Jorge Amado was a modernist Brazilian writer. He remains one of the most read and translated Brazilian authors, second only to Paulo Coelho. In his style of fictional novelist, however, there is no parallel in Brazil. His work was further popularized by highly successful film and TV adaptations. He was a member of the Brazilian Academy of Letters from 1961 until his death in 2001. In 1994, his work was recognized with the Camões Prize, the most prestigious award in Portuguese literature. His literary work presents two distinct phases. In the first, there is a clear social critic and political focus, with works such as Captains of the Sands and Sea of Death standing out. In his more mature phase, he adopts an aspect of good-humored and sensual chronicler of his people, abandoning ideological motivations, with works such as Gabriela, Clove and Cinnamon, The Double Death of Quincas Water-Bray and Dona Flor and Her Two Husbands.
Nesta obra conseguimos acompanhar não só o percuro literário, mas também, o percurso humano e existencial de um dos grandes poetas brasileiros, Castro Alves. A forma como é desenvolvida a relação amorosa entre o poeta e a actriz Eugénia Câmara é sublime. É pena que o grande Jorge Amado tenha apenas escrito uma peça de teatro pois demonstra grande desenvoltura neste excelente exercício biográfico, em forma dramática. Uma óptima forma para se iniciar a bibliografia de Amado.
“Teu coração sempre pertenceu a outra, Castro… Teu coração sempre foi da liberdade…”
Esse foi um livro que comprei na feira há 2 anos atrás sem nem ver a sinopse. Vi que era escrito pelo Jorge Amado, e comprei sem nem pensar. Confiei. Depois de muito tempo pegando pó na minha estante, decidi confiar outra vez. E ainda bem que confiei!
A trama em “O Amor do Soldado” deambula sobre dois artistas amantes eternamente insatisfeitos, mas determinados a seguir o seu propósito pessoal. São estes Castro Alves e Eugénia Câmara: um poeta cujo objetivo de vida era colaborar na libertação dos escravos; e uma atriz que tinha o teatro como paixão, mas não só…
Enquanto o poeta amava a liberdade e só a liberdade, perseguindo-a e priorizando-a, a atriz amava ao poeta, e o seu amor lhe bastava. Castro assume um papel de conforto, visto que gostava da ideia do amor que Eugénia (e outras mulheres) sentiam por ele, enquanto Eugénia sofria. Para ele, o seu corpo só lhe foi emprestado neste plano para que ele faça a liberdade florescer. Pessoalmente, eu acabo por compreender os dois lados da moeda (mesmo não concordando com as atitudes de nenhum dos dois), ainda que claramente sinta mais empatia pela atriz, que apoiava as causas do amado, mesmo estando ausente e sentindo-se traída muita das vezes. Claro que o propósito de ambos tem interesse e importa, tanto individualmente, como em casal, mas em momentos de discussões íntimas, Castro tinha visões mais egoístas e pensava que Eugénia era mesquinha por reclamar o seu amor, pensando que a mulher deveria viver para o amar. Do outro lado, a atriz também se rebaixa e se deixa levar pela manipulação do amado.
Moral da história: a complexidade humana fascina! Por que será tão difícil amar um artista? Alguém que vive para os seus sonhos cumprir? Alguém que luta para um propósito? Em muitos momentos do livro, eu senti vontade de chacoalhar as personagens, visto que a situação deles era tão simples de se resolver, mas complicavam-se com medo de (a) perder o seu sonho e (b) perder o seu amor. Tudo se concerta quando se ama de verdade, mas o que senti neste livro é que não foi o “amor”, foi a “obsessão” do soldado.
Mesmo após a leitura dessa obra, continuo em dúvida, quem é o verdadeiro amor do soldado? Eugénia ou a Liberdade?