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Triste não é ao certo a palavra

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Um diário, centenas de fotografias e sessenta e oito cartas é tudo que G. tem de sua mãe, além das lembranças de um passado comum. A caixa de papelão que contém todos esses elementos guarda também as expectativas e as angústias de um filho que tenta construir sua própria identidade e recuperar o contato que se faz ausente.
Partindo em busca dessa mulher ― de quem ela foi antes da maternidade, da mãe que nasceu com ele, dos mistérios da individualidade ―, G. revira bulas de remédio, diagnósticos médicos, mapas astrais, redige cartas, e-mails, questiona a si mesmo. E conclui: “Escrevo e envio esta carta para você para tentar reencontrar, em minha própria voz, a tua.”
Neste sensível e ousado romance de estreia, Gabriel Abreu monta um emocionante quebra-cabeças de registros, afetos e lembranças que apenas um filho, em vias de perder a mãe, pode ter.

208 pages, Paperback

Published April 5, 2023

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Gabriel Abreu

6 books2 followers

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Community Reviews

5 stars
24 (17%)
4 stars
48 (35%)
3 stars
48 (35%)
2 stars
12 (8%)
1 star
2 (1%)
Displaying 1 - 25 of 25 reviews
Profile Image for Felipe.
Author 9 books64 followers
October 21, 2024
'Triste não é ao certo a palavra' tem 55 capítulos, estilhaçados em procedimentos diversos. Um narrador criança, inventado por sua mãe, um filho enlutado que lê cartas e inventa uma mãe, as palavras que outra pessoa diz, bulas de remédio, análises técnicas. Inúmeras maneiras de contar, e no entanto somente ao chegar ao capítulo 54 todo aquele jogo ganha um sentido, um arremate amargo. O escritor assume a impossibilidade de ser salvo pela palavra escrita, a impossibilidade do livro mudar o mundo. O presente e o futuro são feios e tristes, mas o passado plantou alguma coisa de relevante em nós. Talvez seja o maior trunfo de Gabriel Abreu, essa rasteira, esse olhar franco para o mundo e suas dores. Compensa um pouco a certa falta de coesão (e às vezes o vocabulário menos que inspirado) que atravessa a duração do livro. Bonito, de qualquer forma.
Profile Image for Gabrielle Cunha.
438 reviews116 followers
March 31, 2024
Mesmo com muitos elementos interessantes (a relação mãe/filho, a ausência, intertextualidades) a historia em si não me conquistou.
Profile Image for Bernardo Vailati.
95 reviews8 followers
June 5, 2023
Três e meio arredondado para baixo.

O projeto se apresenta como a busca e reconstrução de uma mãe que mingua sob o peso de uma demência precoce e se aproxima da morte, mas ela nunca é de fato posta, sequer verdadeiramente procurada.

A narrativa se estrutura ao redor da descoberta de uma caixa com cartas e fotografias que a mãe guardou, mas nada indica que esse material era particularmente importante para ela, que dirá uma substância mínima para explicar e apresentar essa mulher.

A morte poderia dar o estopim para uma investigação muito mais profunda, mas ela nunca chega lá.

Conforme o livro se desenrola o material que é posto é muito mais uma autobiografia que uma biografia (e, diga-se de passagem, é difícil fazer uma autobiografia para alguém de 28 anos, a idade que o autor/narrador parece ter). São as cartas que falam sobre ele, é a visão do dia-a-dia dele, ele volta a casa de infância dele...

O narrador procura a mãe ou um alívio para o seu medo e nojo da velhice, adoecimento e morte? Uma forma de se reconstituir, de se fincar no mundo?

Se por um lado a estrutura de pequenos capítulos entrelaçando cartas, fotos, uma ficção em terceira pessoa, emails, bulas, etc, cria uma ritmo e uma intertextualidade muito rica, o projeto em si, de uma perspectiva humana, existencial, me deixou querendo muito mais.
Profile Image for Alfredo.
470 reviews602 followers
July 1, 2023
A proposta é legal, mas senti que chegou um momento, lá pela metade, que o livro quis parar para me explicar o que ele estava tentando contar. Eu já sabia, ué, eu estava lendo!

Não funcionou comigo.
Profile Image for Andre Aguiar.
487 reviews120 followers
Read
April 16, 2023
sou tomado por uma ânsia inquietante de fabricar também esses vestígios, de sair polinizando minha presença e deixando rastros - e passo a noite escrevendo cartas para amigos.
Profile Image for Pedro Gomes.
79 reviews2 followers
March 7, 2024
Quando leio uma autoficção(ou diários, ou mesmo primeira pessoa), busco nas palavras uma proximidade proibida. O desejo quase erótico de ler algo que não se pode. A sensação desagradável de estar próximo demais de quem não se conhece. Sentir culpa, asco, até nojo, até compaixão, até mesmo empatia quando alguém é humano demais e erra e escorrega e se estraga como todos os seres humanos. Não senti isso nesse livro. Talvez por defeito de narração do autor, talvez por desatenção minha.

No entanto, uma frase saltou bastante aos olhos algo compartilhado: “A decadência irônica que planejara a própria imagem começa a lhe incomodar como falência real de suas expectativas”. De fato, o cinismo e a ironia são armas modernas pra tentarmos encarar o mundo, especialmente agora. Também, são distâncias e desertos das palavras e das coisas. A ironia não acessa, não arde e não brinca. Também não comete erros. Não fede. Não escreve livros. Ela é outra coisa.

(O que não impede de que tenham passagens desse livro belíssimas. A maneira com que o autor descreve as cenas, especialmente no Sul, é comovente. Mas não posso deixar de pensar que quem escreve é a imagem que o autor tem de si mesmo, não o autor em si. Tudo é muito pudorado. A ideia do livro é buscar uma lembrança da mãe que já não está presente, porque deteriorada pela doença. No entanto, também é uma mãe que abandona e abandonou, mesmo que sem culpa. Não há raiva no livro. Não há culpa no livro. Como?)
Profile Image for Fernanda Fujiki.
71 reviews1 follower
March 14, 2024
De forma tocabte e sensivel o autor expoe uma tentativa de reconstrução de alguem fradativamente “apagado” por uma doenca neurologica. A busca e reconstrucao de quem foi a pessoa traduzida atraves de imagens e pequenos escritos/cartas seria possivel?
Profile Image for Fayne.
271 reviews13 followers
April 12, 2023
Obrigada NetGalley e Companhia das Letras pela cópia digital deste livro em troca de uma resenha honesta.

Li esse livro em menos de 3 horas, abri o arquivo no Kindle e comecei a ler as primeiras páginas para me familiarizar e quando percebi já tinha avançado 20%.

No geral gostei da história, parece confuso, muda de perspectiva na narração, ora lemos uma história em terceira pessoa, ora cartas, receitas, descrições médicas, ora um filho falando diretamente com a mãe que ele não consegue estabelecer comunicação. É um retrato do processo de tentar conhecer alguém que não tem condições de se apresentar.

Existe um momento na vida em que percebemos que nossos pais são seres humanos. Que a pessoa que nos trouxe ao mundo existiu antes disso.

O autor tenta retratar essa confusão mental, o quebra cabeça que são as memórias que ele tem acesso, mas apesar disso achei que a história como enredo tem algumas pontas soltas. De qualquer forma, é um bom livro de estreia.
Profile Image for Fellipe Fernandes.
224 reviews16 followers
July 20, 2023
Não é uma biografia, tampouco uma autobiografia. É preciso despir-se das fichas catalográficas para entender, ou melhor, para sentir este livro. Ele é uma mapa investigativo, é um reconhecimento de que, mesmo diante da nossa própria história, o que nos sobram são lacunas, invenções, projeções que confrontamos com a realidade. Para quem está acostumado ao tradicionalismo narrativo com início, meio e fim, acompanhar uma investigação, esmiuçando quaisquer vestígios, de bula de remédio a cartas de amor, requer também de nós, enquanto leitores, um desprendimento comunicativo. Não cabe a nós preencher os espaços vazios ou desembaralhar os novelos. O que nos cabe é entender o que fazer com as nossas próprias mazelas e desafios uma vez que entendamos que, diferentemente do que pensamos com frequência ao usar o sentimento para justificar qualquer ação ou falta dela, triste não é ao certo a palavra. Lindo livro.
Profile Image for Jan.
142 reviews3 followers
October 10, 2024
"(...) tento voltar e repetir os teus passos como uma criança que se esforça a encaixar os próprios pés nas pegadas maternas que encontra impressas na areia."

Estive pensando bastante nas estrelas que atribuiria a este livro. Diversas vezes, em diversos outros pensamentos que escrevi sobre outras obras, relatei que a avaliação em notas objetivas - estrelas ou números - acabam sendo falhas. É o que sinto ao precisar preencher as estrelas sobre este livro.

Não tenho certeza se o autor construiu a narrativa a partir de sua própria história - e, consequentemente, de sua mãe - ou se a narrativa e os acontecimentos são inteiramente ficcionais. Sinceramente, a segunda opção é aquela da qual duvido muito. A metalinguagem aqui é muito clara para ser algo apenas inventado, apenas construído de uma percepção longínqua. Acredito que Gabriel teve contato com o que descreve a ponto de criar um horror tão grande pela situação que, o máximo que pôde fazer neste livro, foi justamente se distanciar ao máximo dela. Não há como culpá-lo: um filho, que viveu com uma mãe saudável, de repente precisa assistir à sua deterioração física e mental, como vê-la apodrecendo em vida, sem poder fazer nada para que a situação seja revertida - é o que acontece, em um dos últimos capítulos, ao descrever a cena na qual há saliva escorrendo de sua boca e fezes na fralda que a equipe de cuidados troca. É difícil humanizar os pais. É difícil não enxergá-los como eternos e intocáveis. Dói reconhecer que, assim como nós, são perecíveis, frágeis, e que podem desintegrar-se a um simples toque.

Acredito, então, que compreendo o ponto do narrador: ao querer reconstruir a mãe, as suas memórias, redescobri-la em sua vida enquanto ainda tem e teve tempo, e descobri-la quando ele próprio ainda não existia, jamais seria possível. Há toda uma vida a qual jamais se é permitido ter acesso; este acesso é ainda mais proibido quando, à sua frente, já se estende uma inevitável e visceral partida. Mergulhar no passado, no que existiu, e que não poderá mais ser reconstruído, seria encarar de frente, sem barreiras, sem escudos, a realidade como ela é, tão escaldante quanto o brilho do sol que queima os olhos ao simples encontro das íris. Isto é evitado a todo custo, inconscientemente. Este não é um livro completo. Não é uma ideia completa. É o que poderia ter sido, finalizando com o melhor que se pôde fazer de uma ideia que se tinha. Considerando as circunstâncias, não há nada de errado com isso.

Quanto à parte puramente literária, acredito que partes da estrutura do livro poderiam ter sido melhor trabalhadas. Sei que, considerando a história, a intersecção poética de confundir as vozes de mãe e filho, em certo momento, poderia ser um acerto. No entanto, na disposição dos capítulos, fica somente bagunçada. Não é em todos os momentos que isso acontece, mas, na prática, havia maneiras melhores de encaixar uma ideia que, no rascunho, era mais organizada e compreensível.

Assim como outros leitores, também tive alguns problemas com o narrador. Não há, exatamente, um pano de fundo de como era sua convivência familiar. A relação com o pai era fria, e consigo compreender que, até certo ponto, por não ser este o foco do livro, ela poderia - como é - ser deixada de lado. Contudo, e a relação com a mãe? Esta, sim, é crucial, e não fica clara na narrativa. "Vivia entre a carência da mãe e a escassez do pai (...)", diz o narrador. Mas que carência? A princípio, a relação do protagonista com a mãe parece ter sido um fardo a vida inteira - não para ela, mas para ele. Fiquei, então, com a impressão de que ele estava, na verdade, correndo atrás de um tempo perdido, ocasionado em grande parte pelos seus próprios erros. É um personagem com o qual apenas há conexão quando ele escreve para a mãe, momentos nos quais surgem seus pensamentos mais bonitos. Os horríveis também seriam bem-vindos, mas não aparecem. Ele pisa sobre ovos, até mesmo para falar de si mesmo. Creio que saiba que, assim como demonstrou em poucos capítulos de seus pensamentos sobre quem ele era, não consegue ser interessante, tampouco busca a simpatia de ninguém. Ele brilha apenas quando fala sobre sua mãe. Talvez isso diga muito sobre ele, mas mais ainda sobre ela.
Profile Image for Ádrian.
Author 2 books24 followers
April 19, 2023
Crescer e perceber que ainda não sabemos exatamente quem somos é uma das piores coisas do mundo. Gera uma ânsia horrível essa sensação de que tudo que está na nossa volta na verdade não bastou para pudéssemos nos tornar algo além de desconhecidos.

É nessa ânsia por se encontrar e se entender que G. investiga a vida da mãe, alguém do qual ele precisa de despedir logo, mesmo que não tenha a perdido completamente.

Só que é difícil. É difícil se despedir de alguém que convivemos a vida toda. É difícil perder alguém que sequer conseguimos encontrar em sua totalidade. É difícil ter esse alguém ao mesmo tempo em que ele se esvai aos poucos sem que possamos fazer nada.

Gabriel Abreu torna isso melancólico. A sua versão de encontrar a si envolve reencontrar alguém que ele teve contato sempre, alguém que ele imaginou ter por muito mais tempo. A única chance de se encontrar e entrar em termos o suficiente para que possa se conhecer o necessário para conseguir se despedir é partir em uma investigação dolorosa e que é transferida para cada página desse livro, até mesmo nos momentos mais monótonos onde nada parece acontecer efetivamente.

'Triste Não É Ao Certo A Palavra' é um retrato triste, melancólico, emocionante e libertador sobre a bagunça da mente de alguém que tenta organizar o que sente para poder se despedir e se encontrar em um dos momentos mais difíceis da vida. É sufoco e liberdade. É a sensação de sair e tomar um banho de chuva depois de muito tempo preso longe do que gosta. A sensação triste de despedida com a emoção do encontro.
Profile Image for Matheus Fogaça.
45 reviews
June 21, 2023
[SPOILER]
Nota 2,5 ⭐️ que com muita força de piedade chegaria a 3 ⭐️.

O livro se propõe a retratar um rapaz nos seus 28 anos anos que descobre uma caixa onde se acumulam algumas memórias arbitrárias e outras escolhidas por sua mãe por alguma razão. A impressão que dá é de que a mãe acaba de falecer, mas na verdade ela está em um quadro demencial que a cada vez se agrava mais e esse encontro do filho com a caixa viria cumprir o papel de reconstruir as memórias perdidas no lugar daquela que perdeu a memória para aquele que não estava lá em parte delas.

Acontece que nesse ínterim o personagem principal é apresentado como insosso e sem personalidade, de um caráter arrogante e prepotente. A mãe, de quem esperamos uma reconstrução da história por meio de suas memórias físicas, e por esse efeito uma reconstrução na história do personagem principal, sequer é apresentada e aprofundada.

As passagens que visam uma construção dessa narrativa são fracas e sem profundidade, o objetivo que a história visa a cumprir sequer chega perto de se concretizar, e o personagem principal vai se apresentando cada vez mais como uma pessoa que não gera afinidade durante a leitura. Não chega nem perto de realizar aquilo que se propõe.

O livro se arrasta inteiramente sem que qualquer revelação ou construção seja feita no sentido de criar uma empatia com os personagens ou desvendar alguma particularidade da relação que gere algum tipo de vínculo com a história. Tudo é extremamente superficial.

Estava com uma certa expectativa pro livro que não se cumpriu. Deixa muito a desejar.
This entire review has been hidden because of spoilers.
Profile Image for Yan Loureiro Chaves.
87 reviews10 followers
June 1, 2023
Pra mim ele não foi uma leitura incrível, mas não deixa de ser um livro bom. Ele é 100% focado na jornada e não no destino em si, e isso já fez com que eu gostasse muito mais dele.

Ao mesmo tempo que eu gostei da narrativa e a maneira como o autor traz elementos diferentes para construir a história, eu achei essa escolha meio estranha e confusa em alguns momentos.

Dicas de livros e séries:
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Profile Image for Janaína Steiger.
17 reviews
November 13, 2023
Uma leitura bonita e com construção interessante. A partir de fotos, memórias e diferentes linguagens (poética, epistolar, técnico-científica...), Gabriel nos conduz na história e relação de uma mãe e um filho, cujas vozes misturam-se e dialogam. Fiquei com vontade de ler mais. Em alguns momentos no decorrer do livro, querendo demorar mais. No final, talvez como efeito desse próprio fim, tão precoce quanto tardio e inadjetivável.
Profile Image for Ana Morete.
2 reviews1 follower
January 8, 2026
Acho que Gabriel consegue traduzir bem o luto, prévio e póstumo: triste, sozinho, incompleto. Vi alguns reviews se queixando da falta de objetividade, mas o luto é mesmo de uma incompletude sem fim. Trata mais da tentativa do que do acerto, da dificuldade em se conformar com um fim - que ainda não chegou, mas com certeza chegará. Ficam sempre as dúvidas, os “e ses?”, o ódio pelo curso implacável da vida que a gente não escolhe.
3 reviews
January 21, 2026
Um filho, encontra uma caixa com coisas do passado e decide investigar outros lados da vida de sua mãe doente.


A estrutura - que alterna entre lembranças, o presente, protocolos, fotos, cartas - consegue expressar de forma prática e sútil todo o imbroglio da situação, da nostalgia a dor e ao cansaço.

É um relato dolorido, melancólico e sensível sobre o luto.
Profile Image for Maria Carneiro.
2 reviews6 followers
Read
July 29, 2024
“Não há possibilidade de traduzir o teu estrago em algo belo e apresentável. Não há nenhuma chance de reconciliação. Tudo é insuportavelmente irremediável e será pior, até que não mais.”
Profile Image for fernanda z.
26 reviews1 follower
December 30, 2024
belíssima obra. com todo o respeito que desenvolvi pelo autor, cabe dizer: uma mulher jamais teria tempo para escrever esta obra.
Profile Image for Felipe Lima.
636 reviews
October 1, 2024
**Resenha: "Triste não é o certo a palavra" de Gabriel Abreu**

★★★★☆

"Triste não é o certo a palavra", de Gabriel Abreu, é uma obra literária que desafia as convenções narrativas para criar um retrato íntimo e complexo sobre a relação entre mãe e filho, explorando temas como legado, memória e amor. Abreu nos presenteia com uma trama que, ao mesmo tempo que é profundamente pessoal, ressoa universalmente com qualquer leitor que já tenha lidado com a perda e a busca por identidade.

A história é centrada em G., um filho que se vê cercado por um diário, centenas de fotografias e sessenta e oito cartas deixadas por sua mãe. Esses artefatos, guardados em uma caixa de papelão, são não apenas lembranças físicas, mas também símbolos das expectativas, angústias e do desejo incessante de G. em reconstruir a imagem de sua mãe e, consequentemente, sua própria identidade. A narrativa se desenrola como um mosaico, onde cada peça, cada documento, contribui para a composição de um retrato mais amplo e complexo.

Gabriel Abreu exibe uma habilidade impressionante ao transitar entre diferentes formas de escrita e registros, como bulas de remédio, diagnósticos médicos e mapas astrais, que se entrelaçam com cartas e e-mails. Essa diversidade de formas não só enriquece a narrativa, mas também reflete a própria fragmentação da memória e da identidade que G. enfrenta. A frase "Escrevo e envio esta carta para você para tentar reencontrar, em minha própria voz, a tua" encapsula a essência da busca do protagonista, que tenta, através da escrita, encontrar um eco da voz de sua mãe e, assim, entender melhor a si mesmo.

O livro é sensível e ousado, conduzindo o leitor por uma montanha-russa emocional de saudade, descoberta e aceitação. A habilidade de Abreu em evocar emoções genuínas é um dos pontos altos do romance, fazendo com que o leitor se sinta imerso na jornada de G. A montagem do quebra-cabeças de registros, afetos e lembranças é feita com tal delicadeza e precisão que é impossível não se conectar com a dor e a esperança do protagonista.

Se há um ponto que poderia ser melhorado, talvez seja a complexidade estrutural do romance, que pode, em alguns momentos, desafiar a paciência do leitor menos atento. No entanto, essa complexidade também é parte do charme do livro, refletindo a natureza intrincada das relações humanas e da própria memória.

"Triste não é o certo a palavra" é um romance de estreia notável, que demonstra a capacidade de Gabriel Abreu de capturar a profundidade das emoções humanas e transformá-las em arte. É uma leitura que, embora exigente, recompensa o leitor com uma experiência rica e inesquecível.
Displaying 1 - 25 of 25 reviews

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