Amostras da genialidade de Moliè O Tartufo nos apresenta Orgon, devoto religioso que se deixa impressionar pelas supostas virtudes do personagem-título; Dom Juan não se limita a explorar as fragilidades morais do seu célebre protagonista, levando o leitor a uma análise bem mais complexa do mito; em O doente imaginário, acompanhamos um hipocondríaco determinado a se livrar de males que não o acometem.
French literary figures, including Molière and Jean de la Fontaine, gathered at Auteuil, a favorite place.
People know and consider Molière, stage of Jean-Baptiste Poquelin, also an actor of the greatest masters in western literature. People best know l'Ecole des femmes (The School for Wives), l'Avare ou l'École du mensonge (The Miser), and le Malade imaginaire (The Imaginary Invalid) among dramas of Molière.
From a prosperous family, Molière studied at the Jesuit Clermont college (now lycée Louis-le-Grand) and well suited to begin a life in the theater. While 13 years as an itinerant actor helped to polish his abilities, he also began to combine the more refined elements with ccommedia dell'arte.
Through the patronage of the brother of Louis XIV and a few aristocrats, Molière procured a command performance before the king at the Louvre. Molière performed a classic of [authore:Pierre Corneille] and le Docteur amoureux (The Doctor in Love), a farce of his own; people granted him the use of Salle du Petit-Bourbon, a spacious room, appointed for theater at the Louvre. Later, people granted the use of the Palais-Royal to Molière. In both locations, he found success among the Parisians with les Précieuses ridicules (The Affected Ladies), l'École des maris</i> (<i>The School for Husbands</i>), and <i>[book:l'École des femmes (The School for Wives). This royal favor brought a pension and the title "Troupe du Roi" (the troupe of the king). Molière continued as the official author of court entertainments.
Molière received the adulation of the court and Parisians, but from moralists and the Church, his satires attracted criticisms. From the Church, his attack on religious hypocrisy roundly received condemnations, while people banned performance of Don Juan. From the stage, hard work of Molière in so many theatrical capacities began to take its toll on his health and forced him to take a break before 1667.
From pulmonary tuberculosis, Molière suffered. In 1673 during his final production of le Malade imaginaire (The Imaginary Invalid), a coughing fit and a haemorrhage seized him as Argan, the hypochondriac. He finished the performance but collapsed again quickly and died a few hours later. In time in Paris, Molière completely reformed.
Essa edição da Editora Unesp reúne três obras brilhantes de Molière, que, embora independentes, formam um conjunto crítico, de forma cômica, sobre a sociedade francesa do século XVII, mas que pode ser aplicada aos dias atuais.
Seguem reflexões sobre cada uma dessas peças teatrais separadamente.
- “O Tartufo”: Antes mesmo de ler essa peça, já esperava algo espetacular por saber da forte resistência e censura que sofreu em sua época. Historicamente, excelentes livros foram proibidos pelo medo em demasia de terem suas “sujeiras” expostas (essencialmente, as Escrituras Sagradas, ainda em alguns locais, e demais livros, tal como “A revolução dos bichos”, de Orwell). Afinal, não é à toa que existe a máxima: “quem não deve, não teme”. Pois bem. Minha expectativa foi confirmada. A peça é espetacular! É provocativa (chega a dar aflição) ao traçar a distinção entre a verdadeira devoção e a hipocrisia. O autor, de forma alguma, ataca a religião. Pelo contrário, ele utiliza a comédia como uma luz para despertar aqueles que estão na cegueira. A obra é um alerta para que guardemos nosso senso crítico contra o fanatismo direcionado a qualquer ser humano. Esse livro mexeu profundamente comigo ao mostrar que charlatões existem em qualquer classe social (inclusive na baixa). Devemos ser cautelosos com discursos excessivamente “piedosos”, com o uso da “autoridade de fé” para controlar o próximo ou com a busca por benefícios financeiros sob o manto da religião. Outros pontos de destaque são sobre as virtudes. Primeiro, é o silêncio. Se ela, de fato, existe, não é barulhenta. Segundo, é equilibrada, o que remete à lição de Aristóteles sobre o justo meio.
- “Dom Juan”: Por meio do personagem Dom Juan, Molière apresenta o que parece considerar o maior perigo: a hipocrisia religiosa (estratégia que o protagonista adota a partir do V Ato). Mas demonstra, simbolizado na queda final, que uma pessoa, por mais “poderosa” que seja, escapa das consequências de suas condutas sem o arrependimento. Inclusive, a eleição da queda pela abertura da terra num abismo, me fez recordar do episódio narrado em Números 16:31-33 (quando a terra engoliu os rebeldes). Ou seja, trata-se de mais uma alerta sobre o julgamento soberano e inescapável.
- “O doente imaginário”: Extraí como reflexão central não a descrença na Medicina, mas a demonstração dos perigos da fragilidade humana: perceptível tanto no paciente (cujo medo infundado de uma enfermidade o cega para a realidade) quanto nos médicos oportunistas (que se valem de expressões rebuscadas para esconder a própria ignorância). Ao revés, por meio do irmão e da criada do protagonista, Molière parece apresentar o equilíbrio emocional como o melhor caminho para a saúde.
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Terminei de ler os contos “O Tartufo” e “Dom Juan”.
Achei a leitura leve e descontraída, mas tinha expectativas mais altas. O Tartufo é bastante ousado em tratar o tema da falsa santidade e parece ter inspirado A Aldeia de Stépantchikovo e seus Habitantes, de Dostoiévski. O antagonista lembra bastante a figura mesquinha e surreal de Fomá Fomich.
No caso de Dom Juan, o conto é bastante engraçado. Me tirou boas risadas ao longo da leitura.
Recomendo como leitura leve, mas não espere uma grande profundidade ou desenvolvimento dos personagens. Nesse sentido eu achei O Mercador de Veneza, de Shakespare, melhor.
Uma peça curtinha que expõe como a religião pode ser corrompida pelos chamados cidadãos de bem para alcançar seus próprios objetivos, enquanto também critica a credulidade dos que são facilmente enganados por aparências. O Tartufo, dos tempos de Molière, sobrevive aos nossos dias.