O neoliberalismo, segundo o autor, é o desencanto da política através da economia; como nos afecta e como o superar é o objectivo deste tratado de economia.
O primeiro grande trunfo do neoliberalismo é a sua capacidade de se esquivar a uma definição.
O livro abre com uma declaração nesse sentido por José Manuel Fernandes do jornal Público, para mais tarde se assumir como neoliberal, porém antes negou-o. Após ler o livro, o complicado não é encontrar a definição, é sair das teias do neoliberalismo, e fazer política; pela moeda, pelo trabalho e pela natureza.
Tudo na nossa vida está preso a esta realidade, por mais pensamento mágico que tenhamos, ou que ainda acreditamos num rosto humano europeísta e social-democrata, isso não passa de ilusão, por mais de empurremos os problemas com a barriga.
Oriundo do colapso da I Guerra Mundial e o final da II Guerra Mundial, o movimento que revitalizou o liberalismo clássico passa por ser uma sociedade culta e bem-falante de conferencistas e professores universitários - a Mont Pelerim Society, e durante esse espaço de tempo de todos os fascismos e das lutas antifascistas são publicados livros e feitas conferencias para defender um renascer da fénix liberal, entretanto manietada pelos coletivismos ditos socialistas e comunistas e os nacionalismos. Em 1944 Hayek publica O Caminho para Servidão - voluntária e hoje obrigatória. Começou assim de modo lento embora gradual o caminho assintomático para a servidão da classe trabalhadora e da pequena burguesia, que hoje anda atarantada atrás dos neofascismos, no final dos anos 70 e anos 90. Durante essa época as almas foram conquistadas, dizendo que eram soberanos, e sem abandonar a ficção da sua independência a sociedade europeia e portuguesa deixa-se cair no poço e por lá ficou a derivar na sombra.
Segundo João Rodrigues, a grande cartada do neoliberalismo foi a sua aprendizagem e o seu alto grau de manipulação, que conseguiu espremer ao seu favor dos colectivismos que tanto criticava. Ao contrário do liberalismo clássico que tanto é badalado nas nossas escolas e faculdades e até nas conversas de rua e café, o neoliberalismo não copiou a fórmula gasta, mas inovou ao abandonar o laisser faire, pelo controlo do estado para criar oportunidade de mercado em todos os cantos e manter uma austeridade permanente para criar superavit no sector privado.
No entanto, o neoliberalismo associado ao Consenso de Washington foi confrontado por outro consenso, originário de Pequim que tem criado grandes engulhos no modelo neoliberal com a ascensão dos BRICS, grupo de países que incorporaram as ideias da NOEI dos anos 70.
Na Europa e na UE, o Euro, uma moeda que se criou para os mercados financeiros sem existirem impostos europeus, nem sequer um orçamento europeu anual, é em Portugal o maior agente sufocante, aquilo que faz estagnar um país e milhões de sonhos, que pretende fazer de Portugal uma "colónia balnear" ao estilo de uma Flórida em permanente estado de turistificacao.
- Euro, tu és euro e sobre ti edificaremos a Europa.
O pior é que inúmeras pessoas acha isto normal, e um grupo ainda maior de pessoas, votam com os pés, e a mudança que é essencial continua adiada. João Rodrigues com esta obra traça no chão a letras garrafais: não! O Neoliberalismo não é um Slogan.