Deixem-me em primeiro explicar qual a classificação de livros que uso
Com uma ⭐️ classifico o que à partida acho tão mau que nunca irei ler. E como é óbvio não tenho livros assim classificados
Com duas ⭐️classifico os livros que por serem tão maus me arrependo de os ter comprado ou lido
Com cinco ⭐️ tenho os livros com os quais aprendo, que fazem de mim uma pessoa melhor, que estão bem escritos e que seguramente (se possível) os irei ler novamente.
Com quatro ⭐️ estão os livros com que aprendo, que fazem de mim uma pessoa melhor, mas que por algum motivo está em princípio fora de questão relê-los.
Com três ⭐️ estão os livros com que aprendi alguma coisa, mas que não contribuíram para a minha formação.
No livro MOSSAD de Erick Fratini acho que a classificação justa seria 3,5 ⭐️ e passo a explicar
É um livro com muita informação, muitos factos, muitas personagens, mas sempre em demasia, e de tal forma é extenso que tive dificuldade em chegar ao fim.
Aliás, acho mesmo que falta um time line que inclua personagens (primeiros ministros, memuneb, factos, operações, etc). Torna-se difícil acompanhar a história sem ter um apoio deste género.
Um crítica que vi escrita passava pela indicação de haver alguma repetição de factos. Bom, essa crítica parece-me injusta pois da forma como o autor descreve cada operação é impossível não haver alguma repetição de factos uma vez que muitas operações ocorreram em simultâneo.
Quanto à forma como está escrito, não gostei, achei muitos termos confusos e alguma sequência igualmente difícil de acompanhar. Como não li o livro no original tenho dificuldade em perceber se o problema não é da tradução.
A principal crítica que faço ao livro e ao autor é que é faccioso.
Se o autor se limitasse a descrever os factos, não haveria problema em o ter feito desta maneira. Mas para descrever os factos bastavam algumas dezenas de páginas.
No livro, o autor, e bem, sentiu a necessidade de enquadrar os factos, e para isso deu-nos apenas as perspectivas dos judeus e dos israelitas, e isso não é correcto.
Se para descrever a duas primeiras operações as de Adolf Eichmann e a do “carniceiro de Riga” não era necessário enquadramento, já na maioria das outras, as perspectivas dos palestinianos deveriam estar patentes. E neste assunto o autor é omisso quanto ao caldo de miséria e desespero em que essas populações vivem.
De “barriga cheia” e com bons empregos não seria fácil encontrar bombistas suicidas. E ao autor falta-lhe descrever melhor as condições físicas, sociais, econômicas, familiares e acima de tudo religiosas em que os palestinos vivem.
O autor faz uma espécie de exaltação da Mossad sem nunca entender que do outro lado da barricada estão seres humanos que se fazem o que fazem é porque para isso têm justificações válidas ou não, não importa, têm é de ser descritas .
Se as ações da Mossad e do seu Memuneb e Katas podem ser justificadas com um simples cumprir de tarefa, já alguns requintes de malvadez devem ser sublinhados como algo que é muito íntimo ou que aí foi plantado de forma gratuita. E Isso não está explicado
Muitos dos assassinatos da Mossad foram gratuitos, vejo por exemplo o do líder da intifada e o de R Maxwell. Em nenhum dos dois consegui perceber a justificação se é que na guerra algo pode ter justificativo. Tudo o que se multiplicar por absurdo vai dar absurdo
No assassinatos de R Maxwell foi ainda referido pelo autor haver algum tipo de cumplicidade nos negócios entre R Maxwell e o primeiro ministro israelita de então, Isack Shamir. Uma relação muito pouco explorado pelo autor e que poderia explicar a necessidade do assassinato. Aliás, em muitos casos fiquei com a impressão que foi por motivos de imagem na opinião pública ou de interesses pessoais mais escondidos que alguns assassinatos foram perpetrados.
Devo dizer ainda que já li o livro Mossad de Dan Raviv, e que achei uma abordagem ao tema bem mais adequada.
Bom, sou um fã dos livros do Gabriel Allon, e não posso deixar de referir a grande semelhança que há entre a realidade é a ficção. Mérito para o Daniel Silva
E em resumo, aprendi com este livro, e ainda que melhorasse a minha formação, pela forma como está escrito, ou pelo facciosismo que denota nunca mais o irei ler
Por isso o justo seriam 3,5 ⭐️