Falar sobre O Independente é recuperar os momentos mais emblemáticos e polémicos da política portuguesa dos anos 80 e 90. É revisitar as manchetes corrosivas e os ataques a Cavaco Silva, Leonor Beleza, Miguel Cadilhe e muitos outros. A história de um jornal mas sobretudo de um país e dos seus protagonistas, muitos deles ainda hoje no activo, mesmo que em papéis diferentes.
Um livro excelente sobre a política e o jornalismo do nosso país, nos anos 90.
É uma obra que ajuda a perceber os jogos de poder que existiam e as figuras políticas que emergiram naquela época. Mostra também todo o brilhantismo que os dois diretores d'O Independente tinham para a escrita e o papel fulcral que o jornal teve na altura como contrapoder de Cavaco.
Posso não concordar com grande parte das ideias e ideologias de Miguel Esteves Cardoso e Paulo Portas, mas eles tinham o dom de colocar as palavras certas no papel, com uma assertividade e um sarcasmo incomparáveis.
Pena que, na minha opinião, estas duas mentes tão brilhantes tenham derivado da sua rota inicial. MEC por ter amolecido tanto com o tempo, Portas por ter feito tudo aquilo que repudiou nos outros.
Bastante extensivo sobre a perseguição que o Independente fazia aos Governos de Cavaco Silva e sobre a maneira como Esteves Cardoso e Portas faziam a gestão do jornal.
Aquilo que começa com um play by play das irritações do Independente com as decisões do Governo mostram de tal forma os preconceitos dos dois editores que, mesmo não tendo simpatias políticas por Cavaco Silva, é difícil não achar que MEC e Portas são duas pessoas com um nível de arrogância, snobismo e elitismo que não gera simpatia nenhuma.
Para o final foca-se mais em Paulo Portas e na maneira como instrumentalizou o jornal para as suas próprias aspirações políticas. Portas é quem se sai pior com o livro, particularmente no final em que os artigos dele sobre políticos começam a assentar que nem uma luva ao mau comportamento político dele próprio ao sair do Independente.
Um livro que explica em detalhe toda a história, peripécias e desafios daquela que foi a "máquina de triturar políticos".
Uma ótima leitura, protagonizada pelos autores Filipe Santos Costa e Liliana Valente, os quais chegaram a integrar a equipa de trabalho d'O Independente (ainda que o projeto estivesse já numa trajetória descendente).
Para quem lia e era fã do jornal "O Independente" nos anos oitenta este livro é de leitura obrigatória. Tem várias histórias engraçadas que nos permite perceber como é que o jornal funcionava por dentro. É bastante centrado na pessoa do Paulo Portas que dá para perceber era o motor do jornal. Nem o MEC (Miguel Esteves Cardoso) que era o diretor do dito tem tanto protagonismo no livro. A organização do livro é um bocado estranha (por temas) que por vezes andam para a frente e para trás no tempo. Por vezes parece que estamos a ler coisas repetidas. Mas não deixa de ser um livro bem escrito que vale a pena ler e no qual se percebe como funcionava os jornais, e como se articulavam com a política neste nosso pequeno Portugal. O único defeito que lhe encontro é ser um livro demasiado centrado na política ("Máquina de Triturar Políticos") e esquecer outros textos importantes (de outras áreas) que também fizeram história no jornal. Por exemplo a edição sobre a perestroika (que é uma peça de museu) é referida en passant no livro e merecia claramente mais páginas neste livro sobre o jornal.
Um documento fundamental para quem se interessa por política, jornalismo e intriga. Magistralmente pesquisado e brilhantemente escrito, este é um livro obrigatório para quem viveu os anos d'O Independente mas também para quem se interessa pelos meandros da estratégia política e do jornalismo de investigação. Este livro consegue, sem recorrer a qualquer tipo de proselitismo, dar o mais claro testemunho factual da hipocrisia, snobismo e volatilidade dum homem que dá pelo nome de Paulo Portas, porventura o político mais cínico, falso e interesseiro que Portugal já conheceu. Imperdível.
É a história de um jornal que marcou a imprensa portuguesa e uma geração de leitores. É através dessa história a história colada do cavaquismo em Portugal. É bom relembrar ou conhecer as atribulações dessa época. É bom reler gente que escrevia tão bem e que dava prazer ler nem que fosse para discordar da primeira à última linha. No que me diz respeito, leria com mais prazer se fosse mais MEC e menos PP, mais Caderno 3 e menos O Independente. Também aí o jornal inovou com rubricas, reportagens, entrevistas, crónicas, fotos, "tangas"
Um livre interessante, mas de leitura complicada, apesar de divertida. Sobretudo para alguém nascido em 1992 que não viveu estes tempos e por isso não vibra com entusiasmo com a revisão de tantos casos que marcaram o período 1988-1995 em Portugal.
No entanto, obrigatório para quem se interessa por política nacional e quer perceber o 'animal político' que é Paulo Portas. Para esses, aconselho!
Gostaria de dar 5 estrelas, mas faltam algumas coisas... Dar o contexto do que aconteceu a algumas pessoas. Uma timeline. Eu sei que o livro deu imenso trabalho, muitas entrevistas, muita leitura, mas um pouquinho mais de trabalho (ou até ter um terceiro autor, nem que recebesse menos royalties) ficaria um livro ainda mais incrível.
Para quem, como eu, devido à tenra idade, não se lembra desta altura, é um livro imperdível.
Muito bem escrito, cheio de episódios engraçados e que explicam em muito a atualidade política. O PSD de Cavaco tem muito que ver com o PS de Costa. Nos escândalos, nas teias familiares e muitas vezes na impunidade.