Depois de grandes catástrofes como Bhopal, na India, em 1984, e Seveso, na Itália, em 1976, a indústria química se viu obrigada a investir de forma pesada na segurança de processos. Pressões governamentais, sociais e dentro do próprio setor industrial obrigaram que essa indústria implementasse políticas visando gerenciar seus riscos. A partir deste momento, análise qualitativas de risco se tornaram comuns em plantas químicas espalhadas pelo planeta. Metodologias como APR, What if e, principalmente, HAZOP, são hoje rotineiramente empregadas.
Mas nem sempre os cenários indicados nas análises qualitativas de risco bastam, por si só, para definir se o risco da instalação está em um nível aceitável (tolerável) ou não. Métodos qualitativos são ótimos para levantar cenários industriais, mas nem sempre se mostram capazes de determinar se a planta está realmente protegida contra grandes acidentes (major hazards). Estamos realmente seguros? A chance de algo catastrófico ocorrer é realmente tão baixa quanto foi estimada qualitativamente? Temos barreiras preventivas suficientes? O que significa "suficiente"?
Para responder essas perguntas sem precisar investir milhares de horas em complexos estudos quantitativos de risco (AQR) surgiu a técnica de LOPA - Layer of Protection Analysis, que é tratada neste livro. A LOPA não substitui uma boa análise qualitativa de riscos, uma vez que não é capaz de levantar cenários acidentais, assim como não elimina a necessidade da AQR para cenários mais complexos e/ou catastróficos. Mas a LOPA pode ser um estudo intermediário, não tão subjetivo quanto o HAZOP, não tão custoso quanto no AQR.
Este livro descreve, passo a passo, a metodologia de LOPA. Usando um estilo semelhante ao livro sobre Bow-Tie do CCPS, o livro de LOPA permite ao leitor acompanhar cada uma das etapas da construção de uma avaliação usando essa técnica. Exemplos vão sendo construídos aos poucos. O leitor precisa de alguma organização e rigor para acompanhar cada um dos exemplos , uma vez que em função do formato escolhido pelos autores, os exemplos acabam divididos ao longo do livro.
O livro define ainda o conceito de barreira de forma bastante precisa, algo que as análises de risco muitas vezes colocam de forma vaga e superficial. Inclusive, um pequeno trecho deste livro discute sobre barreiras humanas, inclusive apresentando dados numéricos para um debate sobre taxa de falhas. Mas este não é um livro sobre fatores humanos ou sobre dados detalhados sobre taxas de falha de equipamentos, o próprio CCPS possui vários outros livros para quem precisa se aprofundar nesses campos específicos.
Em resumo, para quem realiza análises qualitativas de risco e fica com a sensação que alguns pontos são subjetivos demais, que algumas barreiras podem não estar bem definidas, ou não serem efetivas, este livro cria apresenta conceitos relevantes e discute uma técnica viável de ser implementada em muitas organizações. Antes de ingressar na complexidade da AQR, que tal dar uma chance a LOPA?