
His longer book, with more than 100 pages. The poems were choosen with more care than the last time. I wouldn't give it, let's say, a five-star rating just because many subjects are variations of things he already talked about in past books - as far as the 70's, or even before. There are some four poems talking about the work of some artists that were his friends that were not necessary, I think. But anyway, a great book.
To conclude, I must add that Gullar deals many and many times with the same subjects - how the poem is done, the noise outside the window, his cat, how fruits get rotten, etc. You will have in his work sometimes 20 or even more poems dealing with exactly the same subject. But you can see he is always getting something different, finding something new to say about the subject, one or two phrases that shed a completely new light on the subject. I believe this could get quite tiresome after awhile -"he is AGAIN talking about the honey inside the rotten banana…", but usually he is successful.
Quando ja não for possível encontrar-me em nenhum ponto da cidade ou do planeta pensa ao veres no horizonte sobre o mar de Copacabana uma nesga azul de céu pensa que resta alguma coisa de mim por aqui Não te custará nada imaginar que estou sorrindo ainda naquela nesga azul celeste pouco antes de dessipar-me para sempre
“O que se foi se foi. Se algo ainda perdura é só a amarga marca na paisagem escura.
Se o que foi regressa, traz um erro fatal: falta-lhe simplesmente ser real.
Portanto, o que se foi, se volta, é feito morte.
Então por que me faz o coração bater tão forte?”
Eis um trecho do último livro de Ferreira Gullar, Em alguma parte alguma. Foi escrito entre o ano 2000-2010, encerrando sua carreira que começou em 1949. Ao lado de Poema sujo, este é um dos grandes livros de Ferreira. Entre o ano 2000 e 2010, Ferreira foi indicado para o prêmio Nobel de literatura e venceu o prêmio Camões, graças ao seu livro Em alguma parte alguma. Em 2014 foi eleito para a academia Brasileira de letras. Em alguma parte alguma foi ranqueado o trigésimo quarto melhor livro Brasileiro do século 21 pela Folha de São Paulo.
poesia de alto nível, com obras primas de Ferreira Gullar. Seus materiais sobre a vida, o corpo e seu olhar para como coisas pequenas têm proporções maiores do que as damos, é simplesmente deliciosa.