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A God Strolling in the Cool of the Evening: A Novel

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Winner of the Portuguese Writers' Association Grand Prize for Fiction and the Pegasus Prize for Literature, and a best-seller in Portugal, Mario de Carvalho's A God Strolling in the Cool of the Evening is a vivid and affecting historical novel set at the twilight of the Roman Empire and the dawn of the Christian era. Lucius Valerius Quintius is prefect of the fictitious city of Tarcisis, charged to defend it against menaces from without -- Moors invading the Iberian peninsula -- and from within -- the decadent complacency of the Pax Romana. Lucius's devotion to civic duty undergoes its most crucial test when Iunia Cantaber, the beautiful, charismatic leader of the outlawed Christian sect, is brought before his court. A God Strolling in the Cool of the Evening is a timeless story of an era beset by radical upheaval and a man struggling to reconcile his heart, his ethics, and his civic duty.

304 pages, Paperback

First published January 1, 1994

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892 people want to read

About the author

Mário de Carvalho

67 books177 followers
Mário de Carvalho nasceu em 1944, em Lisboa. Licenciou-se em Direito pela Universidade de Lisboa em 1969. Desde jovem que se envolveu na luta antifascista, tendo estado preso ainda na década de 1960 e durante o serviço militar. A sua luta política leva-o ao exílio, primeiro para a França, depois para a Suécia, em 1973. Após o 25 de Abril regressa a Portugal. A sua estreia literária dá-se em 1981, tendo desde aí publicado regularmente numa grande diversidade de géneros: romance, drama, contos, guiões.

A sua escrita é extremamente versátil e torna-se impossível incluí-lo numa escola literária. A crítica considera-o um dos mais importantes ficcionistas da actualidade e a sua obra encontra-se traduzida em vários países (Inglaterra, França, Grécia, Bulgária, Espanha, etc.).

Recebeu diversos prémios, podendo-se destacar, na sua bibliografia, o romance histórico "Um Deus passeando pela brisa da tarde", que constitui o seu melhor sucesso de vendas e que mereceu a aclamação da crítica, tendo sido distinguido com o Grande Prémio da APE (romance) 1995, o Prémio Fernando Namora 1996 e Prémio Pégaso de Literatura do mesmo ano. Vencedor, em 2004, do Grande Prémio de Literatura ITF/DSTe, em 2009, do prémio Vergílio Ferreira.

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Community Reviews

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286 (41%)
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2 stars
23 (3%)
1 star
4 (<1%)
Displaying 1 - 30 of 78 reviews
Profile Image for Luís.
2,385 reviews1,380 followers
September 1, 2024
In “Um Deus Passeando Pela Brisa da Tarde”, the author travels back to the second century, at the beginning of the Christian era. He wonders how a cultured and well-born man of his day would see the rise of this new religion. And it goes further. He speculates on political and human relations in general. The family and society. Mainly society.
Religion appears as an imbalance, in a sense, fanaticism: an escape valve or lifeline for the needs of the time. This is a critical view, indeed, but convincing.
Profile Image for Vanita.
93 reviews33 followers
July 29, 2015
Se acham que são prolíficos em termos de linguagem, desenganem-se. Mário de Carvalho engoliu um dicionário quando escreveu "Um Deus passeando pela brisa da tarde" e o melhor é desistirem de consultar o dicionário sempre que se cruzarem com palavras novas e desconhecidas. Das duas uma: ou lêem este romance histórico ou renovam o vocabulário linguístico. Em cada frase, se houver duas ou três palavras e/ou conceitos que dominam, dêem-se por satisfeitos. É isso mesmo: "Um Deus passeando pela brisa da tarde" é uma viagem à língua portuguesa, uma descoberta fascinante de um mundo imenso. Mas vamos por partes.
Ao contrário do que possa parecer pelo que acabo de dizer, este não é um livro difícil de ler. Nem por isso. O léxico pode ser invulgar e distintivo, mas a linguagem é muito acessível e não é complicado depreender a grande maioria dos significados dos termos menos conhecidos. Ou seja, ler este romance é um exercício maravilhoso de descoberta e apreensão de novos vocábulos e formas de comunicar. Só por si, já vale toda a recomendação possível. É apenas a ponta do iceberg.
Comecemos pelo princípio. "Um Deus passeando pela brisa da tarde" é um romance histórico, cuja acção decorre durante o Império Romano, algures na Lusitânia, na fictícia Tarcisis, no século II d.C.. O protagonista é Lúcio Valério, o magistrado da desta cidade, um homem justo e honrado que vive o drama de tentar corresponder aos desígnios de Roma numa altura em que os primeiros cristãos começam a ameaçar a unidade e equilíbrio de todo o Império. A história vale sobretudo pela riqueza de pormenores acerca da vida quotidiana e organização estrutural, política e social, de uma cidade romana. Os hábitos e os ideais, as posturas e os códigos de conduta morais e as clivagens sociais são parte essencial deste romance que, nessa qualidade, se revela um instrumento poderoso para a transmissão de uma realidade apenas visível em achados arqueológicos. Ler e aprender, pode haver melhor do que isto?
O único senão deste romance reside na profundidade das personagens. Acompanhamos toda a trama pelo ponto de vista de Lúcio Valério e temos total percepção da sua angústia, mas falta-nos um contraponto que permita ter acesso a outras visões da história, que não quero aqui revelar. Um pormenor que não mancha a apreciação global: este é um livro que merece atenção e reflexão. Leiam.
Profile Image for Jane.
1,683 reviews238 followers
May 19, 2025
I first read this book in May this year [2013]. I just finished rereading it [July 2013] and I have increased the stars from 4 to 5. Reread again Sept. 2015 and no change in my opinion

Languid. Thought-provoking.

This novel takes place in the Roman province of Lusitania [present-day Portugal], in a small town, Tarcisis, which the author informs us never existed. We first see Lucius Valerius Quintius, the main character, in his country villa with his wife, Mara. Taking a walk along the riverbank, he sees a slave boy drawing a fish in the sand. Upon Lucius' questioning, the frightened boy runs off, spilling the berries he had been gathering. Later, back home, Lucius decides to write down what had happened when he had been duumvir [magistrate] in the town, in the days of Marcus Aurelius. Yes, there is "action", and plenty of it--the arrest of a bandit, an attack on Tarcisis by Moors from North Africa, a siege that follows, and discovery and trial of Christians.

The main thrust of the story is the psychology of Lucius's character. We read every thought, every doubt, every agony over every decision. Lucius is a good, honest, idealistic man, with his honorable code of right and wrong. He wrestles with himself. Sometimes his loving, loyal wife interjects her common sense.

He is attracted to and is obsessed by Iunia, the daughter of an old friend he had grown up with. She is the charismatic, zealot lay leader of Christians in the town. He doesn't know why he has the feelings he does and tells us so. Any interaction between the two is completely chaste. The story represents a conflict between idealism [Lucius] and Realpolitik [the other civil servants in authority, a candidate for the office of aedile, and a senator]. You could almost take it as an allegory for today.

The details of small-town life were described so marvellously and so vividly. What stood out was the moonlight walk Lucius takes with Aulus, the town centurion, along the walls of the town and the aqueduct. They are expecting an attack and want to investigate the walls for weakness. I also remember Lucius's visit to Rome with a delegation from his home town, years before. His private conversations, with Marcus Aurelius then and with the senator, years later, mirror each other.

Lucius was not 'heroic' but very human and very sympathetic. This novel was thoughtful and absolutely unforgettable! Most highly recommended!
Profile Image for Ana.
Author 14 books218 followers
May 29, 2021
Excelente! Que livro e que história! Adorei.

O autor leva-nos até Tarcisis, uma cidade romana da Lusitânia e à vida de Lúcio Valério, que apesar de duúnviro, é o único magistrado à frente dos destinos desta cidade.

Numa fase já de declínio do Império Romano, Lúcio vê a cidade ameaçada quer internamente (pelos cristãos e divergências políticas internas) quer externamente (por bandidos e ladrões de estrada bem como a ameaça de uma invasão "bárbara"). Enquanto isto, também Lúcio se confronta consigo mesmo enquanto homem, com as suas capacidades, fraquezas e limitações.

Uma história tão bem escrita, tão bem contada...pelo vocabulário, pelo pormenor, pela dimensão histórica e humana, por tantos factores, este foi um livro marcante, que não irei decerto esquecer e que se tornou desde já um favorito.

Fiquei com muita vontade de conhecer melhor a obra de Mário de Carvalho e a sentir uma urgência por ler Gibbon, terminar a Eneida de Virgílio e... ler o "Segunda Fundação" de Isaac Asimov!! (ver nota) 😁

nota: estou actualmente a participar num desafio de leitura de ficção científica e pensava que ao ler este livro me iria afastar completamente dessas temáticas. Nunca imaginei (não tinha lido nada sobre este título anteriormente, nem sequer a sinopse) o quanto esta história me iria fazer lembrar a série Fundação de Isaac Asimov, pelos seus paralelismos com o declínio e queda do Império Romano 😁. Para mim foi muito curiosa esta inesperada ligação.
Profile Image for Ozymandias.
445 reviews206 followers
February 25, 2019
I find that whenever I read a book translated from a foreign language I always ask myself the same two questions: Has it been translated into natural English? and Why was this book considered important enough to merit translation?

The first question can be answered easily enough: the translation is excellent. I’d never have recognized that this book was a translation if it hadn’t been emphasized so strongly in the introduction.

The second question is naturally more complex. What does this book bring that can’t be found in existing English-language books? And the basic answer is that it tells the story of small-town civic life in a backwater section of the Roman Empire. A simple thing, but I can’t think of many other books that even try. I suppose Pompeii and other books on that doomed town get into local civic life, but all as buildup for the main event. Quaint little murder mysteries (notably the Libertus series) deal with this type of setting all the time, but as much fun as it is to read them they always impose modern sentiments, and often institutions, on an alien world. Roman Wall is probably the closest existing novel to this one and its focus is on merchants and soldiers rather than civic officials. No, there really aren’t any books quite like this out there. And that’s a shame because I found it really engaging.

When I started this book I was expecting it to be about the Christian persecution, but this is actually an (admittedly important) subplot to the main story. The main drama comes from Lucius Valerius Quintus (our narrator) and his efforts to prepare the fictional town of Tarcisis, in what is now Portugal, for an invasion of Mauritanians from Africa. Lucius is the sole duumvir of the town (think a sort of dual mayorship) and spends most of his time struggling to live up to his responsibilities.

The charm of books like this is that it shows the everyday life of Romans in a way that lets us feel a part. There are too many books out there focusing on high politics and incidents of enormous grandeur, but almost nobody in the Roman world would have had any experience with that unless they joined the army and got “lucky”.

The downside of books like this is that everyday life isn’t inherently exciting. Would you read a book about your daily routine? That’s why such stories depend on good writing to make them work. And this book is very well written. You quickly feel like you’re a part of the soul of the town. Lucius’ concerns are understandable, and his long analyses of every action make him easy to empathize with. As someone who questions every decision he makes I can sympathize. Small-town politics aren’t inherently undramatic. There’s no feud quite like a petty feud. And for real-world consequences, the selection of town leaders is likely to have far more of an impact on the local populace than the emperor.

I like Lucius. He’s snooty, distant, and rather elitist (though no more so than his peers) but he’s honorable and has a clear-sighted vision of his duty. He latches onto the danger of the Moorish disturbances with astonishing speed for a man who’s never known anything but peace. And while he’s not exactly obscuring his irritation at the selfishness and shortsightedness of his peers, his efforts to behave with proper restraint and dignity rang particularly true. That much hasn’t changed drastically in 2,000 years. His problem is that he doesn’t really embrace anything beyond his duty. Crowd-pleasing games? Attending dinner parties? Persecutions? These are all things he thinks beneath him.

Like many good books there’s a strong message in here. Like great books that message is complicated and not entirely satisfactory. A simple reading of the text would seem to leave the lesson that it’s important for public figures to take into consideration of the needs and wants of the community. But as you think about it... is murdering people for sport just to appease the masses’ bloodlust really a good lesson? What about killing those who are different because they make people uncomfortable? The book raises a lot of questions and doesn’t provide easy answers. I like that better than a simple moral.

In terms of realism the book is pretty much flawless. The town is fictional and so (I think) is the Moorish invasion, but other than that the book dramatizes and humanizes what we know about everyday Roman provincial life. I greatly enjoyed seeing the small-town bickering of curiales, duumviri and decemviri. Their behavior lines up very well with the research I’ve had to do for my thesis and I know full well how hard some of these details are to find! The local government is suitably privatized in the hands of wealthy local elites, the authorities are responsible only for judging cases and not seeking out crimes, and the book doesn’t make the common mistake of having the bloodthirsty Romans toss executions around willy-nilly. It all felt much like it was.

I was captivated by this book from an early stage and disappointed to discover that this is the only work of this author translated out of Portuguese. Anyone seeking an account of life in a provincial Roman town is well-advised to seek this book out.
Profile Image for Inês.
217 reviews65 followers
November 1, 2015
(Depois de ler pela 3ª vez, obriguei-me alterar a classificação. É tão bom este livro.)

Esclarecem-se os incautos: «Este não é um romance histórico» porque o município de Tarcisis nunca existiu. Fica difícil de acreditar perante tão exímias descrições dos costumes e quotidianos de uma povoação do Império Romano no início do primeiro milénio: o que comem, como se relacionam, quem manda, no que acreditam, como se divertem, como julgam e o que toleram.
Lúcio Valério Quíncio é o duúnviro de Tarcisis. Será seguro classificá-lo como um homem justo, incorruptível, compassivo e dedicado, embora, talvez, demasiado alheado dos pequenos mexericos que percorrem as ruas de boca em boca e que o aproximariam das massas. A seu lado, Mara, companheira de e para toda a vida, uma mulher discreta com o dom de proferir ou calar as palavras certas nas ocasiões mais delicadas.
Sendo tudo isto verdade, por que razão desabafa Lúcio, logo no primeiro capítulo, os males que sofre no exílio («Nunca quis lembrar-me o meu exílio nem diminuir-me com a memória dos meus infortúnios.»)? Algo correu mal durante a sua governação que, justiça lhe seja feita, nunca desejou.
Lutar contra mouros torna-se, afinal, tarefa bem mais fácil do que lutar contra a deslealdade no seio da sua própria comunidade que se mostra agitada e, sem motivos, descontente. O aparecimento de uma seita - em tudo semelhante à religião cristã, dita «condenada como tantas outras modas a ser engolida pelos abismos do tempo. Fumos fátuos de um lume de palha…» - que entra em conflito com os preceitos romanos foi apenas o rastilho de uma explosão certa com data por anunciar.
Esta é uma história de princípios, de solidão e de lealdade. Mário de Carvalho escreveu-a como bem sabe, escolhendo criteriosamente os termos, explorando a riqueza da língua portuguesa, sem nunca deixar que isso lhe roubasse a objetividade de um enredo que critica duramente as esferas de poder populistas, corruptas e adeptas do compadrio.
Profile Image for Paulo Rodrigues.
254 reviews18 followers
September 10, 2023
Um Deus passeando pela brisa da tarde
De Mario de Carvalho

Lucio Valério Quíncio é o magistrado de Tarcisis, cidade romana da Lusitânia . Desastrado como politico e com uma paixão avassaladora por uma das maiores opositoras da sua governação, vários tumultuosos acontecimentos levam o caos e o descontentamento geral a esta pequena cidade.


A história nem parece muito trabalhada ou complexa à primeira vista, mas à medida que nos vamos afundando na escrita tudo se transforma com a genialidade que o escritor, através do protagonista e narrador Lúcio nos envolve .
Embora tudo se passe numa cidade fictícia, esta historia é intemporal. Podia muito bem ser hoje numa cidade portuguesa qualquer, uma empresa ou uma instituição governativa . Abordando o jogo do poder e as várias formas de corrupção, pressões ou chantagens, a beleza da escrita a forma quase poética levou-me a fazer uma viagem maravilhosa por Tarcisis.
Publicado em 1994 está mais actual que nunca esta obra magnifica e multipremiada de
Mario de Carvalho, um dos maiores escritores portugueses que estou a gostar de descobrir.
Leiam vale muito a pena...
Profile Image for Miguel Conde.
1 review5 followers
May 12, 2013
Between 4 and 5* I choose 5, although I cannot call it a true universal and classical masterpiece. I did choose 5 because it engaged me so much. Very well written, detailed but far from boring, this book gives you a good overview of what could be the politics and the mindframe of the Roman elite. At the same time you follow and understand (even when disagreeing) the personal thoughts, believes and doubts of the main character. If you are looking for a 'fast and furious' book don't look it here but this is far from being dull. Its 'slowness' allows you to feel part of the the environment. I for one couldn't wait to go back to it when I wasn't reading it.
32 reviews53 followers
December 13, 2022
Still five stars upon re-reading it. A masterpiece of great verbal precision. Talk about Saramago x Lobo Antunes if you want, for me it's Mário de Carvalho all the way.
Profile Image for Bryn Hammond.
Author 21 books416 followers
April 20, 2014
Quiet study of a magistrate in an out of the way Roman province, later Portugal. He’s devoted to Marcus Aurelius, who turns out to be more a realist than himself… I found it a believable novel, perhaps because it avoids the sensational. Not that it lacks plot or drama.

With this one I felt the need for a translator’s note. Maybe I ought to lie back and trust the translator, but in the early stages I was distracted by uncertainty over an oddity of expression, whether the equivalent is in the Portuguese… Our magistrate is writing memoirs. Near the end of the book, while trying to compose a missive fit for the eyes of Marcus Aurelius, he himself talks of his provincial style, his eloquence that comes out grandiloquence. I had before then decided that he tries to emulate the writings of Marcus Aurelius, not always felicitously (I thought of Dostoyevsky’s provincial narrators). But when it’s a translation and not an original before me, I’m more cautious in how to interpret stylistic features, and I wanted the reassurance of a report on these in the original -- or the translator's idea of them, that he has rendered in English.
Profile Image for António.
121 reviews7 followers
December 2, 2023
Há livros que exigem mais que outros. Uns proporcionam um prazer rápido e outros um sabor mais prolongado no palato da memória. Todos têm seu lugar, altura para serem desfrutados ou estado de espírito adequado. "Um Deus Passeando Pela Brisa da Tarde" de Mário de Carvalho encaixa no segundo lote.

Neste romance histórico espreitamos Tarcisis, uma cidade imaginária da Lusitânia do sec. II, região sob o domínio do império romano. Estamos numa altura crucial. Enquanto os mouros ameaçam atravessar o mar, começa a despontar uma seita inspirada num crucificado...

Mas este não é um livro sobre datas, mas feito de usos, costumes e valores. Através de reflexões e descrições do magistrado Lúcio Valério Quincio, Mário de Carvalho abre-nos uma janela ímpar sobre as vivências da época: os centuriões a passar inchados de dever, num canto mais recôndito os políticos a congeminar, escutados por um espião ou uma taberna a borbulhar de populistas. Fora das muralhas, ameaças que tiram o sono a Lúcio e ao longe, Roma, omnipresente. Tarcisis é uma cidade imaginária, mas eu estive lá.

No entanto, o destaque desta obra é esta personagem rica e bem construída, Lúcio. Um magistrado que governa Tarcisis e que vive imerso em dilemas sobre o cumprimento do dever e dos seus princípios perante sucessivos desafios. A somar a isso, sentimentos mal explicados por uma jovem que adensam as dúvidas sobre a sua conduta.

Em cima da escrita cuidada e clássica, Mário de Carvalho acrescenta-lhe outra camada de complexidade e de verossimilhança ao usar a linguagem e termos da época. O resultado é uma leitura mais exigente mas também mais recompensadora. Depois das primeiras páginas não consegui parar. É uma brilhante reflexão sobre a intemporal dificuldade de um homem recto em manter os seus valores numa sociedade insistentemente imoral.

É desta matéria que são feitos os clássicos. "Um Deus Passeando na Brisa da Tarde" é uma pedra preciosa em bruto, que tem de de ser lenta e cuidadosamente lapidada para brilhar em todo o seu esplendor.
Profile Image for Betty.
408 reviews51 followers
August 16, 2020
About two-thirds through the story, set in the town of Tarcisis in Hispania during Roman rulership in AD, the suspenseful action and narrative started building. It became a magnet to draw me to pick up the book again. The earlier part introduced how the city functioned when presented with several conflicts—some of which flowered larger later in history. Moors became the ruling occupants in Lusitania, and Christianity replaced the pagan religion of Rome. There are many characters, but the duumvir narrates. He is one of two magistrates, as that name implies. The story points out their rivalry when supporters' loyalties change between them in response to the nascent Christian sect. And the cagey son of a freedman rises through the political ranks, stirring up the general public's religious intolerance and lust for savagery. There also are gentler heroes, among whom is the duumvir. His psychological portrait, home life, official duties, and the small rituals of his office put the reader in a different era. The prolific works of the author Mário de Carvalho mostly do not have an English translator. This particular translation by Gregory Rabassa is rare, and the novel also is a winner of the Pegasus Prize.
Profile Image for Carlos Silva.
Author 41 books44 followers
November 12, 2012
Nunca fiz uma review a um livro, mas deste tenho a dizer que me marcou pelo modo como me revi na personagem principal.

Embora com defeitos, ele é um herói e um péssimo líder, embora as suas acções sejam (a meu ver) as mais correctas a fazer. O que lhe falta para a liderança é a empatia, a capacidade de hipocrisia ou ignorância que falha a muito boa gente.

Hoje em dia, os bons políticos não chegam ao poder porque não são bons líderes.

É uma pena.

Por outro lado, temos forças que o que desejam apenas é ser açoitadas para provarem que quem os açoita é mau. Mas quem é pior? O que castiga ou o que obriga ao castigo?

Este livro, embora se refira a um tempo passado, fala do presente.

Fiquei muito bem surpreendido com Mário de Carvalho.

Profile Image for Luís Queijo.
322 reviews27 followers
July 28, 2021
Lido com algum “sacrifício”, serviu para chegar a alguma conclusões. A primeira de todas é que a ficção histórica, para mim, teve a sua época (e li bastantes livros o que talvez me tenha feito cansar do género). A segunda, é que Mário de Carvalho, de quem nunca tinha lido nada, é um autor com um vocabulário vasto e que não se coíbe de o usar na construção muito elaborada de uma prosa que, talvez devido a estes factores, se torna cansativa e maçadora. Por último, é inevitável a comparação com João Aguiar, seu par em idade (foram colegas de escola, pelos vistos) e em género literário. Nesta comparação, a minha preferência vai, claramente, para João Aguiar que, com uma escrita mais ligeira e histórias mais fascinantes, cativa muito mais.
Lê-se, se não houver melhor.
Profile Image for Filomena Barradas.
4 reviews2 followers
July 19, 2011
A sequência de abertura de Um Deus Passeando na Brisa da Tarde é absolutamente fabulosa. Mário de Carvalho, popular e erudito, consegue dar à frase o ritmo certo, evocativo de frases latinas, lidas em Cícero ou noutros autores clássicos.
Viaja-se até um tempo em que Portugal não existia. Era uma parcela de terreno do Império Romano. E um dia, um Deus aparece passeando na brisa da tarde (uma tarde alentejana, penso eu, cheia de calor e silêncio) e tudo muda.
Profile Image for Pedro Valente.
2 reviews1 follower
August 7, 2021
"Um Deus passeando pela brisa da tarde" transporta-nos até à época do império Romano, à alentejana cidade de Tarcisis. Aqui, acompanhamos Lúcio Valério Quíncio, duúnviro (a autoridade máxima da cidade), numa prosa que nos permite vivenciar intimamente as suas emoções, inquietações e reflexões enquanto notícias externas de invasões de mouros e o surgimento de um novo culto no interior das muralhas levam a uma série de agitações na sua vida magistral e até nos seus princípios de romanidade.

Esta é a primeira obra de Mário de Carvalho que leio e, portanto, não conhecendo a habitual abordagem do autor ou as suas características devo começar por enaltecer a particular riqueza lexical de "Um Deus passeando pela brisa da tarde". Este livro �� um verdadeiro dicionário escrito na forma de prosa.

A imensidão de vocábulos que substituem os termos mais corriqueiros enaltecem a imensidão que é a língua portuguesa e facilmente entusiasmam o leitor mais aficionado. Contudo, penso que numa fase inicial de leitura é preciso adaptar-se minimamente ao estilo de prosa presente. Um leitor menos assíduo poderá não se estimular tanto pela densidade lexical e mesmo por toda terminologia inerente associada à época romana.

Relativamente à intriga, Mário de Carvalho apresenta-nos um clássico conflito de ideias onde através dos olhos e pensamentos de um verdadeiro romano observamos os primeiros sinais de um império em decadência. Se o protagonista procura obedecer uma dada conduta de valores, mesmo que estas normas ponham em causa o significado de ser Romano, a sociedade que o rodeia vê-se impregnada justamente numa cega crise moral e social.

Das melhores obras em português que já li.
Profile Image for João Roque.
343 reviews16 followers
November 14, 2016
Este livro do consagrado autor português Mário de Carvalho é surpreendente.
"Um deus passeando pela brisa da tarde" (belíssimo título) é uma ficção, convém desde já dizer, e não um romance histórico.
Mas o autor coloca a sua história num tempo e num espaço muito específicos e de certa forma inesperados no conjunto da sua obra. O tempo é o século II(DC), quando em Roma o poder estava centrado em Marco Aurélio, o espaço é uma cidade fictícia na Hispânia romana, cidade pequena e sem grande importância na imensidade do Império Romano.
A história baseia-se na forma, justa e de certa forma desajustada(segundo os parâmetros de Roma) como o único duúnviro (magistrado) da cidade exerce a sua magistratura e também como é posto à prova pelo aparecimento das "novas religiões" que se opõem aos deuses romanos.
Curiosamente a "nova religião" aqui focada, não é completamente decalcada do cristianismo, mas tem-no como base.
É simplesmente notável a forma como Mário de Carvalho se documentou sobre a época e sobre o espaço, e mais parece um "expert" em assuntos romanos.
Depois é a habitual mestria com que MC manuseia as palavras, consagrando-o definitivamente como um dos grandes escritores da actualidade.
490 reviews4 followers
August 22, 2014
I was intrigued by the opening of this book which takes place during the time of the Roman emperor, Marcus Aurelius. The author begins by stating the book is not a work of historical fiction. I kept that statement in mind as I read the novel and, I concluded, he was correct.

The book is more an allegory of the human condition - of good people trying their best to get through life despite invading barbarians, local bullies, the selfish and narcissistic, the weak and foolish. It wasn't a "I can't put this down" kind of a book until the last 30 pages or so, but still a worthwhile read I will think about for a long time.
Profile Image for Armando Rodrigues.
38 reviews7 followers
December 25, 2014
Mário de Carvalho escreve que este não é um romance histórico, sobretudo por tratar de personagens fictícias numa cidade fictícia. Em todo o caso, a linguagem, os objectos e a vivência do dia a dia estão corretíssimos de acordo com a época, levando-me precisamente a classificar este romance dentro do gênero histórico. Tudo o mais, é apenas a genialidade a que o autor já me habituou.
Profile Image for Liz Davidson.
540 reviews29 followers
July 11, 2022
This book absolutely floored me with its slow, quiet beauty. I picked it up knowing that it was historical fiction about ancient Rome, which is always interesting to me because I am a trained historian and Latin teacher. But this was a lot more meaningful than an amusing jaunt through the ancient world.

The main character, Lucius, is an idealistic man who is really trying to do the right thing, the Roman thing—even if this means losing ground socially and politically. The book lets you sink into the world he inhabits, full of new men scrabbling for power, magistrates who don't take their work seriously, and a senator who has seen better days but who holds on to a lot of local power. He's dealing with an enemy invasion outside of his city, and turmoil within that is created by a group of Christians who enrage the local populace. Their ringleader, Iunia, is the daughter of one of his old friends, and he finds himself feeling protective of and captivated by her—as well as incredibly frustrated.

Lucius is a deeply compelling character, and even when I didn't agree with his choices, I understood them. I was also really impressed with how well this book captures various attitudes and aspects of Roman life. Everything from the social hierarchy to the Roman irritation with Christian stubbornness rang true, and I absolutely loved it.
Profile Image for Marta Clemente.
757 reviews20 followers
June 11, 2023
Peguei neste livrinho porque foi um dos escolhidos para este mês no desafio 1001 livros para ler antes de morrer, da @cat.classics e da @n_soliloquios. O início foi difícil. Custou "entrar" na escrita do Mário de Carvalho. Fez-me recorrer ao dicionário e reler parte do primeiro capítulo para conseguir começar a entender alguma coisa. A história passa-se em Tarcisis, na Lusitânia no século II dc. (Segundo o autor isto não é um romance histórico porque este local nunca existiu.)
Lúcio Valério Quíncio é o magistrado da povoação, ou seja um dos seus dirigentes máximos. Tarcisis atravessa uma época tumultuosa e Lúcio tem que tomar todas as decisões, enquanto uma série de acontecimentos conduzem a pequena cidade ao descontentamento geral. Ao mesmo tempo enfrenta um ataque dos mouros e uma nova seita de seguidores de um homem que viveu 2 séculos antes na Galileia e que se dizia filho de Deus. A sua obsessão por Iulia, a principal seguidora do filho de Deus, perturba-o ainda mais, mas Lúcio cumpre o seu dever, não conseguindo no entanto deixar de ser desterrado para a sua quinta.
Acabou por se tornar numa leitura bastante agradável. Vou com certeza ler outros livros do autor.
Profile Image for Norberto del Castillo.
85 reviews3 followers
December 24, 2022
Estupendo libro. Muy disfrutable, a la par que complejo.

Con este tipo de lecturas uno debe darse cuenta de que hay tanto por aprender…que la vida, esta vida, es corta, y da para lo que da.

El vocabulario y los tecnicismos que utiliza pueden echar para atrás, pero a mí me ha servido de aliciente para seguir llenando la faltriquera de riquezas léxicas.

El tema que trata es peliagudo, como todo lo que tiene que ver con el ser humano en su esplendor. Roma fue mucho, y el cristianismo vino a desmenuzar una estructura que sufrió los envites de una sociedad cambiante.

Especial reconocimiento hacemos al enfoque que el autor da acerca de la realidad Clásica. Se trasluce mucho tiempo de estudio y análisis, aderezado con una narración muy original, haciendo uso del famoso “flashback”.
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September 11, 2024
I know I have read this book at least twice but the last time is still more than a dozen years ago, too long to discuss this novel wisely but not long enough for me to forget how wonderful it was. For those, like me, with shelves filled with books I have read it is salutory to be reminded of the treasure waiting to be rediscovered. This is a superb novel, it is one I will reread soon, and it is a novel I have no hesiutation in recommending to everyone.
Profile Image for Michael Heath-Caldwell.
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January 26, 2018
A fictional account of Roman provincial government infighting and inability of work together in coastal Spain at a time of great threat from an invading disorganised horde from Northern Africa. Gives a good evocation of life in Roman times - for the well to do. For more information on what life was like for the drudgery of the lower classes, slaves etc I suppose one would have to look at the Bible?
Profile Image for José Maria Archer.
2 reviews5 followers
December 7, 2020
Romance histórico magistral de Mário de Carvalho, que nos transporta para a Lusitânia romana do século II, para a fictícia cidade de Tarsisis e para as desventuras do duúnviro Lúcio Quíncio. Imperdível narração, especialmente para os amantes da História.
Profile Image for Jorge.
10 reviews
March 23, 2023
Depois de lidos "Era bom..." e agora "Um deus...", Mário de Carvalho tornou-se um dos meus autores favoritos.
Este livro, em especial, é realmente mais complicado e rebuscado em termos de vocabulário, o que se justifica, talvez, pela época que retrata. Em vez de simplificar o texto utilizando substantivos atuais, o autor apenas traduz os nomes da época. Por exemplo, um banquinho é tratado por "escabelo". Isso acontece com todos os objetos e títulos sociais, como o próprio cargo de Lúcio: "Duúnviro". Essa opção linguística, antes de denotar pedantismo, cria o clima adequado para o momento histórico retratado. Ultrapassada essa barreira, o livro corre deliciosamente.
Lúcio Valério Quíncio, Duúnviro de Tarcisis - cargo que acumularia, grosso modo, as funções de prefeito, juiz e legislador da cidade - precisa lidar com uma população há muito acostumada com a grandeza e aparente perpetuidade do Império Romano. Obrigado a exercer o duunvirato sozinho, após a morte do seu companheiro de múnus, Lúcio tenta exercer seu ofício seguindo os preceitos estóicos, num momento em que o estoicismo tende a desaparecer com Marco Aurélio. Lúcio prega parcimônia e racionalidade enquanto o povo clama por jogos e sangue; Lúcio preocupa-se com a iminente invasão bárbara, enquanto os bem-nascidos se batem para manter seus privilégios.
Ponto alto do livro é a forma como o cristianismo aparece e é retratado: como uma seita minúscula de poucos adeptos, mas barulhenta, pelas ações dos seus convertidos de primeira hora. Vemos em ação os primeiros cristãos novos. A ascensão dessa turba demanda do Duúnviro uma reação, exigida pelos cidadãos. Muitas das melhores reflexões de Lúcio decorrem da tentativa de lidar com a nova seita - igual a tantas outras, mas com grande apelo popular - que ameaça a ordem e a tranquilidade da cidade.
Profile Image for Margarida Ler por aí....
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April 20, 2020
https://lerporai.com/lusitania-2016/

Ler por aí… na Lusitânia, Portugal Romano

Caro Mário,

Permita-me perguntar-lhe: onde imaginou Tarcisis?

A Lusitânia, província do império romano, ocupava o sudoeste da península ibérica. Em Tarcisis, cidade da Lusitânia, estamos seguramente, afastados do Guadiana e do mar: as cinzas de Trifeno “seriam lançadas lá longe, no Anas”; e a certo ponto chega “um carregamento de garum e sardinhas frescas do litoral”.

O Mário refere outras cidades da Lusitânia – Emerita (Mérida, a capital da província romana da Lusitânia), Miróbriga (perto de Santiago do Cacém), Ossónoba (Faro), Vipasca (Aljustrel) – que ficam assim excluidas das possibilidades – seriam sempre excluidas, uma vez que Tarcisis é uma cidade ficcionada.

Assim, Tarcisis representa uma qualquer urbe romana da Lusitânia e, espero que não o incomode, Mário, sinto-me livre para a situar no Baixo Alentejo. Não encontrei referências a Mirtilis Julia (Mértola), nas margens do Guadiana. Ocorre-me aquela passagem em que o nosso protagonista se afasta de casa e deambula pela margem do rio. No entanto, tinhamos concluido que o Anas era longe. Mesmo assim. Nesse passeio junto ao rio, vemos aquela criança, “um escravozito apanhava amoras”. Um pormenor, ou uma pista?

Por outro lado, não me recordo de nenhuma referência a Pax Julia (Beja). É nas imediações de Beja que descubro umas ruinas, em razoável estado de conservação (para umas ruinas romanas), as ruinas de Pisões. Imagino que estas ruinas são da casa de campo (de exílio) do nosso Lúcio Valério Quincio. Poderiam ser, não poderiam, Mário?

Seja como for, e onde quer que se situem estes lugares na imaginação de cada um de nós dois, estamos num território ameaçado, e isto faz-me tanto lembrar os dias que vivemos, Mário: perante a ameaça séria, de invasões bárbaras – dos mouros da Tingitânia (no Norte de África), o povo prossegue na sua vida quotidiana, entretido com assuntos que hoje classificaríamos como mediáticos, enquanto os homens influentes manobram a opinião pública, e se recusam a participar nas decisões da cidade. Este homem, o nosso protagonista, o dúunviro Lúcio Valério Quincio, vê-se abandonado à solidão do poder, carregando sozinho o peso de decisões difíceis, e por fim condenado ao exílio.

Seja onde for esta cidade, encontramos nas suas páginas uma sociedade que se orgulha da sua romanidade, e não abdica da sofisticação civilizada dos detalhes, mesmo sem ter ao seu dispor, como nós, a sofisticação dos meios e da tecnologia. Assim, Lúcio manda “atear o hipocausto”: para que houvesse água quente nas termas, era necessário fazer lume. São pormenores de que gosto, Mário, que nos traz sem fazer deste livro uma feira de antiguidades romanas.


Mário de Carvalho

Mário de Carvalho nasceu em Lisboa em 1944, numa família com origem no Alentejo. Em criança, presenciou de forma muito próxima (na pessoa do pai) a opressão do regime do Estado Novo, e enquanto estudante envolveu-se em movimentos contra o regime, chegando a ser preso e torturado. Partiu para um exílio em Paris e em Lund, na Suécia, de onde regressou logo após a revolução de 1974. Publicou o seu primeiro livro – Contos da Sétima Esfera – em 1981, na Vega. Segue publicando, com perto de 30 obras elencadas na sua página pessoal (http://mariodecarvalho.com), traduções em dez línguas e muitos prémios. Um Deus Passeando pela Brisa da Tarde foi publicado pela primeira vez em 1994, pela Caminho, e conta quatro prémios: o Grande Prémio de Romance e Novela APE/IPLB, o Prémio Fernando Namora, o Prémio Pégaso Internacional de Literatura e o Prémio Literário Giuseppe Acerbi.


Lusitânia

Já não somos os lusitanos, e Portugal já não é igual à Lusitânia. O que somos hoje é a soma do que foram a Lusitânia e os lusitanos (que por sua vez já eram a soma de muitas e diversas culturas, que já cá existiam e que chegaram antes dos romanos) com as culturas e povos que entretanto chegaram após os romanos. Ainda assim, é grande a herança romana, e resistente. Mais na sua manifestação cultural imaterial, não tanto no aspecto material. De facto, neste temos sobretudo ruinas e cacos.

As ruinas de Pisões, nos arredores de Beja, constituem um importante documento da romanidade lusitana. Na parte doméstica, podem ver-se, alguns bastante bem conservados, mosaicos no chão e frescos nas paredes, e a zona termal, segundo Carlos Castela, do blog Portugal Notável (http://portugalnotavel.com), poderia voltar a funcionar apenas com pequenos trabalhos de reparação.


Margarida Branco
© Ler por aí… (2017)

https://lerporai.com/lusitania-2016/
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