Resultante de um desafio colocado pelo responsável da área do Pensamento e da Literatura do Porto Capital Europeia da Cultura ao editor Manuel Hermínio Monteiro, da Assírio & Alvim, surge este magnífico livro, "Rosa do Mundo - 2001 Poemas para o Futuro", uma bíblia de quase 2000 páginas e 2001 poemas, como o título indica. Parece muito? Bem, como refere Paulo Cunha e Silva, na sua nota introdutória, este número tem tanto de impressionante como de ínfimo, e se parecia grande acabaria por tornar-se pequeno, pois trata-se (e passamos a citar a introdução de MHM, o organizador) " de uma obra ambiciosa, procurando abarcar a poesia conhecida ao longo da História, desde as civilizações mais remotas até aos autores nascidos em 1945." Este trabalho de muitos meses reuniu uma vasta equipa de colaboradores e tradutores (v. ficha técnica) que escolheram um poema de cada poeta (a única excepção, se assim poderemos chamar-lhe, é Fernando Pessoa, já que os seus heterónimos foram considerados autonomamente) das poesias mais variadas, desde as primitivas cosmogonias de múltiplas proveniências à poesia de vários tempos e lugares.
“Rosa do Mundo - 2001 Poemas para o Futuro” mostra-nos que em todos os tempos e por toda a parte sempre palpitou a energia poderosa da mais pura emoção humana que hoje podemos experimentar nestas duas mil e uma pétalas que formam esta Rosa do Mundo.
"Rosa do Mundo — 2001 Poemas para o Futuro” é o título daquele que será o mais interessante projecto editorial e poético realizado entre nós. Dizêmo-lo sem falsas modéstias e com a convicção que deriva de um vasto trabalho colectivo de mais de uma centena de intervenientes que, ultrapassando um ano de trabalho, conseguiram reunir muita da mais bela poesia do mundo.
2001 poemas do passado, no presente, para o futuro...
Leio Rosa do Mundo há mais de três anos. Comecei do princípio para o fim. A certa altura parei, inverti o sentido e comecei do fim para o princípio. Por vezes, ignoro o marcador, abro-o aleatoriamente e leio o que a sorte me oferece. Ainda não os li todos (penso que não). Outros já li várias vezes (penso que sim). É, para mim, um livro muito especial. Quer aberto, quer fechado...
São 2001 poemas de todo o mundo, de todos os tempos. Apenas um poema de cada poeta, excepto de Fernando Pessoa, cujos principais heterónimos foram considerados como perfeitas identidades poéticas. Inclui, também, alguns poemas de livros célebres como o Livro dos Mortos do Antigo Egipto, a Ilíada, a Odisseia, entre outros.
Aqui, no Goodreads, vai ficar na minha lista de lidos, no entanto, continuarei a lê-lo até ao fim da minha vida... Apesar de não o ter terminado (acho que não), sei que nada existe nele que não mereça as cinco estrelas.
Para que me creiam, deixo-vos 7 das 2001 maravilhas: _____________ EMILY DICKINSON [E.U.A, (1830-1886)]
"Enviamos a Onda ao encontro da Onda — Uma Missão tão divina, O Mensageiro também enamorado, Esquecendo-se de voltar, E temos a sábia percepção ainda, Embora feita em vão, O momento mais sensato para deter o mar é quando o mar já partiu —" _____________ P. S. REGE [Índia, (1910-1978)]
"Penso que devo ter adormecido por algum tempo; Pois quando acordei tinhas vindo e partido. Apenas algumas flores permaneciam — Flores que não podiam sequer dizer quem eram... E uma fragrância vaga e suave no ar.
Esta noite tenho de sonhar um sonho mais longo Para que as flores falem E a sua fragrância estenda uma trémula ponte Entre nós." _____________ SALVATORE QUASIMODO [Itália, (1901-1968)]
"Cada um está só sobre o coração da terra Trespassado por um raio de sol: E de repente é noite." ______________ RICARDO REIS [Portugal, (1887-?)]
"A flor que és, não a que dás, eu quero. Porque me negas o que te não peço? Tempo há para negares Depois de teres dado. Flor, sê-me flor! Se te colher avaro A mão da infausta esfinge, tu perene Sombra errarás absurda, Buscando o que não deste." _____________ OCTAVIO PAZ [México, (1914-1998)]
"Rápidas mãos frias retiram uma a uma as vendas da sombra Abro os olhos Ainda estou vivo No centro de uma ferida ainda fresca." _____________ MARUYAMA KAORU [Japão, (1899-1974)]
"Pousada numa âncora, uma gaivota pia. De súbito, sem uma palavra, a âncora desliza. Surpreendida, a gaivota levanta voo. Em breve, a âncora empalidece na água, afundando-se. E o que a gaivota sente torna-se um grito bravio, triste, Perdido no vento." _____________ ADONIS [Síria, (1930)]
"Era algo que se estendia no túnel da História, Algo enfeitado e minado Levando seu menino de nafta envenenado, Por venenoso mercador cantado; Era um Oriente — criança que pede, Grita «Socorro!» E o Ocidente, seu senhor nunca errado — Mudado está agora este mapa; O Universo em chamas, Oriente-Ocidente: um só Túmulo Em cinza os têm juntado..." _____________