Nunca se deixou fotografar. Quando te tocava, dirias que te revelava o corpo, como se infundisse calor ou se pintasse a si mesmo no espaço. Era esse o escândalo. Podia não existir, mas quando se aproximava — nunca se deixou fotografar. E havia um negócio de roupa: azul por vermelho. Era simples, não envolvia cálculo. Vestiam-se e despiam-se e olhavam-se e subiam depressa a torre de pedra porque era assim o seu desejo. Expunham-se ao vento como velhas árvores de seda. Eram animais de temperatura, animais de fome, real e urgente. Nunca se deixou fotografar. E quando morrer, dirás que o viste. Dirás apenas isso. Que o viste.