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L'Athénée

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Sérgio, de 11 anos, tem de largar os brinquedos, o conforto caseiro e o carinho dos pais, para iniciar uma nova fase da sua vida: o internato. É por isso matriculado no renomado Ateneu, comandado pelo ilustre director Aristarco, uma figura ostensiva e luxuosa. Se a princípio se deslumbra com a aura de excelência que envolve o colégio, depressa se vê sozinho num ambiente que lhe é estranho. Um sistema repressor que fomenta a hostilidade entre estudantes faz com que as suas ilusões rapidamente se esfumem. Sérgio tem de ser forte o bastante e aprender a lutar para se impor e sobreviver.

Não deixando de lado o texto original de Raul Pompeia, Marcello Quintanilha cria uma obra-prima em Banda Desenhada, adaptando com mestria o realismo crítico e o tom impressionista presentes no clássico da literatura brasileira.

90 pages, Kindle Edition

First published January 1, 2012

33 people want to read

About the author

Marcello Quintanilha

21 books74 followers
Marcello Quintanilha nasceu em Niterói, Brasil, em 1971. Começou, ainda adolescente, por desenhar histórias sobre artes marciais com o pseudónimo de Marcello Gáu. Mais tarde, em 2003, envolve-se na série "Sept balles pour Oxford", para uma editora belga, com argumento do argentino Jorge Zentner e do espanhol Montecarlo. Estabelece-se, a partir de 2002, em Barcelona. Ilustrações suas surgem desde então nos jornais espanhóis "El País" e "Vanguardia". Ao mesmo tempo, continua a produzir álbuns para o público brasileiro. Em 2005 foi dado à estampa "Salvador". Seguiram-se "Sábado dos meus amores" (2009), "Almas públicas" (2011), "O ateneu" (2012), "Tungstênio" (2014), "Talco de vidro" (2015), "Hinário nacional" (2016) e "Luzes de Niterói" (2018). "Escuta, formosa Márcia" (2021) é o seu mais recente trabalho, em Banda Desenhada, depois de se ter estreado na ficção com o romance "Desereama" (2020). A edição francesa de "Tungstênio" foi premiada no Festival Internacional de Banda Desenhada de Angoulême (França) de 2016. Ainda em 2016 vence, no Brasil, um HQMix (categoria "Destaque Internacional") pelas edições portuguesas de "Tungsténio" e "Talco de vidro". Dose repetida um ano depois. "Tungsténio" originou um filme, realizado por Heitor Dhalia.

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Displaying 1 - 6 of 6 reviews
Profile Image for Ricardo Silvestre.
209 reviews38 followers
June 29, 2025
Quantas almas perdidas pode um mesmo espaço físico albergar?

Não conheço a obra original mas sinto que Quintanilha volta a não desiludir com esta adaptação. É o terceiro livro que leio do autor e todos eles têm características diferentes, nomeadamente no desenho. Esta história, por se passar na segunda metade do séc. XIX, é retratada com toda uma linguagem de época e os desenhos são igualmente identificadores.

Peca, a meu ver, nos tamanhos reduzidos das vinhetas. Creio que a obra beneficiaria com um desenho mais detalhado até porque se apoia muito nas expressões faciais das personagens e nem sempre o tamanho da vinheta permite identificar se as crianças riem de contentamento ou estão, simplesmente, a desdenhar um colega por quem não têm simpatia.

A linguagem de época nem sempre é fácil de entender à primeira e surpreendeu-me o facto deste livro fazer parte do plano nacional de leitura, plano esse que é uma iniciativa portuguesa criada em 2006 pelo governo de Portugal com o objetivo de promover a leitura entre a população, especialmente entre crianças e jovens. Não sei até que ponto os mais jovens se sentirão compelidos a ler este livro!?!

Posto isto, fiquei com muita vontade de conhecer o original de Raul Pompeia, autor brasileiro que se inspirou na sua própria experiência estudantil para escrever este ‘O Ateneu’.
Profile Image for Cristina Alves.
692 reviews50 followers
February 9, 2018
https://osrascunhos.com/2018/02/07/o-...

O Ateneu, de Raul Pompeia, é considerado o único romance impressionista da literatura brasileira. Publicado em 1888, conta a história de um rapaz, Sérgio, que é enviado para um dos melhores colégios do país (se não o melhor), onde se encontram os filhos dos homens mais ricos poderosos do Brasil – o Ateneu.

De caracóis louros, pouco habituado ao meio escolar por ter tido apenas algumas lições privadas em casa ou num pequeno colégio familiar, Sérgio é um menino obrigado a largar a inocência logo nos primeiros tempos no Ateneu. Não o espera companheirismo nem amizades desinteressadas, mas um círculo de vícios – todos aqueles de quem se aproxima acabam por se revelar interessados noutra faceta da sua presença.

O Ateneu usa o colégio para espelhar os vícios dos pais destas crianças. Ao invés da inocência vemos jogos de poder e violência. Ao invés de amizades assistimos a manipulações com o objectivo de se consumarem vícios decadentes. De amizade frustrada em amizade frustrada, o conjunto de colegas apresenta-se como uma desilusão e Sérgio aprende a seguir o seu próprio caminho.

Ainda que tenha lido apenas uma outra obra de Quintanilha (mas desfolhado outras) nota-se a diferença no aspecto visual – e não só pelas cores! Com uma história maior que integra a obra original, O Ateneu dá especial foco às expressões, usualmente carregadas de emoções negativas, conflitos e ódios, dos restantes alunos. Tratam-se de crianças carregadas de vícios, habituadas a ter o que desejam e que vêem, nas restantes, um meio para o obterem. O Ateneu revela-se não como um local de formação, mas de corrupção.

As expressões de fortes e negativas emoções dos alunos (raramente agradáveis e que, mesmo quando tentam ser simpáticas se tornam, no mínimo, dúbias) contrastam com as das senhoras que encontra inicialmente, de postura maternal e doce, uma espécie de santuário da infância ao qual não pode regressar.

Entre a preversão nos relacionamentos e o despertar da sexualidade (reprimidas e não reconhecidas pelas autoridades do colégio e, por isso, sem verdadeira forma de ser combatida) o Ateneu é um local de transformação amarga e de crescimento envenenado que frustra as boas intenções de uma simples interacção. O resultado é uma história que transmite fortes emoções, sobretudo negativas, aspecto inesperado numa história que tem, como personagem principal, uma criança.
Profile Image for Rumagoso.
104 reviews29 followers
November 7, 2017
NOTA: Aqui no Goodreads as críticas são, as 2-3 que eu vi pelo menos, referentes ao romance e não à adaptação em BD; refletem a opinião de outra obra (na qual esta é baseada).

História dura sobre um internato "à antiga" e de como um rapaz é para sempre afectado pelos colegas e pela figura dominadora Aristarco.
Desenho e cores servem, que nem uma luva, a história, como se fotos da época se tratassem. Creio que uma edição em maior formato teria ainda mais impacto para se poder apreciar os detalhes e melhor ler o texto (que é retirado diretamente da obra literária de Raul Pompéia).
Tive dificuldade em ler pois a história tem poucos momentos alegres e por isso não a li somente por puro entretenimento.
O que me chamou foi o desenhador - e saber que esta obra é bem diferente de seus trabalhos prévios -
e a curiosidade de como resolveu a adaptação "em quadrinhos" de um clássico Brasileiro.
Profile Image for Artur Coelho.
2,615 reviews74 followers
February 20, 2018
Marcello Quintanilha recupera em O Ateneu um mundo perdido, feito de falsa nobreza e honra oca, num registo cumulativo de sensações e impressões. Retrato de época, pouco lisonjeiro para a sociedade brasileira, O Ateneu mergulha-nos no clima opressivo de um colégio interno no Brasil do século XIX. Este romance de Romeu Pompéia é revisitado pelo traço de Marcello Quintanilha, num registo gráfico que remete para as estéticas da viragem do século, entre cruzado com as palavras da obra original. Um livro que chega aos leitores portugueses através da oferta editorial da Polvo. Crítica completa no aCalopsia: O Ateneu de Marcello Quintanilha.
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