Pode uma espécie de peixe causar tanto furor no mundo inteiro? Essa parece ser a pergunta que Samantha Weinberg procura responder no decorrer desse interessante livro de divulgação científica.
O peixe em questão é o celacanto, cuja espécie apareceu na Terra no Devoniana, há cerca de 400 milhões de anos, embora a maior quantidade de fosseis pertençam ao Carbonífero (há cerca de 350 milhões de anos), sendo que sua aparência pouco mudou nesse período. Os fósseis mais novos encontrados datavam entre 60 a 70 milhões de anos, e o mundo científico acreditava que se tratava de uma das espécies de peixe que deixaram os oceanos rumo à terra, possibilitando assim a evolução dos seres vivos terrestres. De fato, estão mais próximos aos peixes-pulmonados, aos répteis e aos mamíferos do que com os peixes comuns com nadadeiras radiais.
E então, próximo ao natal de 1938, uma museóloga sul-africana, Marjorie Courtenay-Latimer, reconheceu o peixe como uma espécie atualmente não conhecida dentre o cardume de diferentes peixes capturados próximo ao Rio Chalumna, trazidos pelo capitão Hendrik Goosen, da traineira Nerine. Coube ao amigo de Marjorie, o cientista J.L.B. Smith, identificar a ordem do peixe em questão, tendo batizado-o como gênero "Latimeria", e a espécie como "Latimeria chalumnae" (homenagem à Marjorie e ao rio onde foi encontrado).
Atualmente são conhecidas apenas duas especies de celacanto, Latimeria chalumnae que habita a costa índica da África, e Latimeria menadoensis, que habita a Indonésia. Trata-se de um verdadeiro fóssil vivo, sendo que suas características praticamente permaneceram paradas no tempo, sendo que muitas de suas características ainda são desconhecidas, visto que fora de seu habitat natural morrem rapidamente, impossibilitando o seu acompanhamento em aquários para observação.
O livro narra a história desde seu reconhecimento por Marjorie Courtenay-Latimer até o período um pouco após a descoberta da espécie Latimeria menadoensis. É uma história interessante. Em parte, e essa é pequena, de cientistas que em nome da preservação de uma espécie que ultrapassou os limites do tempo, preferiram deixá-los em paz (entre eles o próprio J.L.B. Smith, Hans Fricke e Mark Erdmann), apesar de serem aqueles que mais contribuíram para seu conhecimento científico. Por outro lado, sua descoberta causou uma procura incessante pelo peixe, sem qualquer interesse em sua preservação.
Ao fim, tive a sensação de que com poucas exceções, o ser humano é o ser mais podre que poderia ter surgido na face da Terra. Não se trata apenas de uma questão de sobrevivência mais, mas ganância desenfreada. E ainda queremos conquistar outros planetas. Poor universe.