⭐️4.5
Enquanto lia este livro, pensei muito sobre o que escrever dele. Pensei em direcionar esta review para o Jorge e também pensei em escrever para os futuros leitores, como faço habitualmente. Mas nada que possa colocar em palavras terá o impacto e o tamanho deste livro.
Se este livro tivesse um sentimento seria angústia - a que senti ao ler o livro e a que o Jorge sentiu ja sua vida que, não tenham dúvidas, foi muito maior que a minha.
"Olha, Zé, já tenho uma casa, vês? E tenho uma cozinha para fazer um petisco. Gostaria que estivesses aqui, meu amigo. Preparava-te umas moelas, que sei que adoras. Tenho uma casa de banho, onde podes fechar a porta e cagar de olhos fechados, sem estar preocupado com a mesma, como tu sonhavas. Tenho aqui uma onça de tabaco Amber Leaf, que adoras, e tenho mortas e filtros! Filtros, Zé! Não é cá tiras de cartão enrolado para fumar tabaco das beatas. Tenho máquina para lavarmos a roupa e tenho um frigorífico para guardar as sandochas e ter as bebidas fresquinhas! E posso ir buscar vinho sem ser de pacote! Roubamos uma nota de cinco ao meu RSI e compramos uma boa garrafa de vinho! E, à noite, podemos ir à esplanada beber um café! À patrão, Zé, como tu dizias! Os dois bem charmosos, limpos e cheirosos, a piscar o olho às miúdas, algo que dizias já ter vergonha de fazer! Penteados! Homens de novo! Que te parece, Zé? Se quiseres, dorme cá. De pijama, Zé! Eu dou-te um pijama! E podes deixar as tuas coisas na mesa da cozinha, porque na nossa casa ninguém nos rouba!"
Não me vou esquecer de ti, Jorge!