Após um longo sono de várias décadas, Calédra, a bela guerreira aurabrana, desperta subitamente para uma realidade que lhe é estranha, um tempo que não é o seu. Antiga rainha dos aurabranos, Calédra está destinada a protagonizar uma missão quase impossível – salvar o mundo e os humanos da crescente ameaça do domínio Holkan. Ao longo desta saga extraordinária, são muitos os aliados que Calédra vai encontrando, e muitas as vezes em que enfrenta inimigos terríveis e se vê às portas da morte. Mas o seu espírito inquebrantável promete dar luta aos seus inimigos e cativar-nos desde logo, levando-nos a ler com insaciável voracidade as páginas deste épico vibrante.
Pedro Miguel Rodrigues Gomes Ventura (Montijo, 14 de Agosto de 1974) é um escritor português de romances/crónicas épicas. Licenciado em Estudos Portugueses e Ingleses e estudioso autodidacta de História Bélica. Autor da saga Goor - A Crónica de Feaglar, que teve dois volumes publicados. Participou com trabalhos seus em diversas antologias e publicações literárias. Em 2011 lançou o romance épico Regresso dos Deuses - Rebelião com a chancela da Editorial Presença.
Pedro Miguel Rodrigues Gomes Ventura (Montijo, 14 August 1974) is a Portuguese writer of novels / epic chronicles. Author of the saga "Goor - A Crónica de Feaglar", that had two volumes published - 2006 and 2007 and of the epic novel Regresso dos Deuses - Rebelião -2011. He participated with his works in several anthologies and literary journals. In 2011 will probably publish a new book that retrieves the universe of Goor.
Depois de ter lido o primeiro volume do Goor e não ter conseguido de forma alguma entrar na história fiquei ligeiramente de pé atrás quanto à leitura do "Regresso dos Deuses- Rebelião" e foi com muito agrado que dei por mim a ficar agarrada ao livro logo nas primeiras páginas.Tal muito se deveu à personagem principal: Calédra. Uma mulher de personalidade forte que se mostra arrogante mas que tem igualmente um bom coração.
"Regresso dos Deuses- Rebelião" é ainda um livro cheio de ritmo e acção que impulsiona a sua leitura. Certamente agradará aos fãs do género.
Concept is pretty interesting, but the writing, edition and character development has flaws.
Devo confessar, que até ao lançamento deste livro pela Presença, nunca tinha ouvido falar de Pedro Ventura ou da sua obra. No entanto, quando me foi proposta esta leitura fiquei bastante entusiasmada uma vez que gosto do género fantástico (desde a vertente épica à contemporânea) e tenho prazer em ver que cada vez mais autores portugueses apostam nele. Por outro lado, entrei na leitura um pouco de "pé atrás", digamos, uma vez que a minha experiência com o fantástico nacional não tem sido muito boa.
Concluída a leitura tenho a dizer que fiquei, no geral, satisfeita. A história de "Regresso dos Deuses - Rebelião" é interessante e mistura elementos bastante originais tocando mesmo um pouco na ficção científica. O enredo desenrola-se a bom ritmo e contém todos os elementos indispensáveis a uma boa fantasia: heróis, vilões, povos oprimidos e sociedades ao nível medieval. No entanto, Ventura surpreende, não pela história que não é particularmente única (uma luta pela liberdade de uma raça), mas pela introdução de opositores nunca antes vistos (pelo menos por mim) numa obra de fantasia. Os Holkan e as suas motivações são um elemento novo no género e contribuem para que o livro seja de leitura quase compulsiva. A genialidade do autor ao criar esta raça e ligá-la a Calédra foi magistral. Quanto a Calédra é uma personagem principal digna do papel especialmente nos últimos capítulos.
Enquanto lia, apercebi-me de que este livro fazia parte de uma série ou que pelo menos, não era a primeira vez que o autor escrevia sobre este mundo. Como tal deparei-me muitas vezes, especialmente no início, com conceitos desconhecidos e lembranças de acontecimentos passados em livros anteriores,o que tornou a leitura algo confusa. Creio que um mapa e talvez um glossário das raças e territórios existentes nos Sete Reinos teriam sido uma mais-valia para os leitores que, como eu, entram pela primeira vez no mundo criado por Pedro Ventura para as Crónicas de Feaglar. No entanto, esta não é uma falha grave uma vez que à medida que nos vamos imergindo na história vamos ficando a saber mais sobre o mesmo apesar dos detalhes serem vagos.
O aspecto que mais me desapontou no livro foi o desenvolvimento das personagens. Calédra desde cedo me fez lembrar Xena, a Princesa Guerreira (devido aos gritos guerreiros, aos saltos mortais e às acrobacias desnecessárias com a espada), excepto em termos de personalidade; apesar de perceber que a intenção do autor ao descrever Calédra como arrogante e autoritária era criar uma heroína original, quase que uma "anti-heroína", creio que exagerou um bocado e que a sua arrogância e vaidade eram quase excessivas. Custou-me um pouco ler sobre Calédra e o facto da maioria das outras personagens serem pouco interessantes - com a notável excepção de Delkon, que para mim é a personagem mais bem desenvolvida do livro - tornou a leitura desagradável nalguns pontos. Para além da sua desmesurada agressividade que no mundo real nunca lhe conseguiria a lealdade que os seus seguidores lhe parecem ter, Calédra tende a perder-se por vezes em lamentações muito irritantes que não captam o seu suposto sofrimento. Ou seja, apesar de entender as razões que levaram o autor a escrever a personagem desta forma creio que ele não conseguiu o efeito pretendido. Não senti que Calédra fosse uma mulher aparentemente arrogante mas com um coração de ouro e também não senti empatia para com o seu sofrimento. É verdade que a sua atitude melhorou bastante nos capítulos finais mas durante a maioria do livro foi-me extremamente difícil ligar-me com esta personagem.
As restantes personagens não colmataram esta falta, uma vez que representavam estereótipos (a vilã arrependida, o homem taciturno com o passado negro e a mulher que é mais do que aparenta). Também não cheguei a perceber as razões que os levaram a juntar-se à demanda de Calédra... pareceram-me bastante mal explicadas e inverosímeis. Gostaria ainda de ter sabido mais sobre os Holkan (apesar de serem os maus da fita) que me pareceram fascinantes e com a sua tecnologia e a sua crença de que eram superiores.
Outra falha que detectei prende-se não só com a escrita do autor, mas também com a edição. Apesar de Pedro Ventura escrever de forma apelativa, tem uma tendência irritante para usar reticências na maioria dos seus diálogos o que me pareceu um excesso e quebrou a fluidez dos mesmos, na minha opinião. Se é propositado, confesso que não percebi a intenção. Também achei confuso que houvessem, dentro dos capítulos, mudanças de ponto de vista, sem que se notasse a mínima diferença no texto; ou seja, o texto é todo corrido, acaba uma frase sobre Calédra e o parágrafo seguinte já é do ponto de vista dos vilões, por exemplo sem que haja um único espaçamento a marcar a mudança.
Falhas à parte (que todos os livros têm), "O Regresso dos Deuses - Rebelião" foi sem dúvida uma das melhores obras de fantasia épica por um autor português que já li. Depois das desilusões do passado esperava mais uma, mas Pedro Ventura surpreendeu-me pela positiva com uma história interessante e bem fundamentada que tem a particularidade de não cair nos principais clichés da fantasia (não há elfos nem anões!). Recomendado para amantes do género.
Após as excelentes leituras que foram os dois Goor de Pedro Ventura, este traz-nos agora uma nova obra, inserida no mesmo mundo contudo num tempo bastante diferente.
Dada a separação que houve entre os dois volumes anteriores, que não se encontram à venda, e este, a parte inicial da história acaba por ser uma contextualização histórica e temporal relativamente aos Goor. Calédra, personagem de grande destaque nos Goor, acorda então passadas algumas décadas sem compreender o porquê de ter sido preservada este tempo todo. Quando toma consciência de si no mundo em que se encontra, não reconhece ninguém e pergunta-se qual será o seu propósito. Quando o compreende, uma mistura de sentimentos contraditórios apoderam-se da bela guerreira, todavia nunca colocando em causa a sua missão. O seu percurso será doloroso, marcante, muitas vezes ingrato e outras tantas odioso, mas ela sabe que só assim conseguirá salvar os humanos do seu terrível desaparecimento.
Apesar de estar inserido na colecção Via Láctea, 'O Regresso dos Deuses - Rebelião' não é tanto um livro de fantasia enquadrado nos padrões habituais, contendo sim elementos sobrenaturais que lhe dão um toque mais místico. Outro ponto de ruptura com o fantástico a que estamos habituados, é a caracterização da personagem principal. Ao invés de termos a parte feminina mais fraca em que existe uma masculina claramente dominante que tem como função proteger a mulher frágil, aqui temos uma protagonista em que ela é que está despida de qualquer fraqueza aparente tendo uma personalidade extremamente forte, um carácter determinado e um punho de ferro. Calédra Denaris é sem dúvida uma personagem enigmática, obscura e ao mesmo tempo fascinante na sua frieza em relação ao que a rodeia. Há também um grupo de personagens, como Advark, Garleana, Marávia e Cartina, nenhuma delas simples, mas que se mantiveram ao lado de Calédra até ao fim, cada um percorrendo a sua própria demanda pessoal.
Sou sincera, apesar de ter gostado mais dos Goor, acho que temos aqui uma obra de um autor português de grande qualidade, que foge de forma determinada ao esterótipo da donzela em perigo que vai ser salva pelo guerreiro forte e musculado. É uma obra quase desprovida de romance pitoresco, indo muito mais além na abordagem ao íntimo do ser humano revendo valores, pondo em causa o que está certo ou errado sendo claro que tudo acaba por depender de uma certa subjectividade do sujeito que interpreta os factos.
Por fim, dou os parabéns ao Pedro Ventura por nunca desistir e finalmente conseguir ter uma obra sua ao dispor de todos e à Editorial Presença por ter apostado num autor cheio de potencial. Gostei.
Este, comparado com os Goor, está extremamente melhor! Aliás, atrevo-me a dizer que está ao nível de grandes autores internacionais. Este sim é uma obra prima!
Começando pelo aspecto formal, torna-se claro que ocorreu uma clara melhoria em relação às Crónicas de Fiaglar. A linguagem tornou-se mais fluída, abandonando um certo “lirismo” excessivo, por vezes demasiado cansativo na narração e descrição. Nota-se uma revisão cuidada.
Voltam a não restar dúvidas – não se trata de fantasia nem de realismo mágico, antes de fantastique - o elemento “sobrenatural” não “encaixa” na normalidade e se existe, está distante de ter uma explicação que se restrinja à dogmática simplicidade de “naquele mundo ser assim e pronto”.
Numa altura em que a maioria dos romances de fantástico incorporam um esqueleto constituido pelo modelo nuclear do enamoramento (mais ou menos doentio e disfuncional) das personagens principais – geralmente a tontinha virginal perdida de amores pelo Adónis de serviço, misturada num enredo onde surge a repisada dicotomia Bem vs Mal, Pedro Ventura tem a audácia de abdicar de ambos os ingredientes. A protagonista volta a ser uma mulher: a die-hard Calédra (mistura explosiva entre Ripley e Mai Bhago), personagem mais interessante e elaborada dos Goor. Pragmática, complexa e insubmissa, Calédra Denaris surge num patamar semelhante às personagens de Lin Carter ou Anne McCaffrey e coloca-se assim nos antípodas das fotocópias das Bellas no mercado, felizmente! Daí não entender perfeitamente a sinopse do Livro que me parece mais preocupada com um certo “mercantilismo” do que com a história em si. Pouco importa, por exemplo, que a protagonista seja “bela”(como odeio o rótulo!) e não estamos propriamente numa cruzada pela salvação de um mundo, antes perante uma “opção” muito menos linear. Uma sinopse de tentar vender “lebre por gato” é certamente questionável, no mínimo!
A primeira parte do livro ainda vive numa espécie de “dependência” dos Goor. Exemplo disso é o surgimento de uma personagem let me tell you what hapenned que me parece forçada e que geralmente dispenso. A “muleta” é em parte explicável pelo facto de não ser possível encontrar os livros anteriores, apesar de isso não ser de todo necessário. É, porém, curioso que a protagonista chegue a ser jocosa em relação a este facto, o que nos leva a pensar que, pelo menos, não se tratou de um recurso inconsciente. Nesta primeira parte surge-nos também uma indirecta parábola à nossa sociedade actual, em referência mais ou menos evidentes. Sempre interessante é o trajecto da protagonista, o aprofundar da sua dimensão humana e a consequente “via dolorosa” ou uplift que a afasta do modelo de heroína ou anti-heroína na definição mais “clássica” Os leitores mais atentos poderão até encontrar paralelismos entre esse trajecto e os relatos de uma importante figura da religiosidade ocidental. É aqui que a uma alegoria idêntica a algo já consumado por C. S. Lewis (sem o elemento feminino, no entanto) se une ao que o próprio autor refere como uma influência das ideias expressas em Chariots of the Gods – característica que diferencia este livro de muitos outros!
Na segunda metade do livro, o autor liberta-se mais do modelo anterior, perde a “vergonha” e revela a “verdadeira face” do seu relato, chegando a introduzir “novidades” na narrativa – alguns “sonhos” são um bom exemplo. Aqui surge nova audácia! As divindades são escalpelizadas e surge uma nova alegoria que nos poderá fazer reflectir no nosso próprio mundo. Novas personagens vão surgindo e algumas são também interessantes – chegando até a ser abordada (timidamente) a sexualidade de uma delas! Não se espere o habital “rebanho” de “bons e justos” em crusade mode! Nada disso! O próprio final também é diferente. Aliás, esse final invulgar indica-nos uma “ponte” para algo que poderá ser ainda mais singular.
Decididamente, a colecção Via Láctea ganha originalidade e novo fôlego – o que espero seja só o começo! Recomendado a todos os que gostam do género épico/fantástico e também aos que não gostarem.
Nota: este breve comentário foi obviamente restrito, devido ao facto de o livro ser colocado hoje à venda em Portugal e não querer carregá-lo de spoilers.
Não tendo lido “Goor – A Crónica de Feaglar” volumes I e II, o meu principal receio ao pegar em “O Regresso dos Deuses – Rebelião” foi que isso fizesse diferença (embora já me tivessem assegurado que não). Felizmente, depressa descobri que embora a narrativa desperte alguma curiosidade sobre as obras anteriores (aliás, sobre todo o universo literário em questão) a leitura destas não é um pré-requisito necessário para a apreciar.
Embora seja imediatamente identificada com high fantasy, “O Regresso dos Deuses – Rebelião mantém-se longe dos clichés e insere elementos novos, o que lhe confere originalidade, nomeadamente temas que são mais habituais em ficção científica do que em fantasy, evitando ao mesmo tempo uma transferência entre os géneros (tentativas que por vezes podem descambar em resultados que “não são carne nem peixe”, o que felizmente não foi o caso).
Contrariando uma tendência que infelizmente tem vindo a fazer sentir o seu peso dentro do fantástico (mandando às urtigas décadas de evolução), em “O Regresso dos Deuses – Rebelião” temos uma protagonista feminina forte. Quando digo forte não estou a falar apenas de uma pirralha com um pouco de atitude e uma língua afiada, nem de uma lutadora semi-nua com mais curvas do que cérebro, mas uma verdadeira guerreira, cujo valor vem de efectiva força física e psicológica. Sim, Calédra é bela, como várias personagens o afirmam, porém, o seu aspecto não tem qualquer peso face aos actos, nem é utilizado como uma vantagem.
Calédra Denaris é poderosa, tanto que, por vezes, se torna difícil identificarmo-nos com esta irascível e arrogante rufia possuidora de capacidades sobrenaturais, todavia, ao mesmo tempo, vemos ocasionais momentos de fraqueza e dúvida que revelam um ser além da mera máquina de guerra, da salvadora que fará o que for preciso para defender o mundo do domínio dos Holkan.
Em redor desta guerreira temos um conjunto de personagens secundárias que, tal como a protagonista, são pintadas com tons de cinzento, o que lhes fornece uma refrescante ambiguidade moral (que nem sempre vemos em obras de high fantasy) e também preparou o terreno para algumas surpresas.
O único senão da obra é a ausência de descrições mais pormenorizadas, o que dificulta a visualização física de certas personagens, não obstante, também compreendo que a introdução de tal elemento poderia ter prejudicado o ritmo da narrativa.
Em suma, uma boa leitura, que não desiludiu (risco sempre presente quando criamos expectativas).
Ocasionalmente há autores portugueses que me chamam a atenção. A história parecia interessante no entanto acho que faltou o trabalho de uma editora firme. A personagem principal podia ter sido polida e mais trabalhada. Compreendo o destaque dado a Cáledra mas existem outras personagens em redor que podiam ter sido mais desenvolvidas. A narrativa podia ter sido também melhor trabalhada. De uma forma geral o livro tem muito potencial mas ficou muito longe do que esperava.
Não me alargarei mais na opinião porque muito provavelmente numa outra fase, voltarei a pegar neste livrinho e dedicar-lhe-ei toda a atenção que ele merece e dessa forma, na altura certa, conseguirei certamente dizer algo mais do que estas frases vagas.
A história, em si, tem potencial mas achei mal escrita. :( O texto devia ser limpo e algumas partes cortadas, outras acrescentadas ou simplificadas. Fiquei com pena de uma história com tanto potencial se ter perdido.