Quem viu os filmes do realizador Andrei Tarkovskii teve, talvez sem o saber, um primeiro contacto com a obra do seu pai, o poeta Arsenii Tarkovskii, declamada em obras como "O Espelho" e "Andrei Rubliov". Em «8 Ícones», Paulo da Costa Domingos seleccionou e traduziu alguns dos mais belos poemas de Arsenii Tarkovski, de forma a que o leitor possa, como o destino caracterizado pelo poeta, seguir-lhe o rastro, “como um louco com uma navalha na mão”.
Arseny Alexandrovich Tarkovsky (Russian: Арсений Александрович Тарковский, June 25 [O.S. June 12] 1907, Elisavetgrad – May 27, 1989, Moscow) was a prominent Russian poet and translator. His poems appeared in the films The Mirror and Stalker, directed by Andrei Tarkovsky, his son.
He was a friend of Marina Tsvetaeva, and is sometimes referred to as the "Last Love of Marina Tsvetaeva". Being younger than Anna Akhmatova and Marina Tsvetayeva he imbibed the poetic traditions of the Silver Age generation and interpreted them through the prism of his personality in his creativity.
He composed his own poetry throughout his life, but did not publish it until his fifties.
“Escolho uma idade à minha medida. Guia-nos o sul, com remoinhos de pó sobre a estepe; Renques daninhos, pragas de gafanhotos, As cintilações faiscantes das ferraduras polidas, Tudo profetizava - visões De monge - que eu iria perecer. Peguei no destino, atei-o à sela; E agora que estou no futuro, permaneço Hirto nos estribos como uma criança”
"Não acredito em pressentimentos, nem agoiros Me assustam. Não evito a calúnia Ou o veneno. Não há morte sobre a terra. Todos são imortais. Tudo é imortal. Não há Que ter medo da morte aos sete Nem aos setenta. O real e a luz Existem, mas não a morte ou a treva. Viemos hoje à enseada, E o cardume da imortalidade veio Quando eu puxava as redes."
"Só quero a imortalidade Para que o sangue flua pelas eras. "
"Temos, um só corpo, Singular, solitário, A alma teve o que baste Ali dentro fechada, Caixa com olhos e orelhas Do tamanho de um botão E pele - costura após costura - Cobrindo a estrutura óssea."
"Corpo sem alma é pecado, É um corpo sem camisa - Nada feito sem intenção, Sem inspiração, nenhuma linha. Insolúvel charada: Quem no fim irá voltar À pista de dança quando Ninguém houver para dançar?"
Este livro pequeno, escasso em letras e com esta frase - "A grande Poesia parece não estar na moda. Não há memória da moda de um Mito", dita por Paulo da Costa Domingos em Dezembro de 1986. Este gato maltês, número 17 da Assírio, parece passar completamente ao lado de quem não procura livros num mural de livraria.
Deixo-vos parte deste livro-poema, Vida, Vida. Espero que gostem.
página 25:
"Não acredito em pressentimentos, nem agoiros Me assustam. Não evito a calúnia Ou o veneno. Não há morte sobre a terra. Todos são imortais. Tudo é imortal. Não há Que ter medo da morte aos sete Nem aos setenta. O real e a luz Existem, mas não a morte ou a treva. Viemos hoje à enseada, E o cardume da imortalidade veio Quando eu puxava as redes."