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Cancioneiro

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Fernando Pessoa é reconhecido como um dos maiores poetas da língua portuguesa. É colocado à altura de Camões.
Como disse um crítico: "com sua personalidade múltipla, ele deu à poesia lírica uma dimensão intensamente dramática, unindo a reflexão existencial à pesquisa de linguagem em proporções raramente encontráveis em um poeta".
Cancioneiro reúne os poemas líricos que Pessoa assinou com o próprio nome. Sabe-se que era projeto do poeta subordinar quase toda sua obra ortônima ao título geral de Cancioneiro.
Neste volume estão reunidos poemas que foram publicados esparsadamente em periódicos da época.

Paperback

First published January 1, 1988

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About the author

Fernando Pessoa

1,252 books6,372 followers
Fernando António Nogueira Pessoa was a poet and writer.

It is sometimes said that the four greatest Portuguese poets of modern times are Fernando Pessoa. The statement is possible since Pessoa, whose name means ‘person’ in Portuguese, had three alter egos who wrote in styles completely different from his own. In fact Pessoa wrote under dozens of names, but Alberto Caeiro, Ricardo Reis and Álvaro de Campos were – their creator claimed – full-fledged individuals who wrote things that he himself would never or could never write. He dubbed them ‘heteronyms’ rather than pseudonyms, since they were not false names but “other names”, belonging to distinct literary personalities. Not only were their styles different; they thought differently, they had different religious and political views, different aesthetic sensibilities, different social temperaments. And each produced a large body of poetry. Álvaro de Campos and Ricardo Reis also signed dozens of pages of prose.

The critic Harold Bloom referred to him in the book The Western Canon as the most representative poet of the twentieth century, along with Pablo Neruda.

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3 (1%)
1 star
2 (<1%)
Displaying 1 - 30 of 33 reviews
Profile Image for Oziel Bispo.
537 reviews85 followers
September 23, 2019
O que dizer desse Gênio chamado Fernando Pessoa, o maior poeta da língua portuguesa,e um dos maiores poetas que já existiu.
Seus versos são como um bálsamo para as nossas almas, através deles podemos sentir pelo menos por um instante, a perfeição , em meio a um mundo onde impera o caos.
Simplesmente excepcional essa coletânea.

"Porque verdadeiramente
sentir é tão complicado
que só andando enganado
é que se crê que se sente.
Eu sinto com a imaginação, não uso o coração."
Profile Image for Joana Gonçalves.
128 reviews
August 2, 2016
Nunca tinha lido muitos trabalhos do ortónimo, mas uau.
É Pessoa, haverá mais a acrescentar? Sou e serei sempre uma grande admiradora deste senhor. <3

"Cai chuva do céu cinzento
Que não tem razão de ser.
Até o meu pensamento
Tem chuva nele a escorrer.

Tenho uma grande tristeza
Acrescentada à que sinto.
Quero dizer-ma mas pesa
O quanto comigo minto.

Porque verdadeiramente
Não sei se estou triste ou não,
E a chuva cai levemente
(Porque Verlaine consente)
Dentro do meu coração."

5*, obviamente!
Profile Image for Talita Abreu (Ig - Casa da Coruja).
34 reviews27 followers
Read
December 15, 2021
Sempre acho difícil avaliar poesia. É meu segundo Pessoa, e ainda não consegui me achar com o poeta.
Ainda estou me aventurando no gênero, tentando entender o que eu gosto ou não.
Quanto ao livro em si, alguns poemas amei demais, mas, pra ser sincera, a maioria fiquei um pouco perdida. Acredito que seja mais da minha “inexperiência” no gênero, do que qualquer outra coisa.


Profile Image for Maria Carmo.
2,060 reviews51 followers
January 31, 2012
CANCIONEIRO DE FERNANDO PESSOA

É neste livro que encontramos alguns dos mais famosos e conhecidos poemas do autor, como por exemplo “O Poeta é um fingidor” e “Eros e Psique”.

Autopsicografia

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.


- O poeta é um fingidor não porque queira "enganar" alguém, mas porque a construção da mente do poeta é uma capa que ora revela, ora esconde a pura realidade... Essa capa, ele usa-a também relativamente a si próprio, por isso chega a "fingir a dor que realmente sente"... Ao contar-se a si mesmo a dor, transfigura-a, encenando-a...
Mas o poeta não "finge" sozinho - Quem o lè embarca também nessa jornada de ocultação da directa percepção da realildade... Os leitores vêm, por isso, nas "dores do poeta", "aquela que eles não têm" - projectando naquela dor que é a sua todo o potencial sentimental que nas suas verdadeiras dores porventura não surge tão desasombradamente...

Curioso, também, é Fernando Pessoa chamar a esta poema "Autopsicografia", como se se tratasse de uma radiografia da Alma do Poeta...



Eros e Psique

Conta a lenda que dormia
Uma Princesa encantada
A quem só despertaria
Um Infante, que viria
De além do muro da estrada.

Ele tinha que, tentado,
Vencer o mal e o bem,
Antes que, já libertado,
Deixasse o caminho errado
Por o que à Princesa vem.

A Princesa Adormecida,
Se espera, dormindo espera,
Sonha em morte a sua vida,
E orna-lhe a fronte esquecida,
Verde, uma grinalda de hera.

Longe o Infante, esforçado,
Sem saber que intuito tem,
Rompe o caminho fadado,
Ele dela é ignorado,
Ela para ele é ninguém.


Mas cada um cumpre o Destino
Ela dormindo encantada,
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada.

E, se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada fora,
E falso, ele vem seguro,
E vencendo estrada e muro,
Chega onde em sono ela mora,


E, ‘inda tonto do que houvera,
À cabeça, em maresia,
Ergue a mão, e encontra hera,
E vê que ele mesmo era
A Princesa que dormia.


- Quem somos, como Princesa Adormecida, e o que procuramos, como Principe Encantado?
Neste magnífico poema, o Poeta presenteia-nos com um drama num acto único da aventura da auto descoberta... Poderíamos aqui fazer várias comparações com ensinamentos espirituais e tradições de Sabedoria, mas a beleza da Poesia é tornar desnecessárias todas essas explicações. Releiam o poema meditando-o e maravilhem-se perante esta Iniciação da Alma.




- Finalmnete, selecionei um pequeno poema que parece fazer a análise dessa "espécie de loucura" que possui Fernando Pessoa:

“Esta espécie de loucura
Que é pouco chamar talento
E que brilha em mim, na escura
Confusão do pensamento,

Não me traz felicidade;
Porque, enfim, sempre haverá
Sol ou sombra na cidade.
Mas em mim não sei o que há.”



"Em mim não sei o que há" traduz todo o drama da vida deste Ser incomparável cuja Pátria é a Língua Portuguesa.


Maria Carmo,

Lisboa 31 de Janeiro de 2012.
Profile Image for Lee.
171 reviews
February 4, 2018
Qualquer música, ah, qualquer,
Logo que me tire da alma
Esta incerteza que quer
Qualquer impossível calma!

Qualquer música - guitarra,
Viola, harmónio, realejo...
Um canto que se desgarra...
Um sonho em que nada vejo...

Qualquer coisa que não vida!
Jota, fado, a confusão
Da última dança vivida...
Que eu não sinta o coração!
Profile Image for Catarina | cat literary world.
641 reviews
October 30, 2020
"Cancioneiro" traz-nos um conjunto de poemas de Fernando Pessoa. À semelhança de "Poemas de Álvaro de Campos" senti falta de uma linha condutora, o que fez com que achasse esta leitura um pouco difícil. Ainda assim, é daqueles livros a ler pelo menos uma vez na vida.
Profile Image for André.
26 reviews5 followers
October 12, 2025
quatro e meio.


“É brando o dia, brando o vento
É brando o sol e brando o céu.
Assim fosse meu pensamento!
Assim fosse eu, assim fosse eu!”
Profile Image for Laura P..
1 review
May 12, 2023
Fernando Pessoa, no meu coração nunca vai existir nenhum como você! Minha familiaridade com Pessoa estava "limitada" aos heterônimos dele, só tinha lido uma ou outra poesia escrita sob seu ortônimo. Agora terminei de ler essa coletânea belíssima e não sei o que o fazer com a minha vida. A poesia dele é como uma companhia, como uma mão no ombro dizendo aquilo que devíamos saber mas que pode ser difícil de se lembrar em momentos complicados: alguém já sentiu exatamente isso que você está sentindo agora. E pra minha sorte, essa pessoa tinha um talento inigualável, transformador. Eu grifei esse livro inteiro, marquei como 'favorito' quase todos os poemas. Fiquei desorientada de tanto reconhecimento. Não tem como explicar! O golpe final foi "Un soir à Lima", que eu não estava esperando de forma alguma e que foi avassalador... Deixo aqui só alguns versos:

O véu das lágrimas não cega.
Vejo, a chorar,
O que essa música me entrega —
A mãe que eu tinha, o antigo lar,
A criança que fui,
O horror do tempo porque flui,
O horror da vida, porque é só matar.
(17/09/1935)

E a última estrofe de "O Silva":

Nunca acho uma atitude plana
Na vida estúpida e tranquila;
Mas, meu Deus, sinto a dor humana!
Nunca me tires o senti-la!
(28/03/1934)

Pessoa é um mundo inteiro.
Profile Image for Leandro Dutra.
Author 4 books48 followers
January 9, 2022
Alguns clássicos absolutos, como Autopsicografia. E vários poemas frustrantes. Lembram-me o simbolismo, tanto pela engenhosidade quanto pelo vazio; e a sensação de vazio parece vir de uma obseßão por ilusões e irrealidade. Faz-me pensar na distinção que Jean-Marc Berthoud estabelece entre uma cultura de forma (o caso de Peßoa) e outra de conteúdo (exemplificada por Calvino).
Profile Image for Joan x.
70 reviews1 follower
October 28, 2025
Quien toca mi puerta
Tan insistentemente
¿Sabrá que está muerta
El alma que en mí siente?

¿Sabrá que la velo
Desde que llega la noche
Con el vacío y vano desvelo
De quién no vela nada?

¿Sabrá que estoy sordo?
Porque lo sabe o no sabe,
Y así toca, yermo y absurdo,
¿Hasta que el mundo se acabe?


TODO LO QUE DICE PESSOA, YO LE CREO.
Profile Image for Bato25.
268 reviews2 followers
January 13, 2025
Fernando Pessoa is where my soul was 100 years ago
Profile Image for helena con h.
117 reviews
October 23, 2022
es intensito pessoaaaa ehhh😮‍💨😮‍💨😮‍💨😮‍💨💌💌🌷🌷
Profile Image for Adriana Matos.
2 reviews3 followers
November 29, 2014
Com uma seleção de poemas "inclassificáveis", Pessoa reforça a sua classificação de poeta fingidor, um maravilhoso escritor-personagem que, ao escrever a dor fingida, "a dor que deveras sente", a deixa em versos para ser lida, causando a quem a lê, posteriormente, a sensação da dor, "não as duas que ele teve", mas uma que não se tem.
As canções ortónimas desta seleção seguem a corrente lírica central e, entre elas, encontramos uma das minhas preferidas: "Não sei quantas almas tenho".
Um livro reconfortante, para ser apreciado nestes dias de Outono em que "o vento lívido volve" as ruas. Ou em qualquer outra altura.
Profile Image for Pedro Zavala.
101 reviews9 followers
May 24, 2011
algo más festivo de lo que hubiera querido pero con el sello de Pessoa
Profile Image for Qabas Waad.
48 reviews1 follower
March 10, 2023
كأنه ينطق بلساني
كأني أكتب بقلمه
هذا الرجل استثناء
Profile Image for Ligia.
104 reviews14 followers
January 22, 2025
Ele cria umas imagens tão lindas:

Ilumina- se a igreja por dentro da chuva deste dia,
E cada vela que se acende é mais chuva a bater na vidraça...
Alegra-me ouvir a chuva porque ela é o templo estar aceso,
E as vidraças da igreja vistas de fora são o som da chuva ouvido por dentro...
O esplendor do altar-mor é o eu não poder quase ver os montes
Através da chuva que é ouro tão solene na toalha do altar...
Soa o canto do coro, latino e vento a sacudir-me a vidraça
E sente-se chiar a água no facto de haver coro...


Talvez queira reler. Chamaram muito minha atenção nos poemas dele o vazio, o cansaço, o devir, o inconsciente, uma ignorância que pretende saber, um distanciamento emocional frente a tanto sofrimento no mundo. Acho que aproveitaria melhor ler mais devagar.


O sono — Oh, ilusão! — o sono? quem
Logrará esse vácuo ao qual aspira
A alma que, de aspirar em vão, delira,
E já nem força para querer tem?
Que sono apetecemos? O d'alguém
Adormecido na feliz mentira
Da sonolência vaga que nos tira
Todo o sentir no qual a dor nos vem?
Ilusão tudo! Querer um sono eterno,
Um descanso, uma paz, não é senão
O último anseio desesperado e vão.
Perdido, resta o derradeiro inferno
Do tédio intérmino, esse de já não
Nem aspirar a ter aspiração.



Vive o momento com saudade dele
Já ao vivê-lo...
Barcas vazias, sempre nos impele
Como a um solto cabelo
Um vento para longe, e não sabemos,
Ao viver, que sentimos ou queremos...
Demo-nos pois a consciência disto
Como de um lago
Posto em paisagens de torpor mortiço
Sob um céu ermo e vago,
Que a nossa consciência de nós seja
Uma coisa que nada já deseja...


Saber? Que sei eu? Pensar é descrer.— Leve e azul é o céu— Tudo é tão difícil De compreender!... A ciência, uma fada Num conto de louco...— A luz é lavada— Como o que nós vemos É nítido e pouco! Que sei eu que abrande Meu anseio fundo? Ó céu real e grande, Não saber o modo De pensar o mundo!


Meu pensamento é um rio subterrâneo.



Mas o olhar, de estar olhando
Onde não olha, voltou;
E estamos os dois falando
O que se não conversou.
Isto acaba ou começou?



O poeta é um fingidor
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor A dor que deveras sente.
E os que leem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
Profile Image for João Cirilo.
38 reviews10 followers
August 28, 2023
Há alguns anos não lia Pessoa - percebi, depois dos últimos versos desse livro, que cometi um erro tremendo.

As poesias que mais me alegraram (sim, alegraram, nada racional) foram as de "temas" místicos e fantásticos - as poesias sobre reis, princesas, infantes, gnomos e fadas são excelentes.

"Não ser tal qual Pessoa me afeta,
Sinto facadas do além.
Mas não é verdade secreta
Que ninguém mais o é também."
Profile Image for Débora Morais.
54 reviews
September 22, 2023
Esse é o meu primeiro contato mais profundo com a poesia de Fernando Pessoa. Cancioneiro é um livro muito rico e diverso, com poemas soltos do autor, o livro tem em alguns momentos a estética melancólica e pastoril. Além disso, nota-se a forte influência simbolista na obra.

"O poeta é um fingidor. Finge tão completamente Que chega a fingir que é dor A dor que deveras sente."
Profile Image for Lola.
49 reviews2 followers
September 20, 2018
J'entame une relation amoureuse avec Pessoa et tous ses hétéronymes.
11 reviews2 followers
October 6, 2018
“Tenemos, quienes vivimos,
una vida que es vivida
y otra vida que es pensada,
y la única en que existimos
es la que está dividida
entre la cierta y la errada”
Profile Image for Emmanuel.
70 reviews26 followers
May 17, 2020
Se eu não sou um grande fã de poesia, acho que sou fã dos poemas de Pessoa.
63 reviews3 followers
July 28, 2020
Os poemas ortônimos merecem mais amor, são excelentes e não devem nada aos heterônimos.
Profile Image for Libene Fernandes.
136 reviews1 follower
November 15, 2020
“Temos, todos que vivemos,
Uma vida que é vivida
E outra vida que é pensada,
E a única vida que temos
É essa que é dividida
Entre a verdadeira e a errada.”
Displaying 1 - 30 of 33 reviews

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