ÁLVARO SIZA VIEIRA nasceu em Matosinhos em 25 de Junho de 1933. De 1945 a 1955 estudou na Escola de Belas Artes do Porto. De 1955 a 1958 trabalhou com o arquitecto Fernando Távora. Foi Professor Visitante em diversas universidades de todo o mundo e também na Faculdade de Arquitectura do Porto (ESBAP). O seu trabalho é internacionalmente conhecido e admirado, tendo recebido inúmeros prémios.
Ajudou-me a entender melhor o ponto de vista do Siza Vieira em relação à religião (coisa que estava curiosa visto que ele é comunista e agnóstico mas representou muitas vezes a vida de Cristo nas suas obras e fez várias igrejas e espaços religiosos) mas também o cristianismo em geral e a obra magnífica deste arquiteto lendário.
fico sempre impressionada com a delicadeza presente nos desenhos do Siza. neste caso, através do seu típico traço a esferográfica BIC cristal preta, o arquiteto retrata algumas cenas da Paixão de Cristo.
uma bela conversa entre dois mestres.
estas foram algumas frases que acabei por deixar sublinhadas:
“Uso uns cadernos de capas pretas onde se mistura tudo: a agenda, os desenhos de arquitetura, os desenhos espontâneos, tudo... (…) Também escrevo nos cadernos pequenas anotações ou textos que me pedem.”
“Todos nós temos heterónimos porque dentro de nós há contradições e dúvidas.”
“O próprio exercício da mão tem influência no pensamento. As mãos pensam ou acompanham o pensamento e, às vezes, são mais esclarecedoras do que ele.”
“No mundo atual há uma grande reserva em relação ao silêncio, quer do ponto de vista do som, quer da forma. O mundo atual é barulhento, confuso. Mas o silêncio é uma necessidade vital.”
“preciso muito de companhia e de convívio”
“Eu preciso de estar só, mas isso não significa que sou um eremita. Preciso de estar só (…) para descansar ou para me concentrar.”
“Aliás, uma habitação é isso: um espaço íntimo, privado, mas com ligação ao mundo, à vizinhança, à cidade…”
“Lembro-me da Itália, claro. Tudo de Itália”
“É preciso é estar atento e com espírito de descoberta.”
“Lembro-me do que dizia alguém [Santo Agostinho] sobre a questão do tempo. Se não me perguntarem, eu sei o que é, mas se me perguntarem não sei explicar. A questão sobre Deus e sobre a fé é um pouco esta, o não saber explicar…”
“o projeto é uma progressiva tomada de consciência, racionalização, não uma racionalização à partida porque isso limita muito. Por isso é que faço muitos esquissos. A rapidez do esquisso ajuda a dinâmica da procura.”