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imo
Nunca se deixou fotografar. Quando te tocava, dirias que te revelava o corpo, como se infundisse calor ou se pintasse a si mesmo no espaço. Era esse o escândalo. Podia não existir, mas quando se aproximava — nunca se deixou fotografar. E havia um negócio de roupa: azul por vermelho. Era simples, não envolvia cálculo. Vestiam-se e despiam-se e olhavam-se e subiam depressa a torre de pedra porque era assim o seu desejo. Expunham-se ao vento como velhas árvores de seda. Eram animais de temperatura,
animais de fome, real e urgente. Nunca se deixou fotografar. E quando morrer, dirás que o viste. Dirás apenas isso. Que o viste.
animais de fome, real e urgente. Nunca se deixou fotografar. E quando morrer, dirás que o viste. Dirás apenas isso. Que o viste.
- GenresPoetry
110 pages
First published January 1, 2003
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Community Reviews
Displaying 1 - 4 of 4 reviews
March 8, 2015
***
Eterno Outono
Estou com a idade pousada nas mãos.
Explico-me com dedicação aos berços fundos
onde cada coisa dorme o seu medo de morrer.
Há na tristeza um perigo de terminar:
o eterno outono parece belo
a quem perdeu todas as sementes.
Pergunta-se um nome e ninguém responde.
Onde fica essa ilha a que só chegamos por naufrágio?
***
Eterno Outono
Estou com a idade pousada nas mãos.
Explico-me com dedicação aos berços fundos
onde cada coisa dorme o seu medo de morrer.
Há na tristeza um perigo de terminar:
o eterno outono parece belo
a quem perdeu todas as sementes.
Pergunta-se um nome e ninguém responde.
Onde fica essa ilha a que só chegamos por naufrágio?
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Want to Read
March 9, 2013We want some more books in IMO.
April 8, 2021
“desligámos a palavra do seu sangue
entre nós circula apenas um silêncio disfarçado
e um terror que não cuidamos
é possível entrever as lâminas por baixo da voz
ferindo a finíssima pele, a vaga atenção,
os pulsos frios e sem mistério
estendemos as mãos como ramos nus
atravessando o rigor líquido da noite
abrimos os livros, os mapas, os olhos
mas as entrelinhas estão há muito desabitadas”
entre nós circula apenas um silêncio disfarçado
e um terror que não cuidamos
é possível entrever as lâminas por baixo da voz
ferindo a finíssima pele, a vaga atenção,
os pulsos frios e sem mistério
estendemos as mãos como ramos nus
atravessando o rigor líquido da noite
abrimos os livros, os mapas, os olhos
mas as entrelinhas estão há muito desabitadas”
September 4, 2018
Não consegui imaginar as palavras/sentimentos como minhas/meus. Poesia que infelizmente não cria elos de ligação com o leitor...
Displaying 1 - 4 of 4 reviews




