Diz-se jogo de azar aquele em que a perda ou o ganho dependem unicamente da sorte e nao das combinacoes, do calculo ou da pericia do jogador. Com essa tematica, chega as livrarias Jogos de Azar, o primeiro livro inedito no Brasil de Jose Cardoso Pires, apos o relancamento de tres obras e uma longa espera.Os contos presentes nessa coletanea sao, em sua maioria, sobre desocupados, representacao da figura do cidadao destituido de meios para viver. Segundo o autor, essas pessoas convivem diariamente com a penuria, estando a todo o momento a merce do acaso. Paralelamente, Cardoso Pires apresenta um jogo de fortuna e azar em que um escritor se lanca quando resolve escrever a respeito de sua epoca.Em Jogos de Azar, o autor nao se interessa somente pela denuncia da injustica social, mas, tambem, pelo compromisso evidente com a realidade, reproduzida em linguagem predominantemente denotativa.
JOSÉ CARDOSO PIRES nasceu na em São João do Peso, concelho de Vila de Rei, distrito de Castelo Branco, a 2 de Outubro de 1925. Estudante na Faculdade de Ciências de Lisboa, trocou as matemáticas superiores pela marinha mercante. Entre 1969 e 1971, foi docente de Literatura Portuguesa e Brasileira no King’s College, em Londres. Foi director literário de editoras lisboetas e director-adjunto do Diário de Lisboa (1974-75). Estreou-se com Os Caminheiros e Outros Contos (1949) e obteve o Prémio Camilo Castelo Branco com o romance O Hóspede de Job (1964). Dentro do neo-realismo, retoma a tradição satírica setecentista. Entre outros, escreveu os romances O Delfim (1968), Dinossauro Excelentíssimo (1972), Balada da Praia dos Cães (1982, Prémio da Associação Portuguesa de Escritores), Alexandre Alpha (1987), República dos Corvos (1988). Escreveu para o teatro O Render dos Heróis (1960) e Corpo Delito na Sala de Espelhos (1979). Deu ainda a lume a colectânea de ensaios Cartilha do Marialva (1960) e o volume de crónicas E agora, José? (1978) e A Cavalo no Diabo (1994). Em 1997 publicou De Profundis - Valsa Lenta e Lisboa, Diário de Bordo que lhe valeram o Prémio Pessoa desse ano. Foi condecorado pela Presidência da República com a Comenda da Ordem da Liberdade, em 1985. Faleceu a 26 de Outubro de 1998, em Lisboa.
«A neblina bailava em torno dela, mas era como se a não tocasse. Bem ao contrário: era como se, com a sua frescura velada, apenas despertasse a morna suavidade que se libertava da pele da rapariga. - Não, agora já começa a arrefecer - disse Paulo. - Vamo-nos vestir? Estavam de mãos dadas, vizinhos do mar e, na verdade, quase sem o verem. Havia a memória das águas na pele cintilante da jovem ou no eco discreto das ondas através da névoa; ou ainda no rastro de uma vaga mais forte que se prolongava, terra adentro, e vinha morrer aos pés deles num distante fio de espuma. E isso era o mar, todo o oceano. Mar só presença. Traço de água a brilhar por instantes num rasgão do nevoeiro» (...)
In the elaborated writing of José Cardoso Pires, the proposed universe is almost marginal, of acrobat characters making neo-realism the illusion of dreams. The characters are described at a certain point in their lives, that is, the time in José Cardoso Pires' tales emerges through actions that have taken place in a short time in the character's daily life. It can be on a hot summer afternoon, as a night of love in a boardinghouse, a simple moment of banal and euphoric discussion between two characters, or even on a train, even for a few hours. The character is stuck in the temporal development of the moment of action; the past is rarely important, the future will not be revealed to us either, the moment in which the character's life is transformed is what will be told to us. Here the tale takes on its most traditional form. The character is described to us in a period of time in which her life changes suddenly.
Ter lido Maria Judite de Carvalho e José Cardoso Pires um depois do outro deixa-me arrependido de não ter procurado ler autores portugueses com maior frequência mais cedo.
Por breves instantes regresso a “Integrado Marginal” e ao seu último parágrafo onde se pode ler: “Espero que esta biografia honre a memória e a obra de José Cardoso Pires e que traga novos leitores para os seus livros.” Este será, seguramente, um dos grandes desígnios desta extraordinária biografia escrita por Bruno Vieira Amaral. Embrenhados na sua leitura, descobrindo as linhas com que se cose uma vida e uma obra, desde as primeiras páginas que sentimos essa vontade de tornar a Cardoso Pires, vontade essa que vai aumentando à medida que avançamos na leitura até se transformar numa urgência. O que li de José Cardoso Pires tem já uns largos anos em cima e importava regressar a ele. E assim, fechada a biografia sobre a sua última página, eis-me face a face com os volumes da colecção que a Planeta DeAgostini publicou em 2001, preparado para “atacar” este manancial de leitura. Para começar, a escolha pareceu-me óbvia. “Os Caminheiros e outros contos”, edição de autor publicada no segundo semestre de 1949, fora a primeira obra de Cardoso Pires e seria pelos “caminheiros” que iria começar.
Foi em 1963 que José Cardoso Pires decidiu pegar nos melhores contos dos seus dois primeiros livros, “Os Caminheiros e outros contos” e “Histórias de Amor”, revê-los amplamente e publicá-los. É assim que nasce “Jogos de Azar”, nove-contos-nove, o olhar atento do escritor sobre um mundo desigual e aqueles que nele vão sobrevivendo. Na carruagem da cauda do Oito-Correio partido da estação de Pinhal Novo ou na penumbra de uma sala onde uma luz ténue alumia a máquina de costura, no inferno de uma estrada a ser alcatroada ou num pequeno quarto de hotel barato, são as pessoas, com as suas misérias, os seus queixumes, os seus ressentimentos e as suas ilusões, o objecto da atenção de Cardoso Pires. É sobre elas que assenta o seu olhar clínico, descrevendo os gestos, imitando as falas, acompanhando os seus passos por caminhos desditosos, os tostões contados, a barriga a dar horas.
Importa dizer, porém, que “Jogos de Azar” é um livro desigual. Nele coabitam contos excepcionais (“Os Caminheiros”, “Estrada 43”, “Carta a Garcia” ou “Dom Quixote, as Velhas Viúvas e a Rapariga dos Fósforos”) com outros menos bons (“Ritual dos Pequenos Vampiros”, “Week-end”). Mas no que tem de bom, é realmente um prodígio. A sua matriz neo-realista fez com que servisse de contraponto aos livros publicados à época e que levou Gaspar Simões, “cujas recensões tinham o poder de destruir ou salvar um livro”, a escrever, “lançando, en passant, algumas farpas aos neo-realistas”: “Se alguma coisa faltava nos contos e romances do neo-realismo era, precisamente, realidade.” Na prosa directa, Cardoso Pires revela que pegar numa picareta, vogar no alto mar, entrar na cozinha de um aldeão ou dormir num vão de escada não são novidade para si. É daí que vem tanta realidade, essa mesma realidade que, nua e crua, salta de personagens como o cego, o “ratinho” ou a prostituta, para se vir agarrar à pele do leitor, ele também parte da história, “uma lua fria e um disco a servir de fundo, um Blue, um samba, qualquer dessas melodias a compasso que são o sonho das costureirinhas das caves.”
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Contos de Portugal real dos anos 40-50. Gostei muito dos contos, recordo em especial "Carta a Garcia" e "Weekend". E "Estrada 43". Pungentes, sobre relações familiares, amores, trabalho duro e mesmo assim dignidade humana. A introdução pelo próprio José Cardoso Pires vale a pena por si.
It's a collection of short stories that smell like sea air. They take us to the seashore and show us a Portugal that no longer exists. For those who want to smell sunscreen and feel sand on inappropriate parts (which can annoy anyone), take this book book with you and sit in the late afternoon sun enjoying a fresh beer, you'll discover you only wish to spend the night playing cards with friends as you used to do while growing up.
Contos rápidos, que se lêem bem, mas não impressionam, isto é, após a leitura não nos ficam a ocupar espaço do cérebro. Se mais tarde os refolheamos, recordámo-nos vagamente deles, mas não mais do que isso. Todos traduzem o ambiente da sociedade Portuguesa dos anos 50 e 60, penso eu, uns num ambiente mais rural outros num ambiente mais urbano, mas todos com uma marca ligeiramente deprimente e desiludida do Mundo. Não há no livro, personagens felizes.