Confesso que aquando da edição do primeiro livro de Júlio Magalhães, “Os retornados”, não fiquei minimamente interessado na sua leitura. No entanto, e a conselho, li o seu segundo livro “Um amor em tempos de guerra”, e fiquei bastante surpreendido com a boa qualidade da narrativa. A história era boa, bem escrita e o contexto histórico bem situado e explicado.
Dessa forma foi com entusiasmo que há um ano li o seu terceiro título “Longe do meu coração” e, simplesmente, achei o livro mau. De qualidade inferior, uma narrativa apressada e quase vazia de conteúdo, confesso a minha admiração na altura face a tão fraco livro só compreensível, pensei eu na altura, face a um compromisso editorial assumido.
Ou seja, tendo como meio de comparação dois romances, dei o benefício da dúvida ao autor e foi até com algumas expectativas que empreendi a leitura deste novo romance “Por ti resistirei”.
O que expectativas eram essas?
Um livro semelhante, quanto à qualidade da narrativa, a “Um amor em tempos de guerra”, uma história interessante num contexto que muito tem por explorar.
Enfim…
Debalde!
Não posso dizer que foi uma grande decepção porque essa tive-a no ano passado, mas não é que este consegue ser pior do que o anterior?
Não vou aqui atormentar-me a mim próprio referindo a história, isso é algo que podem ler em dezenas de blogs e no site da editora, mas que posso dizer sobre tamanha pobreza?
Conteúdo Histórico… nickles, batatóides e o autor até assume (vi no youtube) que fez pesquisa.
Estrutura narrativa, enfim, capítulos curtíssimos que terminam sempre em suspense, ou tentam terminar, pois a partir de certa altura, ou seja quase de inicio, aquilo é tão enfadonho e sem interesse, que tem tanto de suspense como qualquer episódio do Noddy.
Eu até percebo a ideia do autor, mas ele falha redondamente e porquê?
Porque, a meu ver, tenta construir uma história de amor entre um português e uma judia francesa. No entanto as bases são muito fracas e muito mal explicadas, omitidas até, pois há situações tão ingénuas que tornam os diálogos e o trama verdadeiramente inverosímil.
O contexto é excelente e considero ter o autor um enorme manancial que podia explorar (2ª Guerra Mundial. Perseguição aos Judeus. Trabalho de Aristides de Sousa Mendes. Os interesses do Estado Português. O circulo de espionagem em Lisboa, etc, etc. Tantos), no entanto nada disto é explorado. No máximo aflorado, pois a história centra-se de uma forma muito intensa e exclusiva entre os dois principais protagonistas e tudo o resto é secundário. Já percebi que é o estilo do autor, pois faz o mesmo no romance anterior, mas a mim não me cativa, aborrece-me, irrita-me.
Este é pois um mau romance. Cheio de situações que nunca convencem, de diálogos bacocos, sem gás, sem interesse, que facilmente nos permite longos bocejos tal a fragilidade de todo o enredo e das situações criadas para descrever uma mera e inverosímil história de amor.
Nota final para a capa. Nunca dou grande importância a capas, mas penso que as mesmas devem ser o mais precisas possível quanto ao conteúdo. Neste caso a capa mostra um soldado britânico e uma jovem senhorita. Que erro, pois o mister em questão não é soldado, nem sequer britânico.