Da hiperinflação ao plano Real, passando pelos congelamentos, planos que não passavam de um verão e o confisco do governo Collor, Miriam Leitão mostra como os brasileiros sofreram até a estabilização da moeda. Um livro definitivo sobre a história econômica recente do país - já esquecida pelas novas gerações.
Especialista em economia e negócios, Miriam Leitão, autora do volume de crônicas Convém Sonhar, está no dia a dia dos brasileiros através dos seguintes veículos de comunicação: O Globo, CBN, Globonews, TV Globo e, agora, também contribui para O Globo Online.
Em 2007 ganhou o prêmio Jornalista Econômico, concedido pela Ordem dos Economistas do Brasil. Foi à segunda mulher brasileira a receber o Maria Moors Cabot Prize, em 2005. Nesse mesmo ano ganhou o prêmio Camélia da Liberdade.
Deveria ser leitura obrigatória nas escolas brasileiras. Miriam Leitão conta de forma brilhante a história recente brasileira. Como costumam dizer: "Deve conhecer teu passado para entender o presente". Nesse livro, quem viveu naquela época, irá relembrar memórias talvez esquecidas. Quem não viveu, poderá ter uma ideia de como foi os momentos mais dramáticos da escalada da inflação brasileira, do pânico generalizado causado pelo Plano Collor. Irá ver como os tantos planos econômicos fracassaram no combate à inflação, pois nenhum dos seus autores entendiam que um problema complexo não se resolve com medidas simples. Ao contrário do Plano Real, que foi uma das maiores engenharias econômicas já criadas, elaborado por gente muito capacitada, e que não surgiu da noite pro dia. Começou muito tempo antes nos debates da PUC Rio ainda na década de 80 e só foi implantado em 1994. E mesmo assim, quase não resistiu às crises que seguiram nos anos seguintes. No livro, a autora traz o leitor ao coração dessa história, o povo brasileiro. Com relatos de pessoas que viveram o auge da hiper inflação, o confisco das poupanças, a desesperança que via com cada plano fracassado, e o redescobrimento de como é ter uma moeda estável e com poder de compra. São essas pessoas que ajudaram a autora a trazer ao leitor a compreensão do que foi viver naquela época. Dado o momento que o Brasil vive hoje, em 2017, o povo brasileiro deveria ler este livro para entender que o país é do jeito que é, pois viveu por muitos anos sob a sombra de um monstro chamado inflação, que ao final da década de 80 e início da dos anos 90, atingiu valores astronômicos. Inflação que tirou completamente o controle financeiro de todos, dos governantes até o cidadão comum. O livro ajuda também a entender que o Brasil hoje sobrevive sobre a responsabilidade de dois grandes presidentes da república: FHC e Lula. FHC que foi o líder da equipe econômica que implantou o Plano Real e salvou o país da hiper-inflação, e Lula, que deu seguimento ao trabalho do seu antecessor e continuou a levar o Brasil na rota do crescimento. Dois governantes de partidos que hoje, são vistos pelo povo como inimigos mortais, e que na verdade, são responsáveis pelo sucesso da estabilização monetária do país, conquistada depois de muito sofrimento.
One of the best books on the brazilian recent economy. Quite shocked to read the adventures of a country and its people struggling with their currency and fighting for their economy. Since most of the things happened before I was born or while I was a kid, it was very interesting to me to better understand the political environment at the time and the policies made to improve our situation. Collection of mistakes and successes of the policies proposed, the impact on the peoples' lives and their behavior. Recommended!
Tirando a absurda parcialidade da jornalista, esse livro é um excelente documentário sobre a criação da atual moeda brasileira onde observa a economia brasileira nos anos 80 que de julho de 1964 a julho de 1994 com a instituição do Plano Real teve uma inflação acumulada de mais de 1 quatrilhão e 302 trilhões por cento. A Alemanha em 1923 foi também uma tragédia com consequências ainda mais devastadoras, é possível perceber que a moeda pode também marcar a fronteira entre civilização e barbárie.
A importância do tema é fundamental porque a principal identidade econômica de um país é a moeda e para se ter um sistema econômico organizado é preciso ter uma moeda estável. No nosso país nossa moeda já passou por cinco trocas de nomes e já teve nove zeros cortados para chegar ao que conhecemos como Real.
Essa lembrança precisa ser resgatada para que as novas gerações não esqueçam o que já foi vivido aqui, conhecendo suas causas para que não se repita os mesmos erros e como bem disse Cecília Meireles: “Eu quero a memória acesa depois da angústia apagada”.
Miriam Leitão comenta alguns planos econômicos, moedas e inflação. Quem procura uma análise mais técnica, pode se decepcionar. Saga brasileira é descritivo, passa por medidas do regime militar até o Plano Real, tem bastidores, reação da população, mas é fraco tentando explicar porque o Real funcionou, e outras moedas tiveram vida curta.
Ao mesmo tempo tem o esforço de trazer os vários momentos de turbulência, para os dias atuais. Os comentários da população, retirados de reportagens, são preciosos, por exemplo:
"Plano Bresser? Gente, o que é isso? Não me recordo não, para mim é novidade. Plano Verão, ouvi dizer, mas não sei explicar. Plano Real, tá tranquilo: lembro bem, depois dele meu salário nunca mais aumentou."
e
"Planos, ele se lembrava do Bresser, mas achava que todos foram estratégias para reduzir o salário. O Bresser, mais ainda."
Um bom livro sobre o período em que o Brasil viveu a hiperinflação. Eu mesmo fui testemunha deste período, tendo vivido esta fase até os 17 anos de idade. Lembro bem das compras do mês, das máquinas remarcadoras de preços, dos cortes de zeros e da incrivel quantidade de cédulas de novas denominações que precisavam ser criadas. Lembro uma vez que esqueci um dinheiro no bolso do casal durante vários meses e quando o encontrei já não valia mais nada.
O livro é deveras opinativo em certos momentos mas o principal da história está lá: os bastidores dos planos econômicos fracassados, o que deu certo no Plano Real. Foi um incrível desafio fazer o Brasil sair a inércia inflacionária.
Um olhar do ponto de vista do povo, de um período turbulento na economia brasileira. O livro trata de alguns bastidores, mas foca na experiência da população durante os períodos de alta inflação. Leitura importante da história recente do país.
Deveria ser lido por todos que tem interesse sobre a história econômica do Brasil. A Miriam Leitão consegue retratar de forma concisa o processo no qual a economia brasileira entrou em uma espiral de hyper inflação ao longo dos anos 80 e seus impactos sobre a sociedade e dia a dia das pessoas. Por fim, ela explica os impactos políticos da situação e o desenrolar do Plano Real como solução. Muito interessante.
Não costumo gostar de livros não literários, mas esse foi uma leitura bem prazerosa! Cheguei até a me emocionar em várias partes.
Minhas ressalvas são que eu esperava ver aspectos mais técnicos sobre como os planos funcionaram (ou não), mas o livro apenas descreve o contexto político e cotidiano dos anos de estabilização. E achei que em alguns momentos ela se alonga muito em uma passagem ou fica repetitiva nas descrições.
Curioso que no ano seguinte em que esse livro foi lançado, o governo federal anunciou a Nova Matriz Econômica, rompendo com o Tripé Macroeconômico e o acordo do real, conquistado após anos de luta pela moeda. Todos mundo já sabe o resultado. Mas o que me impressiona é que em pleno 2026 estamos vivenciando os mesmos debates de 1985-1994.
Ótimo livro sobre a história econômica brasileira, focada na transição da nossa moeda para o Real.
Nasci em 1991 e por isso não tinha lembranças dos episódios, e este livro me deu a oportunidade de entender melhor o país onde vivo, que infelizmente é muito imaturo economicamente.
Especialmente para quem nao viveu os planos, congelamentos e confisco, "Saga Brasileira" e uma narrativa eletrizante da - muitas vezes agoniante - jornada em busca de estabilizar a moeda brasileira nos anos 1980 - 1990.
No segundo capítulo do livro, publicado em 2011 e vencedor do prêmio Jabuti em 2012, Míriam Leitão explica qual foi a receita usada pelos governo militar brasileiro para chegar à hiperinflação: gastos descontrolados, pornografia com o dinheiro público, tudo sem definir orçamento ou realizar qualquer gestão. O governo imprimia dinheiro e o povo pagava a conta, especialmente os mais pobres, através da inflação. “A bagunça fiscal era tanta que o país passou os vinte anos seguintes cumprindo a penosa tarefa de pôr em ordem as contas, dar clareza aos gastos públicos e entender fatos corriqueiros: que dinheiro acaba; que o governo não cria dinheiro, ele recebe de nós ou se endivida em nosso nome. Quando imprime sem lastro, o país paga o preço em inflação. Essa história ainda não acabou, mas já avançamos muito. Saímos da absoluta desordem para a Lei de Responsabilidade Fiscal.” Na época, os principais beneficiários eram os produtores rurais e empresários da indústria, que faziam lobby para manter a situação do jeito que estava e conseguir benefícios. Na maior parte dos casos, eles recebiam empréstimos sem correção monetária (em tempos de inflação a 200% ao ano). O governo militar também abusou do BNDES para financiar a elite e a semelhança com o que acontece hoje no Brasil fica clara. “No BNDES, fundado em 1954, também foram construídos canais para transferência de dinheiro aos ricos. Aliás, eles voltaram a ser reativados como nunca nos últimos anos do governo Lula, numa assustadora repetição dos mesmos erros, da mesma concentração de risco, na mesma eleição de algumas empresas para receberem os benefícios do dinheiro subsidiado. Uma conta que o brasileiro paga e não sabe quanto é.” Para as grandes obras do governo militar, o custo não importava, não interessava se havia dinheiro. O importante era modernizar o país e promover o crescimento a qualquer custo. Mesmo quando já se via sinais do desastre, a loucura continuava. “No II Plano Nacional de Desenvolvimento, de 1974-5, a máquina do milagre econômico já batia pino, mas ainda eram tomadas decisões assim: a CSN vai produzir mais 4 milhões de toneladas de aço. Não se sabia a quem a empresa venderia aquele aço, mas isso não importava. Como não importava quanto custaria. Na hora de registrar as fontes do financiamento, a burocracia jogava tudo o que faltava para aquela rubrica engraçada: “recursos a definir”. Era a forma burocrática de empurrar com a barriga. Isso alimentou a cultura da capacidade ilimitada do Tesouro de criar dinheiro. Tesouro? Ainda não havia formalmente esse órgão, mas virtualmente começava a surgir. Foi por saber essa velha história que eu me arrepiei quando foi lançado, com fanfarras eleitoreiras, o PAC II, em 2010. A então chefe da Casa Civil, Erenice Guerra, que substituiu Dilma Rousseff, ao citar as fontes de financiamento daqueles projetos, repetiu a expressão: “recursos a definir”. O passado é teimoso, fica tentando voltar.” A lição é clara, o Brasil está repetindo a receita do desastre, mas ainda há tempo de corrigí-la. Leiam esse livro para entender o que aconteceu com o Brasil e ajudem a evitar que a história se repita.
O livro acaba de ganhar o Prêmio Jabuti 2012 na categoria reportagem e traz mais uma mulher pro rol de jornalistas premiados no país: Miriam Leitão (1953). Saga Brasileira é bacana mesmo. Pesa um catatau com suas 476 páginas e tem uma seção em papel couchê com fotos de flagrantes do cotidiano de 1986 até a estreia do Plano Real, além de um gráfico com a cronologia dos picos inflacionários no Brasil de 1979 a 2009, quando a moeda já estava estável.
Vale a leitura, seja por saudade (saudade de quê, exatamente? ah, sim, de quando éramos mais jovens), seja por raiva (Delfim, Sarney, Collor, Mensalão). A tese de Miriam é que a estabilização da moeda foi uma conquista da democracia – e não há a menor sombra de dúvida quanto a isso. Mas ela vai além e diz que o brasileiro mudou “por dentro”, deixando de ser um povo desmiolado (desmiolado é palavra minha, não dela) pra ser um povo cioso do valor de seu dinheiro, e que desenvolveu um sistema de alerta antiinflação. Nesse ponto discordo. Acho que a ganância é causa de inflação e quando Dilma ganhou a eleição declarando, em debate na Rede Globo, que seria uma presidente para continuar garantindo que os cidadãos continuassem comprando bens de consumo, pra mim ficou claro que o lance deste governo seria gastar, gastar, gastar. Alguém aí acha que tem gente preocupada com inflação?
De qualquer forma, Miriam conta uma história de vitórias. Saímos do overnight pra poupança, saímos dos quatro dígitos de inflação para uma dezena e uns quebrados. Saímos às compras parceladas sem juros, enfim.
Sensacional. Miriam Leitão consegue dar uma dimensão humana, dramática, trágica, heróica para números e análises econômicas. Consegue tirar a economia do reino teórico para mostrar o impacto na vida ordinária, cotidiana de todos nós. E a contribuição de cada um, mentes brilhantes por trás de cada plano engenhoso, dedicação dos funcionários públicos de carreira e sacrifício e intuição do populacho, tudo contribuindo e interagindo para construir uma vitória demorada, tensa, difícil. Delicioso de ler, provoca insights sobre quem somos, de onde viemos e proporciona um panorama muito otimista para analisarmos as dificuldades que atravessamos hoje.
Really interesting look at Brazil's economic trajectory from hyperinflation to one of the world's biggest economies. I'm going to write a full review for my blog, but I was pleasantly surprised with how interesting it was, even though the narrative wandered off in too many directions. It could have been a lot more coherent, but I really enjoyed it nonetheless.
Uma verdadeira aula. Bastante oportuno pra um país de memória tão curta quanto o nosso. Excelente para lembrar como já estivemos (e como corremos perigo concreto de voltar a estar) pior do que estamos, por mais longe do ideal que estejamos... E é simplesmente inacreditável que o zé povinho continue votando em gente como Sarney e Collor...
Mirian Leitão apresenta o cenário político e econômico brasileiro do últimos anos através de uma linguagem clara e sem perder o tom jornalístico. Excelente aquisição para aqueles que queiram conhecer os principais percalços enfrentados pelo povo brasileiro e que contribuíram para o atual florescimento da economia nacional.
Os rastros violentos de uma hiperinflação tendem a se minimizar em uma ou duas gerações. Mas não podemos descuidar, e acho que a maior função desta excelente leitura e trazer para as novas gerações uma visão clara de um dos maiores males que pode destruir um povo.
Quem viveu tem que lembrar, quem não viveu tem que escutar. História da longa batalha brasileira rumo à estabilização, com direito a toques de surrealismo dignos de García Marquez...
Como o brasileiro tem memória curta, é necessário um trabalho detalhado como esse pra lembrar toda a trajetória para a estabilidade econômica nacional.