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Poemas Selecionados

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Florbela Espanca, uma mulher muito à frente do seu tempo e com um imaginário de fantasia muito forte. A sua vida de trinta e seis anos foi plena, embora tumultuada, inquieta e cheia de sofrimentos íntimos que a autora soube transformar em poesia da mais alta qualidade, carregada de feminilidade.
Agora, esta poesia divina está à disposição do público, totalmente revista e adaptada conforme o Novo Acordo Ortográfico, para uma leitura mais fácil.
Boa Leitura à todos![Annotated] (Portuguese Edition)

67 pages, Kindle Edition

First published April 1, 1931

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About the author

Florbela Espanca

134 books265 followers
Florbela Espanca (birth name Flor Bela de Alma da Conceição), a poet precursor of the feminist movement in Portugal, she had a tumultuous and eventful life that shaped her erotic and feminine writings.

She was baptized as the child of an "unknown" father. After the death of her mother in 1908, Florbela was taken into the care of Maria Espanca and João Maria Espanca, for whom her mother had worked as a maid. João Maria Espanca, who always provided for Florbela (she referred to him in a poem as "dear Daddy of my soul"), officially claimed his paternity in 1949, 19 years after Florbela's death.

Florbela's earliest known poem, A Vida e a Morte (Life and Death), was written in 1903. Her first marriage, to Alberto Moutinho, was celebrated on her 19th birthday. After graduating with a literature degree in 1917, she became the first woman to enroll at the law school at the University of Lisbon.

Between 1915-1917 she collected all her poems and wrote "O livro D'ele" (His book) that she dedicated to his brother.
She had a miscarriage in 1919, the same year that Livro de Mágoas (The Book of Sorrows) was published. Around this time, Florbela began to show the first serious symptoms of Neurosis. In 1921 she divorced her first husband, which exposed her to significant social prejudice. She married António Guimarães in 1922.

The work Livro de Soror Saudade (Sister Saudade's Book) was published in 1923. Florbela had a second miscarriage, after which her husband divorced her. In 1925 she married Mário Lage (a doctor that treated her for a long time). Her brother Apeles Espanca died in an airplane crash (some might say he committed suicide, due to her fiancées death), which deeply affected her and inspired the writing of As Máscaras do Destino (The Masks of Destiny).

In October and November of 1930, Florbela twice attempted suicide, shortly before the publication of her last book Charneca em Flor (Heath in Bloom). Having been diagnosed with a pulmonary edema, Florbela died on December 8, 1930, on her 36th birthday. Her precarious health and complex mental condition make the actual cause of death a question to this day. Charneca em Flor was published in January 1930. After her death in 1931 «Reliquiare», name given by the italian professor Guido Battelli, was published with the poems she wrote on a further version of "Charneca em Flor».

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Profile Image for Victória.
13 reviews
April 28, 2026
"Eu sou a que no mundo anda perdida,
Eu sou a que na vida não tem norte,
Sou a irmã do sonho, e desta sorte
Sou a crucificada... a dolorida..."
Profile Image for Maria Carmo.
2,089 reviews52 followers
January 27, 2012
Desta leva de livros de poesia de Florbela Espanca que ultimamente li, esta é uma resenha de poemas de entre os quais alguns já tinham surgido noutros livros.

Sendo maior e cobrindo uma amostra mais significativa da sua obra poética, gostei de ler "Poemas Selecionados", uma vez que neles se torna mais patente ainda a sede de infinito desta Poetisa do amor, da sede inexpugnável da Alma e da paisagem alentejana, que pinta com palavras, como por exemplo no poema que transcrevo:

"ÁRVORES DO ALENTEJO

Horas mortas... Curvada aos pés do Monte
A planície é um brasido e, torturadas,
As árvores sangrentas, revoltadas,
Gritam a Deus a benção duma fonte!

E quando, manhã alta, o sol posponte
A oiro a giesta, a arder, pelas estradas,
Esfíngicas, recortam desgrenhadas
Os trágicos perfis no horizonte!

Árvores! Corações, almas que choram,
Almas iguais à minha, almas que imploram
Em vão remédio para tanta mágoa!

Árvores! Não choreis! Olhai e vede:
— Também ando a gritar, morta de sede,
Pedindo a Deus a minha gota de água!"

Florbela parece sentir-se "desterrada" de um mundo outro, encontrando-se subitamente neste ermo mundo, desejosa de saber quem na realidade É, e sentindo-se apenas como uma "sombra" da sua verdadeira natureza:

"Quero voltar! Não sei por onde vim...
Ah! Não ser mais que a sombra duma sombra
Por entre tanta sombra igual a mim!"



Toda a sua poesia nostalgica e dolorida nos convoca para a partilha de uma sensação de profunda perda e desenraizamente, ao mesmo tempo de deseja sempre o impossível:

"Abrir os olhos, procurar a luz,
De coração erguido no alto, em chama,
Que tudo neste mundo se reduz
A ver os astros cintilar na lama!"

"O amor dum homem? — Terra tão pisada!
Gota de chuva ao vento baloiçada...
Um homem? — Quando eu sonho o amor dum deus!"

O seu sonhos de amor (nunca realizado nos vários casamentos da sua curta vida) parece-se definir-se no soneto que passo a transcrever:

"A NOSSA CASA

A nossa casa, Amor, a nossa casa!
Onde está ela, Amor, que não a vejo?
Na minha doida fantasia em brasa
Constrói-a, num instante, o meu desejo

Onde está ela, Amor, a nossa casa,
O bem que neste mundo mais invejo?
O brando ninho aonde o nosso beijo
Será mais puro e doce que uma asa?

Sonho... que eu e tu, dois pobrezinhos.
Andamos de mãos dadas, nos caminhos
Duma terra de rosas, num jardim,

Num pais de ilusão que nunca vi...
E que eu moro — tão bom! — dentro de ti
E tu, ó meu Amor, dentro de mim..."


Ao longo da sua vida, das vezes em que cruelmente se viu privada de afeição, cortadas cerces as suas paixões, perdidos os sonhos de maternidade a cada vez que perdeu um bebé muito esperado, foram de molde a marcá-la profundamente:

"Ter um sonho, um sonho lindo,
Noite branda de luar,
Que se sonhasse a sorrir...
Que se sonhasse a chorar...

Ter um sonho, que nos fosse
A vida, a luz, o alento,
Que a sonhar beijasse doce
A nossa boca... um lamento...

Ser pra nós o guia, o norte,
Na vida o único trilho;
E depois ver vir a morte

Despedaçar esses laços! ...
É pior que ter um filho
Que nos morresse nos braços!"

Florbela, a Poetisa que tem outros versos, mais conhecidos do grande público (como o que foi musicado "Ser Poeta é ser mais alto...") no fundo sentis que os Poetas são, as mais das vezes, seres incompreendidos, com uma sensibilidade exacerbada que os faz sofrer:

"POETAS

Ai as almas dos poetas
Não as entende ninguém;
São almas de violetas
Que são poetas também.

Andam perdidas na vida,
Como as estrelas no ar;
Sentem o vento gemer
Ouvem as rosas chorar!

Só quem embala no peito
Dores amargas e secretas
É que em noites de luar
Pode entender os poetas

E eu que arrasto amarguras
Que nunca arrastou ninguém
Tenho alma para sentir
A dos poetas também!"


Lendo determinados autores, mesmo que a sua forma de escrever já não corresponda à sensibilidade de hoje (e os seus versos possam , por isso, parecer exagerados ou excessivamente sentimentais) é possível SENTIR o que eles sofreram e sentir vontade de que tivesse sido possível que eles fossem mais felizes e sãos... Mas volta a eterna questão: as pessoas felizes escrevem?

Pessoalmente, penso que a Criatividade Verdadeira tem que jorrar, mesmo em plena felicidade. Se a criatividade só jorrar na melancolia nostálgica dos nossos queixumes de Alma, é mais uma terapia do que Arte. Mas a felicidade também se escreve e se pinte, se canta e esculpe - apenas a sua serenidade tem mais dificuldade a encontrar palavras adequadas.

Talvez um dos mais difíceis desafios aos artistas de hoje seja a necessidade de trazerem felicidade ao mundo através das suas obras, sem que estas deixem de ser interessantes e nimbadas de mistério.

Maria Carmo,

Lisboa 27 de Janeiro de 2012.








Profile Image for Luís Branco.
Author 60 books47 followers
January 29, 2014
Amo os escritos de Florbela Espanca, leio e os releio sempre. É sem dúvida a "poetisa portuguesa do amor", um orgulho para o tão acanhado Alentejo e a linda Vila Viçosa.
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