This is a reproduction of a book published before 1923. This book may have occasional imperfections such as missing or blurred pages, poor pictures, errant marks, etc. that were either part of the original artifact, or were introduced by the scanning process. We believe this work is culturally important, and despite the imperfections, have elected to bring it back into print as part of our continuing commitment to the preservation of printed works worldwide. We appreciate your understanding of the imperfections in the preservation process, and hope you enjoy this valuable book.
Ana Maria Guerra bore Abílio Manuel Guerra Junqueiro to José António Junqueiro Júnior, a supply trader and farmer. Ana died when Abilio was only three years old.
He made secondary studies in Bragança and at sixteen, he enrolled at the University of Coimbra, to study theology. Two years later, he left to study law, that he concluded in 1873. Then he became secretary of the governor of Angra do Heroísmo, Azores, and later of Viana do Castelo. In 1878, he was elected to the House of Representatives.
In 1885, he at Porto published A velhice do Padre Eterno, which generated strong criticism from Portuguese Catholic Church. After the British Ultimatum and the political crisis associated, he was involved in the political debate in 1891, writing some best-sellers that had huge impact in public opinion, contributing to the discredit of the Portuguese monarchy and the success of the republican Party in the 1910 Portuguese Revolution. He translated into Portuguese short stories by Hans Christian Andersen.
He married Filomena Augusta da Silva Neves on February 10, 1880, the couple had two children; Maria Isabel Guerra Junqueiro on November 11, 1880, second wife without issue of Luís Augusto de Sales Pinto da Mesquita de Carvalho (1868-1931) and Júlia Guerra Junqueiro in 1881, unmarried and without issue. He died in Lisbon at the age of 73.
In 1940 Junqueiro's daughter donated his estate in Porto that became the Guerra Junqueiro's Museum.
This work follows the English Ultimatum. It is an attack on the Bragança dynasty, in the figure of D. Carlos: "The state is the king. There is only one citizen: D. Carlos. The duties are ours, the rights are his. The ideas strangle me, break me in. the drawer, or cut my neck, as you please. Justice is a watch that he delays, advances or stops, according to his wishes. Decrees the law and appoints the judge. Parliament is his whim".
Thunderbolts and lightening, very very frightening.
Cue the ghosts! Dead kings. Dead queens. Cue the living. Pirates. Armies. The English. The Spaniards? Never! Rubies, silver, gold. The king, his henchmen. A corrupt bourgeoisie. A pound of flesh. A moonless night. More thunderbolts and howling dogs. Eternal punishment, flames of hell. It was a dark and stormy night.
The king is power. Oh, what foul air. What rottenness fouling the air, poisoning the land, poisoning the air.
For Nun’Alvarez and the Virgem do Carmo. The flames of hell. The palace burns. To sleep perchance to dream.
Published in 1896, Guerra Junqueiro wrote this grande poem when Portugal was in a state of flux. On one side, it submitted to the English demands of its African colonies; on the other, a revolution in Brasil. The political parties looked the same while power rested with the king and his corrupt bourgeoisie. Portugal, the once grand empire, was floundering. The people suffered. They wanted change.
Inspired by part by Os Luisiadas, Junqueiro wrote a masterful poem. Elegant and dark, the work supports his views on the current political situation. He wanted to bid adieu to the monarchy and welcome in a republic. His poem was well received and after the republic was established in 1910, Junqueiro was hailed a hero.
Heroic in scale, words and even subject, the poem has teeth. Reminiscent of Shakespeare, features past royals as ghosts and a fool who lends counterbalance and wisdom to the royal entourage. Horror of the past and present mark the words of the king. Nothing like ghosts to add to your drama.
On several occasions in “Vida de Don Quijote and Sancho” Unamuno mentions this poem. A lot was happening at the end of the 19th centuries in both countries, as Portugal and Spain moved towards republics. So by reading this poem, one gets a better understanding of the thought in those challenging times.
"Pátria" de Guerra Junqueiro é possívelmente, ao lado d'"Os Lusíadas" o pináculo da literatura portuguesa. É um livro curioso, talvez o melhor produzido nesta, sobre esta e contra (os vícios d)esta nação. Acima de tudo, depois de ler algumas das críticas fúteis aqui presentes, senti a necessidade de o defender. Antes de mais, é um livro eterno pela sua demonstração de verdades perenes. Estas verdades estendem-se, mas não se findam na forma de governar, seja ela por um ou por muitos. Pessimista, radicalmente, mas cheio de pérolas, atiradas aos iletrados que compunham a sua geração. Infelizmente o público leitor não melhorou consideravelmente, mas agora lê mais e mais disparates.
Mas perante o seu pessimismo, deve-se questionar: como esperar o melhor quando rodeado pelo ninho de víboras? Como, com a casa penhorada? Como, com o Patriarcha (à la Filmer) como proxeneta e azeiteiro? Tudo aqui nos lembra a ordem natural da governação, da decadência do corpo político e do império – uma espécie de ordem natural do poder: a força estabelece o Bom, o Bom cria o fraco, o fraco cria o mau. – este círculo será repetido até ao final dos tempos. Aqui o crítico impõe uma pergunta já com uma resposta histórica: e que diferença faria uma república? Junqueiro parece entender no início do livro que em Portugal, uma Monarquia e uma República seriam a mesmíssima coisa, como evidenciado na personagem de Magnus. Nas conceções da batalha pela vida, do poder, das atitudes e doenças nacionais, tudo isto faz do livro um concentrado de bílis reacionária, e bem! Venha a nós a sua merecida fúria. É até criminoso não se estudar esta obra nas escolas. Uma boa obra ensina-nos acerca de nós mesmos, espelha-nos e mostra-nos um pouco por dentro. Se for esse o caso, esta obra é excecional.
Agora irei um pouco às profundidades e exemplos do livro para tentar demonstrar que não é apenas uma obra “antimonárquica”, aliás, em muitas instâncias quase pode ser lido como um livro monárquico à sua maneira (leia-se mono – arquia: o poder do uno). A partir da cena XII o Rei pede aconselhamento aos seus antepassados, dos quais Junqueiro escolhe demonstrar em parada toda uma série de escroques até ao final exemplo de um bom titular de poder – um monarca, se quisermos, sério e merecedor de poder Nun’Álvares Pereira. Este depois vai ser o modelo que Guerra Junqueiro terá nas anotações desta obra como um grande governante. Depois, ter em conta a visão até devota, apesar de anticlerical, de Guerra Junqueiro, quando o Louco é levado a uma missa satânica celebrada pela aristocracia decadente. Mais tarde, Portugal é crucificado em mimese do próprio Cristo, incluindo com as suas humilhações, fel de beber e troças. (não com o cartaz de Rei dos Judeus, mas sim “Portugal, Rei do Oriente”). Vemos na peça a troça do mundo pelo nosso sacrifício – uma visão até meio próxima do “White Man’s Burden” de Kipling, mas com um elemento sacral. Deus, porque abandonaste Portugal? Nas anotações vemos então a dissecação do cadáver Nacional – e noto que a única crítica que se tece à monarquia (e não à decadência), é o seu carácter hereditário, e, portanto, aleatório. De resto, tudo tem culpa também. O povo resignado; o clero “Desmoralizado e materialista, liberal e ateu” Dandy e distante de Cristo; A Burguesia corrupta e imoral; o exército fraco e pobre; o poder legislativo colado ao executivo, e o executivo transforma-se em absoluto com a desistência popular; a justiça tomada pela política; os dois partidos (os monárquicos) “sem ideias, sem planos, sem convicções” incapazes de sacrifícios, e ambos utilitaristas céticos como Magnus, o leitor de Voltaire; O partido republicano descrito quase da mesma forma, mas com a agravante de sofrer de um horroroso caso de burguesia. Na crítica de Junqueiro aos republicanos ele acrescenta-nos uma visão que muitos monárquicos compartilhariam: “Faltando-lhe um chefe de autoridade abrupta, uma dessas cabeças firmes e superiores, olhos para alumiar e boca para mandar, - um desses homens predestinados, que são em crises históricas o ponto de interceção de milhões de almas e vontades, acumuladores elétricos da vitalidade duma raça […] compreendendo tudo, adivinhando tudo […] que levam o povo de abalada como quem leva ao colo uma criança.” Quem vê nisto o destruir da monarquia, não está a ver com olhos de ver. Continuando a dissecação: A fraca instrução e evolução do país; um regime económico parasítico; a liberdade absoluta (denotem a crítica à liberdade/libertinagem); literatura iconoclasta; novas visões com os mesmos vícios que as precederam; pessimismo filosófico nacional que impossibilita a ação. Mais, temos o declínio a vir da burguesia também, e não só da aristocracia, com o liberalismo, os judeus, as morgadinhas, etc; Há ainda os ingleses (mapa cor de rosa) e os brasileiros (e a sua revolução), evidenciando na altura a nossa fraqueza nacional, e no fim de contas a decadência natural da velhice, falência e morte. Perante isto temos a autópsia feita: “Crise Nacional”. Para Junqueiro a resposta é a república, mas como uma emergência, o que deve ser feito para conseguir ainda salvar alguma coisa, mas já vimos que tipo de governante Junqueiro acharia melhor para a República. “A revolução impunha-se Republicana? Conforme, Se o monarca nos saísse um alto e nobre carácter, um grande espírito juvenil e viva encarnação do ideal heróico, tanto melhor” Se isto é ser republicano, então eu sou jacobino. O que Junqueiro foi, essencialmente, foi um homem do seu tempo, a lidar com a decadência podre de uma classe aristocrática que tinha de ser substituída. Uma classe que tinha trocado o trono (poder) pela coroa (das riquezas e confortos), e tinha lidado com o património sacral da pátria como vendilhões do templo. Tivesse Guerra Junqueiro conhecido a 3ª república, imaginemos o tipo de monarca absolutista que seria.
" (...) Balanço patriótico: Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia de um coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas; um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem de onde vem, nem onde está, nem para onde vai; um povo, enfim,que eu adoro, porque sofre e é bom, e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que um lampejo misterioso da alma nacional,- reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta. (...)"