Personagem oculta por inúmeras e sucessivas camadas de interpretações ideológicas, quer eruditas quer populares, a figura verídica do nosso primeiro Rei só muito hipoteticamente se pode reconstituir nas suas dimensões históricas. O mito sobrepõe-se, teimosamente, à história.
Mas pode-se tentar descobrir como nasceram as narrativas tecidas em torno da sua personalidade, examinar o sentido que tinham quando apareceram e reconstituir os sucessos de que Afonso Henriques foi protagonista principal.
Se não é possível traçar-lhe o retrato preciso, pode-se, ao menos, estudar as suas orientações políticas e administrativas, conhecer os seus principais auxiliares e justificar o êxito da sua obra.
Apesar de assim desaparecer o herói sobrenatural, toma inegável relevo o seu talento político e militar e, por conseguinte, o seu direito a ser de facto considerado o rei fundador de Portugal.
JOSÉ MATTOSO nasceu em Leiria, a 22 de Janeiro de 1933. Professor catedrático jubilado, doutorou-se em História Medieval pela Universidade de Lovaina (Bélgica), em 1966, quando era monge beneditino do Mosteiro de Singeverga, onde permaneceu até 1969. Pediu a redução ao estado laical em 1970, iniciando então uma carreira universitária. Leccionou na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, entre 1971 e 1977, e, daí até 1990, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, Universidade de que foi também vice-reitor (1991-1995). Foi presidente do Instituto Português de Arquivos (1988-1990), director do Instituto de Arquivos Nacionais / Torre do Tombo (1996-1998) e Presidente do Conselho Científico das Ciências Sociais e Humanidades da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (2010-2012). Recebeu o Prémio Pessoa (1987) e o Prémio Internacional de Genealogia Bohüs Szögyeny (1991), Foi condecorado, pela Presidência da República, com o Grande-Oficialato da Ordem de Sant'Iago da Espada (1992). Faleceu a 8 de Julho de 2023, em Torres Vedras.
«Mas talvez a oposição entre o humano e o sobrenatural, entre a obra dos homens e a obra de Deus seja uma ilusão. Talvez não seja preciso transfigurar o real para lhe encontrar o sentido eterno. Era isso, sem dúvida, o que Santo Ireneu queria dizer quando afirmava que "A glória de Deus é a vida do homem sobre a terra".» p. 376
I rarely read biographies so when I do it is because I really feel curious about the person in question. That was the case with D. Afonso Henriques, the founder of Portugal and therefore its first king. All I knew about him I had learned in school so I decided to deepen my knowledge by reading this beautifully written text by José Mattoso, a well-known and respected historian. And I am so glad I did. Now I feel like I know a lot about Afonso Henriques, the people he surrounded himself with, the conventions of his time and basically how it all started for us. I think this means you will see more biographies around here!
Livro impecável que tenta montar uma imagem do nosso primeiro rei português, e que retrata o periodo em questão, e suas relações com a nobreza, reis, clero no que era o condando portucalense. Entre os poucos factos e assumpções, o autor de forma coerente e consistente ou apresentando as várias teorias faz um trabalho exemplar nesta tarefa herculanea. Linguagem nem sempre acessível mas aceitável (fica melhor depois da introdução massuda)
Não é um livro que recomendaria a todos mas é obrigatório a quem quer uma visão realistica, crítica e histórica (com espaço para mitos) do fundador de Portugal.
José Mattoso esforça-se para ser menos historiador que o habitual na sua escrita tentando condensar a informação de forma a não massar o leitor, ao mesmo tempo que não abandona o seu espírito rigoroso.
É um livro com muita informação e não é de todo um romance nem uma escrita fácil, apesar do esforço de Mattoso. Para fãs de História e habituados à escrita em género de artigo científico, será uma leitura agradável. Para pessoas que querem saber mais sobre Afonso Henriques mas não de forma tão aprofundada, um livro mais inicial e leve seria o Diogo Freitas do Amaral: D.Afonso Henriques, Biografia.
No entanto, este é para mim a versão mais definitiva e clara sobre o Rei. Sem invenções, só o que se sabe e julga saber.
Do nosso primeiro rei já havia lido a biografia que Freitas do Amaral escreveu e alguma informação solta em outros livros e artigos de historia do mesmo periodo. Por isso já tinha uma ideia muito favorável deste rei, considerando que a sua ambição, intiligência e astúcia fizeram dele um homem admirável em qualquer época.
Gostei muito do facto de J. Mattoso tentar separar o homem do mito, oferecendo não só a sua explicação, mas as de outros autores tambem (mesmo quando não concorda com elas). No meio de tanta data e informação tanto do lado Português como dos outros reinos Ibéricos, a cronologia nos anexos foi issencial para não me perder.
É para todos aqueles que queiram aprender sobre a época.
Livro de grande rigor e valor académico como esperava do seu autor. Para um leitor casual será, na minha opinião, um pouco massudo demais. Se procuram uma leitura romanceada da vida de Afonso Henriques como entretinimento, não é esta. Mas, por outro lado, se procuram uma obra que separe o facto da ficção e apresente o que se sabe ao certo de Afonso Henriques sem dar destaque às muitas lendas e mitos que circundam a sua vida, encontram-na aqui. Um livro escrito por um académico que pode ser entendido por um público leigo, mas melhor apreciado por um leitor também académico. Tem também o mérito, acho, de enquadrar os factos conhecidos da história portuguesa no contexto europeu dando uma visão bastante mais alargada de como era vista a missão de A. Henriques no estrangeiro.
Um verdadeiro livro de História sobre o nosso 1o rei. Sem descrições romantizadas da conquista de Lisboa ou da Batalha de São Mamede. Mas com enorme atenção às fontes originais, aos movimentos de fundo que podem ou não explicar os factos históricos. E com algo de que gostei muito: a assunção da dúvida do autor quando a interpretação dos factos é complicada e não linear. A ler.
José Mattoso consegue, nesta obra, retratar D. Afonso Henriques e o seu próprio contexto de uma forma muito completa. Pela abordagem multifacetada, e um discurso acessível e explicativo, para além da metodologia utilizada, esta obra deve ser referência para qualquer pessoa que estude História.
Um livro escrito por um historiador. Há imensos detalhes e nomes que torna difícil de seguir. Ainda assim, quanto mais li, mais gostei. Para mim faltou um capítulo de resumo à personalidade do rei. Gostaria de ter lido a análise e opinião do autor.