Os comics converteram-se em alimento de consumo de massa para os cidadãos de todo o mundo, influindo na sua cultura, sua língua e seus costumes, modelando seus gostos e suas inclinações. Por isso mesmo constituíram-se em um dos principais objetos de análise e estudo no domínio das comunicações, já tendo suscitado volumosa bibliografia internacional, à qual vem juntar-se agora a valiosa contribuição brasileira que Álvaro de Moya organizou com inteligência.
Hoje em dia possui valor quase que estritamente histórico, visto que abordava discussões ainda incipientes acerca das narrativas gráficas.
Contudo vale ressaltar o texto "Desde a pré-história até McLuhan" do Dr. José A. Gaiarsa que traz uma sagacidade e perspicácia até hoje pouco vista em textos da área.
Além disso o texto de Jô Soares "Os dilemas do Fantasma e do Capitão América" traz uma espirituosa defesa do Fantasma perantea constante mudança de paradigmas sociais e uma crítica precipitada ao Capitão América, personagem que ainda na década de publicação do texto se tornaria um grande veículo de críticas à máquina de guerra norte-americana.
Já se foi a época em que quadrinhos era considerado coisa de criança, e parte da mudança dessa mentalidade se deve ao trabalho de vários pesquisadores, entre eles os participantes dessa coleção por Álvaro de Moya.
Shazam! é uma coletânea de artigos que buscam em parte iniciar o leitor nas mais variadas análises das hqs e fornecer profundidade àqueles que já fazem parte desse mundo.
De minha parte, destaco dois textos:
Os Quadrinhos e a Comunicação de Massa por Haron Cohen e Laonte Klawa apresentam a discussão sobre como a nona arte passou a ser utilizada como veículo de propaganda e máquina ideológica.
Onomatopéias nas Histórias em Quadrinhos por Naumim Aizen traz essa fascinante discussão sobre a forma como sons são representados num veículo formado essencialmente por escrita e desenhos. Eisner brilha nesse artigo justamente por sua utilização nos quadrinhos de The Spirit.