Um dos nomes mais importantes da literatura experimental brasileira, Valêncio Xavier reconta oito crimes cometidos no país no final do século 19 e início do século 20. São os 'Crimes à Moda Antiga', reinventados à moda mais que atual pelo "Frankenstein de Curitiba". Ilustradas por Sérgio Niculitcheff e pelo próprio Valêncio, o livro traz as irreais histórias reais de 'Os estranguladores da fé em Deus', 'A noiva não manchada de sangue', 'A morte do tenente Galinha', 'A mala sinistra', 'O crime de Cravinhos', 'Aí vem o Febrônio', 'O outro crime da mala' e 'Gângsteres num país tropical'.
Nasceu em São Paulo, em 1933. Foi colaborador dos jornais Gazeta do Povo, de Curitiba, e Folha de S. Paulo. Também trabalhou na realização de filmes, vídeos e programas de televisão. O mez da grippe e outros livros ganhou o Jabuti de melhor produção editorial em 1999. Morreu em dezembro de 2008.
Os contos documentais sobre crimes do início do século XX têm uma linguagem muito particular — e, se hoje parecem "fáceis" de reproduzir em vídeos e podcast truecrime, é porque, lá atrás, ainda nos anos 70, Xavier já havia mostrado os caminhos de como se fazer.
Os textos, sempre acompanhados de imagens e colagens de outras mídias — jornais, rádio, e principalmente o cinema — fazem com que o leitor, de alguma forma, se transporte para um Brasil que, sem nenhuma nostalgia, se revela repleto de crimes bárbaros, violência e brutalidade.
Este livro realmente me surpreendeu. Eu não conhecia Valêncio Xavier antes de ler Crimes à moda antiga, e fiquei impressionada com a forma como ele constrói a narrativa. A escrita prende de um jeito quase desconfortável — eu simplesmente não conseguia largar o livro.
A leitura me chocou, me irritou e me impactou de maneiras que eu não esperava. Valêncio é direto, às vezes duro, mas muito preciso ao tratar desses crimes. O que mais me marcou foi justamente o cuidado em não banalizar a violência nem transformar as vítimas em mero espetáculo. Ele expõe, mas não explora.
Considerando o contexto da época em que escreveu, essa postura se torna ainda mais relevante. É um livro que incomoda, mas que faz isso com propósito — e permanece atual exatamente por causa disso.