Nuno Camareiro é o vencedor do Prémio Leya de 2012, o que me deixou simultaneamente curiosa e de pé atrás. Os critérios para a atribuição de um prémio literário são, naturalmente, muito racionais. Dá-se mais importância à técnica e menos aos sentimentos, subjectivos e pessoais, que uma história pode despertar no leitor. As críticas positivas que li a este autor acabaram por me convencer de que valeria a penas dar uma espreitadela aos livros dele. Além disso, acho o título deste "No meu Peito Não Cabem Pássaros" bonito e às vezes é tão fútil quanto isso, um livro ter um título bonito pode ser a razão pela qual vem connosco para casa... ;)
"No Meu Peito Não Cabem Pássaros" é um livro repleto de imagens bonitas, de frases que transmitem mais do que aquilo que está escrito no papel. A escrita de Nuno Camarneiro é poética, sem ser etérea. É palpável e próxima. É um livro construído de suspiros, sobressaltos, de olhares, de pensamentos, de interrogações, de imaginação. Uma reinvenção do mundo como o vemos no nosso dia-a-dia. Num livro cujos três protagonistas foram inspirados em três dos escritores menos óbvios do século passado não é de se esperar outra coisa.
Nuno Camarneiro pegou no Checo Kafka, no nosso Pessoa e no Argentino Borges, e contou-nos um pouco da vida dos três, a infância, a passagem para a vida adulta e a descoberta da escrita como forma de entenderem o mundo.
Não é um livro fácil, embora a escrita não seja complicada, por não ser o típico romance, com uma narrativa estruturada de forma clássica, exige alguma concentração extra. Os capítulos pequenos permitem que se seja uma leitura dinâmica e que consigamos imprimir o ritmo mais pausado que a escrita impõe.
Gostei, essencialmente porque a escrita é refrescante e achei curioso que as três personagens sejam tão diferentes uns dos outros, embora sejam mais ou menos contemporâneos. A única característica que os une é mesmo a imaginação e a vontade de escrever, por razões diferentes, como forma de recriar a própria vida. Os três muito marcados por episódios da infância, pela educação e costumes de cada país.
Gostei! É um escritor a manter debaixo de olho.
Boas leituras