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Cristal - Antologia Bilíngüe

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Esta edição bilingüe de Paul Celan, traz ao leitor a oportunidade de apreciar uma das opções poéticas mais radicais da literatura contemporânea. O poeta tem como horizonte a Europa do pós-holocausto e o leitor poderá sentir aqui o peso de uma escrita densa em sua angélica tarefa de redenção dos mortos. Uma poética que levou o filósofo Adorno a afirmar: 'A dor perene tem tanto direito de expressão, como o torturado ao grito; por isso pode ter sido errado afirmar que não se pode escrever mais nenhum poema após Auschwitz'.

192 pages

First published January 1, 2009

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About the author

Paul Celan

216 books512 followers
Poet, translator, essayist, and lecturer, influenced by French Surrealism and Symbolism. Celan was born in Cernăuţi, at the time Romania, now Ukraine, he lived in France, and wrote in German. His parents were killed in the Holocaust; the author himself escaped death by working in a Nazi labor camp. "Death is a Master from Germany", Celan's most quoted words, translated into English in different ways, are from the poem 'Todesfuge' (Death Fugue). Celan's body was found in the Seine river in late April 1970, he had committed suicide.

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Profile Image for Daniel Souza Luz.
153 reviews1 follower
October 27, 2019
Este livro é um portento. Nem sei se deveria dizer muito mais a respeito, ainda mais sendo neófito na poesia de Paul Celan. Foi indicação e empréstimo do meu amigo Jorge Benedito de Freitas, que estudou o Celan no mestrado (ou seria no doutorado?). Esta coletânea compila poemas de todos os livros reconhecidos pelo autor; a seleção foi da tradutora, Claudia Cavalcanti. Li ao longo de quase dois meses, um poema por dia. Por fim, depois de passado um bom tempo, li um discurso que Celan proferiu na entrega de um prêmio literário, pois na verdade é um ensaio complexo sobre o fazer poético e logo vi que sua erudição demandava muita concentração - separei uma tarde de domingo em que pude lê-lo atentamente. Nos textos de apresentação de Cavalcanti e Márcio Seligmann-Silva aprendi que Celan era judeu, nasceu na Romênia, passou a maior parte da vida na França e mesmo assim considerava-se um escritor alemão, língua na qual escrevia. Até o Jorge me emprestar o livro, jamais tinha ouvido falar nele. O tema do Holocausto, do 20 de janeiro de 1942 citado na orelha e no discurso, pareceu-me ser aludido apenas em algumas poesias no início. Com o passar dos anos, noto que ele tornou-se cada vez mais conciso. Suas obras finais, as que não tiveram muita atenção do público e crítica, foram as que mais gostei. Ele torna-se simultaneamente mais explícito, como em Uma Folha, Desarvorada, que é dedicado a Bertolt Brecht, e ao mesmo tempo mais enigmático. Os dois últimos poemas, póstumos, fascinam-me em particular; para mim tangenciam a FC, o que é inaudito, creio. No apêndice, o discurso menciona a questão do diálogo do poeta com o Outro (inclusive Celan destaca que este encontro se dá em outros tempos, pelo o que entendi), o "tu" ("Du") que meu amigo Jorge tantas vezes marcou nos textos originais - a edição é bilíngue - e que a tradutora optou por tornar sujeito oculto. Isto me chamou muito a atenção. Parece-me que alguns poemas ganham outro sentido, que Celan não está falando (somente) com sua musa: "Foste minha morte/Pude deter-te/enquanto tudo me escapava". Ele estava falando de viver em você, leitor, por mais algum tempo, não? Não sei. Mas talvez - talvez - seja isto a majestade do absurdo que testemunha a tênue presença humana da qual ele fala.
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