Esta é a história de uma mulher entre os trinta e os quarenta anos e com uma tendência natural para o abismo e para o pecado. Uma mulher como as outras, que cura um caso de desamor e se apaixona pela vida noutra cidade - o Rio de Janeiro, a cidade onde as árvores só deixam de florir quando se aproxima o Outuno que nunca vem, e onde há garotos de bundas perfeitas, mulheres doces, aventuras permanentes, abismos escondidos. Uma mulher portuguesa perde-se facilmente nesse mundo de tentações, orgias, cerveja e mães-de-santo; não só porque tudo fica muito longe de portugal, da sua moral e da sua pequenez, mas porque é precisamente aí que ela descobre «o difícil amor de todos os dias». «"Transa Atlântica" é um romance dentro de um diário, ferramentas a céu aberto (o do Leblon), matéria textual, a luz perto do coração, a pulsão do pau, os morros, a doçura dos pipis indecisos, Capitu, pessoas que odeiam blogues mas têm contas a prazo, "a influência de Kierkgaard nos filmes de Woody Allen", Emily Brontë, mulheres do mundo vidradas em morcela, trambiques, crónica doméstica, Berardo (esse, o Joe), uma instigante luta corpo-acorpo com as possibilidades bilingues da língua comum. Cabe tudo em 118 capítulos. Primeiríssima água. » Eduardo Pitta,Público, ípsilon online
Mónica Marques nasceu em Lisboa em 1970. É jornalista. Formou-se em Relações Internacionais. Vive no Rio de Janeiro há sete anos, com o marido e os dois filhos. Transa Atlântica é o seu primeiro romance.
Devia ser do espírito com que o li, mas não gostei nada do livro. A história, supostamente, é a de uma mulher entre os 30 e os 40 que está desiludida com a sua vida amorosa (onde é que eu já li isto?!), mas que é apaixonada pelo Rio de Janeiro. De tudo o li, isto saltou-me à vista. Viajamos ao Rio e conhecemos os cariocas sem sair do sofá. As descrições são muito vivídas e quando damos por isso aquelas pessoas estão a passar à nossa frente dentro da nossa sala e o Rio está em fundo para lá da nossa janela, mas as dúvidas metafísicas da autora mexem-me com os nervos. Não me parece que a Marta, a personagem principal, saiba o que quer da vida e eu não costumo gostar muito de pessoas assim. Quem não está bem muda-se, digo eu, e há muita indecisão latente. Até mesmo na escrita. Os capítulos são todos curtinhos, mas um capítulo com uma ou duas frases nem aquece o lugar.
Um livro que comprei com grande desconto na Feira do Livro. Leve, com capítulos curtos e que faz um retrato do Rio de Janeiro pelos olhos de uma Lisboeta que vive na cidade maravilhosa. Conheci a autora pelo blog - https://sushileblon2.blogs.sapo.pt/ - que lia diáriamente nos anos 2007 e 2008. Talvez por isso, o livro lido agora, não me tenha causado o mesmo impacto desses anos. É curioso ver o Rio pelos olhos e escrita de uma portuguesa com todas a diferenças culturais que existem e que unem os dois povos. Dá ideia que o português se sente meio quadrado num ambiente de calor e sensualidade que transborda a cidade. Um livro que lido há 15 anos teria me enchido as medidas.