Clouser defende a tese que toda teoria é regulada e guiada por alguma crença religiosa. A interpretação do conteúdo de uma teoria depende da crença religiosa pressuposta, de modo que nenhuma teoria é neutra. Para defender sua tese, Clouser discute sobre a relação entre religião e teoria científica, política, social, etc, a partir da teoria da realidade de Herman Dooyeweerd. Inclusive, no prefácio, Clouser informa que fez várias entrevistas com o próprio Dooyeweerd durante alguns meses.
Na primeira parte, Clouser define o que é religião e responde a algumas objeções a sua definição. E também apresenta alguns tipos de crenças religiosas, a saber, os tipos pagão, panteísta e bíblico.
Na segunda parte, Clouser debate o que é teoria, o que é abstração teórica, sugere alguns critérios para julgar teorias. Em seguida, discute sobre posições acerca da relação entre teorias e crenças sobre a divindade: irracionalismo religioso, racionalismo religioso, a posição bíblica, o escolasticismo religioso. E defende que a crença em Deus regula e guia a reflexão sobre a criação e a consideração das teorias científicas. Ele critica a leitura enciclopédica fundamentalista da Bíblia.
Na terceira parte, Clouser faz alguns estudos de caso de sua tese. Ele mostra o fundo religioso nas teorias da matemática, física, psicologia. E sugere que uma visão bíblica exige uma teoria não reducionista da realidade.
Na última parte, o autor apresenta uma teoria não reducionista fundada na filosofia de Dooyeweerd. Ele faz um esboço da teoria modal de Dooyeweerd, defende uma teoria não reducionista da sociedade composta por normas, funções, soberania das esferas, e postula uma teoria não reducionista do Estado.
Essa é uma obra bastante erudita e que exige um prévio conhecimento da filosofia reformacional. Certamente, um clássico do pensamento reformacional.