"Há uma hora certa para cada livro", digo muitas vezes ainda que nalgumas delas me pareça descabido pensar de tal modo. Há com certeza livros intemporais e que sabem sempre bem, no entanto há outros que devem ser guardados, apreciados apenas quando sabemos compreendê-los. Com Desculpa, mas quero casar contigo foi o que me aconteceu.
Em 2010, acabada de entrar no meu 11º ano, a descobrir aquele que foi o meu grande amor da adolescência, apercebendo-me das dificuldades de ser uma rapariga com 16 anos, dos falsos sorrisos e das verdadeiras amizades, eis que a minha melhor amiga me oferece, em parte por referência minha, Desculpa, mas vou chamar-te amor. Um livro que, também com o seu timming, me acompanhou nas idas à fisioterapia, na primeira viagem de avião, apadrinhou o primeiro namoro e me fez suspirar e rever nas suas palavras.
Ainda no meu 11º ano, a Parte II chegou às livrarias e vi-a sorrir-me e pedir silenciosamente que esperasse. Assim fiz. Não li a contracapa (sabia antemão que iria adorar tal como o primeiro), não prestei muita atenção ao preço, nem mesmo à capa. Esperei...
Exatamente 3 anos depois, num dia exasperante, peguei no carro e corri à livraria em busca de um novo livro (nunca tal me tinha acontecido mas não tinha um único 'livrito' por ler na minha estante) e ouvi-o! Estava ali, a gritar por mim. Peguei nele e reparei que, curiosamente, estava 8€ mais barato... destino? sorte? Não sei, mas soube que era a altura. Trouxe-o. Desfolhei-o. Revi-me. Emocionei-me.
Tal como a minha vida, a de Niki e das Ondas também evoluiu. Percebi que o que agora sinto também elas sentem. Compreendi as emoções, as dúvidas, a excitação dos reencontros, a nostalgia das memórias do liceu e o êxtase stressado da vida universitária. Senti o peso da responsabilidade, o ganho de independência, o amadurecimento de opiniões que em tempos eram infundadas e infantis.
Cresci, eles cresceram. Chorei com eles, como também choro ainda por mim. Sorri, gargalhei e gritei de entusiasmo nos últimos três anos e nas últimas 600 páginas.
É um fim que não acabou. Uma fase sentida que me inspirou a sonhar com o futuro. Palavras que me fizeram compreender que o meu passado é meu mas é também um bocadinho de todos, o meu presente é único mas não incomparável, o meu futuro é tão imprevisível e possível como todos os outros.
Um livro, uma vida, um amor, uma história, uma paixão, mil palavras, infinitas emoções, um grandioso obrigada por há três anos me teres chamado e por esta semana me chamares de novo!