Caracas é uma cidade a ferro e fogo. A vida de Martingo e Divone também. O sequestro e a morte da filha, Íris, na selva colombiana, constituem um drama que os precipita num labirinto de dor. Martingo é mais duro de sentimentos, reage melhor à perda da filha, Divone vive enclausurada num estado de negaçã para ela, a filha está apenas ausente e vai regressar um dia. Toda a sua vida comum acaba por os negócios, a família, a vida conjugal. Decidem abandonar Caracas e regressar à terra de Martingo, uma aldeia perdida no interior de Portugal, Campo de Víboras - lugar mágico por comportar as memórias de infância e por ser um sítio estranho, onde se passam coisas bichos dentro das pedras, uma montanha que geme, minas de volfrâmio, lobos. Um romance sobre a dor, a perda, a erosão do amor e a sua tentativa de salvação. Um olhar flamejante sobre a quantidade e a qualidade da vida, do amor e da felicidade. Como os ramos de um flamboyant agitados no vento das palavras. Demasiado Mar para Tantas Dúvidas de Miguel Miranda
Escritor e médico português nascido no Porto em 1956. Formou-se em Medicina Familiar em 1979 e, desde então, tem exercido a profissão de médico, tanto a nível particular como em hospitais do Estado. Em termos de carreira tornou-se chefe de serviço de Medicina Geral e Familiar. Paralelamente à carreira de médico, dedicou-se também à escrita a partir dos 35 anos. Embora antes já escrevesse regularmente alguns textos que nunca publicou, só em 1991 assumiu a sua vocação de escritor. No verão desse ano teve um hiato na sua carreira de médico e chegou às férias demitido de funções. Sentiu um vazio dentro de si e para preenchê-lo começou a escrever mais a sério e com regularidade. Ao fim de duas semanas já tinha meio romance escrito. O livro viria a ser editado no ano seguinte com o título O Complexo do Sotavento. A partir daí, Miguel Miranda dividiu-se entre a medicina e a literatura, exercendo a atividade de médico durante o dia e a de escritor à noite. A sua atividade literária repartiu-se pelo romance, com especial incidência nos policiais, contos e literatura infanto-juvenil. Assim, lançou Contos à Moda do Porto e Caçadores de Sonhos, ambos em 1996, Bailado das Sombras, em 1997, O Estranho Caso do Cadáver Sorridente, em 1998, Livrai-nos do Mal, em 1999, A Mulher que Usava o Gato Enrolado ao Pescoço, em 2000, A Maldição do Louva-a-Deus, em 2001, Dois Urubus Pregados no Céu, em 2002, A Princesa Voadora, que marcou a estreia na literatura infantil em 2003, e Como se Fosse o Último, em 2004. Em 2005 lançou o romance O Silêncio das Carpideiras, para chamar a atenção para as povoações que no passado foram deslocalizadas devido à construção de barragens, lembrando que este não é um problema exclusivo do Alqueva. Todas estas obras valeram a Miguel Miranda diversas distinções, a primeira das quais o Grande Prémio do Conto APE (Associação Portuguesa de Escritores) de 1996. Depois recebeu o Prémio Caminho de Literatura Policial em 1997 e o Prémio Fialho de Almeida da SOPEAM em 2001. Em 2002 foi-lhe atribuída a Medalha de Ouro de Mérito Cultural e Científico de Vila Nova de Gaia. Miguel Miranda tornou-se membro da APE, da Associação de Escritores de Gaia, da Associação de Jornalistas e Homens de Letras do Porto e do PEN Club Português.
Recebeu o Grande Prémio de Conto da APE pelo livro Contos à Moda do Porto (1996); o Prémio Caminho de Literatura Policial pelo livro O Estranho Caso do Cadáver Sorridente (1977); e o Prémio Fialho de Almeida pelo livro A Maldição do Louva-a-Deus (2001).
Uma história sofrida, em que andamos entre o passado e o presente e percebemos a dor do luto e as várias formas como se escolhe lidar com o mesmo. Ao mesmo tempo percebemos a importância de dizer o que queremos dizer e apesar de também ser porque "amanhã pode ser tarde demais", neste caso é mais porque nunca sabemos o que podemos estar a perder por termos medo de sermos honestos, tanto com quem amamos como connosco. Não é o tipo de livro que costumo apreciar e nem sempre gostei de o ler, mas acabou por me cativar. E não estava à espera do fim que teve, até porque durante todo o livro, é praticamente impossível prever que fim vai ter.