Quando Rodrigo chega a S. João, percebe que vai ter de crescer depressa se quiser sobreviver ao violento código que rege a vida dos órfãos. A aparição de um novo e pouco ortodoxo padre traz-lhe uma visão de esperança que promete mudar tudo. Mas uma maldição familiar emerge do passado. Uma série de assassínios brutais vai arrastá-lo, a ele e a Jorge, o seu único amigo, para um lugar sobrenatural escondido atrás de um misterioso alçapão.
Há séculos à deriva, os habitantes de Lothar, a ilha flutuante, pensam que são os únicos sobreviventes do Grande Dilúvio. No centro da ilha, numa árvore gigantesca, vive um anjo caído que é o seu deus. Um acontecimento, contudo, vai agitar o quotidiano e levar a que dois deles decidam partir.
Autor de Alçapão, Terra Fresca, Plano de Voo e A Herdeira de Salazar. A trabalhar com livros desde 1996 como livreiro, vendas online. marketing e editorial. Mora em Belas, Sintra. Tem 3 filhas e é casado com Joana.
Estive realmente indecisa entre o 3 e 4 porque acho que a primeira parte é muito mais forte do que a segunda. As expectativas ficaram logo muito muito elevadas. Dado que está bem escrito, fico-me pelas 4. Brevemente a opinião completa.
Este foi daqueles livros que se compram numa feira porque o preço chama a atenção e a sinopse até tem algo de "engraçado"... Trouxe-o para aquelas alturas em que acabo um livro e estou naquela indecisão costumeira do que vou ler a seguir...Afinal,foi uma agradável surpresa! Uma escrita fluida que passa sem nos apercebermos,uma história até empolgante...O que era para ser um livro de "separador" acabou por ser um livro que deu realmente prazer de ler! Sinceramente,gostei!
João Leal é um contador de histórias suicida. De uma assentada, no seu romance de estreia, «O Alçapão», escreveu três livros. Suicida mas de uma rara lucidez. E coragem. Ao arriscar conduzir três narrativas complexas, aparentemente sem terem nada a ver umas com as outras, sempre à beira do precipício, sem nunca resvalar; pelo seu estilo desprendido, coloquial, cru, sem pudores escatológicos, servido por uma «mise-en-scène» muito peculiar e estonteante. Desde as primeiras páginas que se adivinha o ritmo alucinante, mas o estilo cru que inicialmente o autor apresenta é, afinal, uma pequena (grande) subtileza para a densidade e o alcance cosmológico que se seguem (com a sedução de dezenas de pequenas histórias verdadeiramente deliciosas).
Não vale a pena desfiar os teasers com que «O Alçapão» foi promovido. O essencial reside no fôlego e na qualidade da escrita e da prodigiosa imaginação de João Leal que tanto choca como encanta, tanto desconcerta, como enleva. Irrequieto, a desafiar constantemente vários géneros literários, do policial ao fantástico, do histórico ao mitológico, «O Alçapão» joga em todas as frentes para acabar por afirmar uma voz própria; a da desconstrução para um rápido e feroz reordenamento. Mais do que uma surpresa na ficção portuguesa, este é um grande exercício de literatura, com a responsabilidade de ser altamente promissor.
Se leram a sinopse percebem que têm uma sinopse um bocadinho invulgar. O livro está dividido em duas partes. A primeira é uma narrativa muito crua, até dolorosa, entre violência e maus tratos entre crianças que estão numa espécie de sobrevivência dentro do colégio de São João.
Logo nas primeiras páginas o momento descrito fez-me chorar. Estou mais sensível, mas juro que começa de uma forma que despedaça o coração de qualquer um. E aqui, o autor faz referência à violência doméstica e a tantas famílias disfuncionais neste país. Outros temas, como a divindade, a música, a fé, a solidão, os laços familiares são colocados de forma muito subtil. Quase não damos por eles, mas estão lá.
O autor escreve de forma tão envolvente que uma pessoa não consegue parar. Queremos saber o que vai acontecer ao Rodrigo e descobrir em que tipo de adulto se vai transformar. E mais uma vez, surpresa, o autor dá a volta a tudo. O inesperado é realmente a palavra certa para descrever esta história. Ora estamos a ler um romance sobre um miúdo perdido, como logo de seguida estão num thriller entre mortes e investigação. Mas o melhor ainda está por vir. A segunda parte é tudo o que menos esperamos. E se a maioria não gostou muito da segunda parte, eu achei de uma criatividade abismal e só consegui fechar a boca de espanto mesmo no final quando as duas narrativas se ligam.
Bem, fica o aviso, este livro nunca será nada do que estás à espera mesmo quando estás à espera que seja um livro muito louco. Está a um preço absurdo de bom (5€). Tenho mesmo pena que autores como João Leal não tenham mais reconhecimento e popularidade dentro dos leitores, mas aqui fica a minha parte na sua divulgação. Obrigada ao Hugo que me dá sempre dicas fantásticas, não falha.
"A mosca come a merda. A rã come a mosca. O corvo come a rã. O Homem faz o que quer."
Primeira parte 5*, gostei bastante... Segunda parte, ao ler 3 capítulos desisti e passei para os 2 últimos capítulos finais, completa desilusão. Não compreendi o que o autor quis transmitir, adicionar fantasia quando abordou temas complexos não foi a melhor opção, poderia ter surpreendido optando por outra estratégia. Mesmo assim não dei como tempo perdido a leitura da primeira parte, mas de certeza que me ia arrastar e esquecer o entusiasmo da primeira parte se lesse a segunda parte na totalidade.
"É extraordinário como uma coisa, por pior que pareça, se for muitas vezes repetida se torna habitual."
" Reflectiu de seguida sobre como a vida é estranha e como se podem passar anos sem que nada aconteça e, num ápice, tudo sofre uma revolução."
Esta leitura foi um pouco confusa. Ao comprar o livro a sinopse dava a ideia de que seria um livro de terror, no entanto, depois de o começar a ler vi que não. Começa com dois irmãos Rodrigo e Gil que ficam órfãos porque o pai matou a mãe e suicidou-se em seguida. Rodrigo, o mais velho, vai para um orfanato e Gil fica aos cuidados de umas pessoas amigas. No orfanato Rodrigo descobre o amor à música com o Padre Vilhena e forja uma espécie de amizade com Jorge, um miúdo mais novo que também está em S. João. Chega o dia em que Rodrigo tem de abandonar o orfanato e à sua espera está Vilhena, que já não é padre, mas sim o dono de um clube de jazz que contrata Rodrigo para lá tocar. Depois há um assassino em série que quer matar os companheiros com quem serviu na guerra colonial. E é aqui que a história passa para um universo paralelo. Vamos para uma ilha para os tempos do antigo testamento e a construção da torre de babel. E o padre Vilhena é um anjo proscrito.
Este livro foi muito desconcertante. Não sei muito bem como o categorizar. O que parecia um livro de aventuras ou uma biografia, torna-se num livro de fantasia. Gostei no entanto.
Gostei imenso desta história! Existiram partes em que fiquei ansiosa para ler mais e mais e mais para ver como se encaixavam todas as peças. A dada altura gostei bastante, mas lá mais para o fim pareceu não fazer tanto sentido e no final , o encaixe das peças, a interligação de tudo não me pareceu muito claro...mas ainda assim , é uma história criativa que mistura thriller e fantástico . Anjos, deuses e homens à mistura, cenário de tempos diferentes, enfim, super criativo.
Primeiro de tudo, alguém me consegue explicar por que raio é que eu cismei e meti na cabeça que este livro era de terror? Eu lembro-me de qualquer coisa que li online nesse sentido, mas definitivamente não é. My bad. Alçapão junta duas histórias, e a primeira bastava-me, sinceramente. A segunda parte do livro, a história com os habitantes de Lothar, foi para mim todo um gigantesco momento de WTF e que eu dispensava. Penso que a primeira parte tinha pernas para andar sozinha, e podia ter enveredado por caminhos bem mais interessantesdo que ligar-se à segunda parte. Toda esta segunda parte foi para mim desnecessária e acabou por diminuir, e bastante, o quão agradável a leitura estar a ser. Considerando que li o livro de uma só assentada, fico feliz por o ter feito; se tivesse de levar com aquela segunda parte durante alguns dias, ia acabar por detestar o livro. João Leal revela-se um escritor bastante bom e até mesmo inteligente, pois há mestria na junção das duas histórias; o resultado final é que deixa muito a desejar.
Iniciei a leitura deste livro graças à Cláudia do blog http://amulherqueamalivros.pt/ que me despertou a curiosidade sobre a história que se desdenhava ser tão incrível. O certo é que este livro tornou-se uma caixinha de surpresas, autenticamente inesperado nas reviravoltas que surgem, bem como instigante e irreverente. Tanto que depois de o terminar não soube que classificação iria dar, o que nunca me aconteceu durante as minhas leituras.
O livro possui duas partes, a primeira relata a história de Rodrigo e a sua adolescência traumática no orfanato de S.João e uma série de crimes que surgem levando a que Rodrigo e o seu amigo Jorge sejam envolvidos. Para além de se iniciar de uma forma tensa, com uma infância dura e devastadora de Rodrigo e do seu irmão, o autor transmite a crueldade da vida, ainda numa idade tão jovem. Esta parte transmitiu-me tantas emoções, acima de tudo de desconforto por Rodrigo e a sua vida tão cruel e esperança pelo rumo da sua nova vida. Os crimes surgem e desestabilizam a vida de todas as personagens, reorientando dessa forma a narrativa para situações sobrenaturais, o que me deixou relativamente confusa e sem qualquer reação do que se estava a passar nesta história.
A leitura fluía tão rapidamente, a narrativa inicial foi cativante de um bom thriller, bem como a escrita acessível e com extrema facilidade na descrição de detalhes. Porém, a segunda parte deixou-me num impasse, a reviravolta é gritante e posso garantir que deixará qualquer leitor à nora e extasiado. Para mim, deixou-me realmente desnorteada, uma mistela de junção do fantástico com um thriller foi um risco que o autor correu, devo dizer que foi absurdamente corajoso e criativo. A parte dois possui a própria escrita completamente contraditória da anterior, se bem que mais cuidada e rica. Até que as duas histórias se juntam, através de toda a imaginação que ressalvo, genial, de João Leal. Para mim, esta foi uma junção perigosa do autor, mas que tornou o livro verdadeiramente único e fora de série.
Porém a junção das histórias achei demasiado forçada e com pouco nexo. De um momento para o outro fiquei com a sensação de que li dois livros distintos que por coincidência se cruzam. Foi realmente desafiante ler este livro, e corroboro com a opinião da Cláudia de que este autor deveria ser mais reconhecido, tendo em conta a sua originalidade. Este foi sem dúvida um livro que me deixou boquiaberta.