«Surgido no final dos anos oitenta, quarenta e cinco anos depois da recolha que, sob o título paradigmático de "Poesia", criou para a sua autora um lugar na literatura portuguesa sempre em expansão ao longo da segunda metade do século passado, o livro que agora se reedita tem o especial interesse de condensar nas suas escassas páginas, em meia centena de textos, algumas das linhas fundamentais do universo de Sophia de Mello Breyner Andresen, permitindo a um leitor que, por hipótese, começasse aqui o seu percurso no interior desse universo, apreender-lhe facilmente as regras e as rotas para a viagem.» Fátima Freitas Morna, no prefácio a esta edição. ESCRITA II Escreve numa sala grande e quase Vazia Não precisa de livro nem de arquivos A sua arte é filha da memória Diz o que viu E o sol do que olhou para sempre o aclara
SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDERSEN nasceu no Porto, a 6 de Novembro de 1919. Entre 1936 e 1939 frequentou o curso de Filologia Clássica na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, que não concluiu. Foi Presidente da Assembleia Geral da Associação Portuguesa de Escritores e Deputada à Assembleia Constituinte, pelo Partido Socialista (1975). A sua obra reparte-se pela ficção e pela poesia, embora seja nesta última que a sua inspiração clássica dá ao seu verso uma dimensão solar e luminosa, que permite ouvir nitidamente a palavra com todo o peso da sua musicalidade limpa, ao encontro do modelo clássico. Entre as suas obras poéticas contam-se Coral (1950), Mar Novo (1958), Livro Sexto (1962), Geografia (1967), Navegações (1983), Ilhas (1989), Musa (1994) e O Búzio de Cós e Outros Poemas (1997). Em ficção publicou Contos Exemplares (1962) e Histórias da Terra e do Mar (1983). Da sua literatura infantil destacam-se O Rapaz de Bronze (1956), A Menina do Mar (1958), A Fada Oriana (1958), O Cavaleiro da Dinamarca (1964) e A Floresta (1968). Em 1999 é-lhe atribuído o Prémio Camões, pelo conjunto da sua obra, e em 2001 ganha o Prémio Max Jacob de Poesia. Foi condecorada pela Presidência da República com a Grã-Cruz da Ordem de Sant’Iago da Espada, em 1998. Faleceu em Lisboa, a 2 de Julho de 2004.
This reinforces an effect that even the most unprepared reading of this poetry grasps: it is a universe built on echoes and dialogues, whose visceral dynamism resides precisely in the capacity always to rebuild itself from the same solid foundations, as if with the same materials, very few in fact but, for that very reason, of an essentiality beyond all doubt. A universe in which we can glimpse the perfect coincidence between the beginning and the end of a circle within which things receive their name.
"E aqueles momentos de silêncio no fundo do jardim ensinaram-me, muito tempo mais tarde, que não há poesia sem silêncio, sem que se tenha criado o vazio e a despersonalização."
È il primo libro di poesie che leggo. E ho cominciato con il botto. Ho adorato la scrittura di Sophia de Mello Brennero Andresen, ci sono poesie che sono così profonde che sembrano avvolgerti come una coperta. Meraviglioso.
I liked Poesia so much that I immediately read Ilhas. This book is not as good as the first one, the poems are less consistent and among many not-so-good poems sometimes we get a glimpse of the genius in Poesia. I would give 3,5 stars to this book if it was an option. However, she is still and absolute genius, an incarnation of Sophia herself.
“Eu era de facto tão nova que nem sabia que os poemas eram escritos por pessoas, mas julgava que eram consubstanciais ao universo, que eram a respiração das coisas, o nome deste mundo dito por ele próprio. Pensava também que, se conseguisse ficar completamente imóvel e muda em certos lugares mágicos do jardim, eu conseguiria ouvir um desses poemas que o próprio ar continha em si.”
"(...) há muito que estavas longe mas vinham cartas poemas e notícias e pensávamos que sempre voltarias enquanto amigos teus aqui te esperassem
E assim às vezes chegavas da terra estrangeira não como filho pródigo mas como irmão prudente e ríamos e falávamos em redor da mesa e tiniam talheres loiças e vidros como se tudo na chegada se alegrasse (...)
(...) E agora chega a notícia que morreste A morte vem como nenhuma carta"